30 de set de 2010

Território sagrado

Número 1: banheiro é território sagrado, é enfim sós, é aula de privacidade, é patrimônio tombado, é esconderijo secreto, é oásis, é ilha deserta, é cofre fechado com senha.
Número 2: não é justo a gente usar esse bunker maravilhoso só pra fazer número um, número dois e tomar banho correndo.
Eu gosto de pensar no banheiro. Os azulejos já me conhecem, respeitam meu silêncio. O vaso sanitário vira banco de praça. As toalhas penduradas são a paisagem. Fofas, compreensíveis.
A frente do espelho é outro lugar bom pra pensar. E com a escova de dentes dentro da boca. E com a torneira fechada, pra não desperdiçar pensamento. E com o cotonete no canto do olho. E com o algodão na ponta do nariz. E atrás da porta do box. Em cima do tapetinho de borracha. Embaixo da água quente.
Eu gosto de pensar que o banheiro é só meu.


Foto: FFFFound

Como diria Johnny Walker, keep walking

Sou meio suspeita pra filosofar em cima de conceito de campanha publicitária, porém eu consigo descolar a frase do uísque. Eta frasezinha boa. Seguir caminhando é uma verdade absoluta. E necessidade também. Muitas vezes a gente não tem a menor ideia pra onde está indo. O movimento das pernas vai te levar pra algum lugar, vá em frente e descubra. Melhor do que ficar parado.
Do final de 2008 pra cá, eu caminhei no automático, tateando o cordão da calçada pra me manter em linha reta. Uma sensação nada boa, diga-se. Agora tem tanta coisa incrível acontecendo que eu olho pra trás e chega a ser óbvio. Eu estava caminhando em uma estrada, não em uma ruazinha qualquer.
E vou seguir, pra ver o que tem lá adiante.

Foto: Flash Glam Trash

Você já alinhou hoje?

Alinhar é o verbo mais usado pelos publicitários. Alinhar expectativas, ideias, conceitos, pensamentos, estratégias, reuniões. A gente passa o dia alinhando. Em bom português, alinhar significa "todo mundo com a mesma informação na cachola." Tudo se alinha, nada pode ficar torto. Tenho minhas dúvidas se não é saudável manter alguém propositadamente desalinhado, pra questionar tantos cérebros alinhados.
Esses dias escrevi sobre as palavras que envelhecem, lembra? E agora me deparo com a consagração absoluta do verbo (promovido a jargão) alinhar. Usado desse jeito, ele não envelhece tão cedo. Mas desgasta a imagem das linhas em geral. Eu alinho, tu alinhas, ele alinha. Será que, se a gente alinhar almoços e happy hours, consegue encontrar mais fácil os amigos publicitários?

Foto: Behance

29 de set de 2010

Bem-estar é o novo luxo

Imperdível a entrevista com o sociólogo Gilles Lipovetsky no Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo de ontem. Ele traduz de forma objetiva as neuroses e cobranças do mundo contemporâneo. Concordo que o bem-estar é o novo luxo. Mas é um grande paradoxo porque usamos a lógica do consumo pra conseguir esse bem-estar idealizado. "Antes as pessoas iam à missa, agora elas vão ao shopping center", diz. "Há tanta ansiedade, tanto estresse, tanta angústia e tanto medo que a abundância não consegue proporcionar um sentimento de completude". Em que cilada fomos nos meter. Bem-estar é uma palavra tão pura e gostosa. Não pode virar ditadura, lei, regra, doutrina.

28 de set de 2010

Organização à antiga

Preste atenção na sinceridade desses organizadores. Se você vive fazendo listinhas como eu, pode ser uma boa tática. Bote tudinho no papel, mas tenha critério na hora de separar as pendências. Never é never mesmo!! Nesse caso específico, registrar o que você nunca vai fazer é apenas um descargo de consciência. Já ajuda.
Um kit desses é um belo presente de fim de ano para organizar as resoluções para 2011. Never faltar na academia. Ou never voltar pra academia e entrar para o Fung Fu. Never levar desaforo pra casa. Maybe é outro que vai ficar lotado porque essa palavra tira o peso da decisão. Maybe aprender francês. Maybe cortar o cabelo curtinho. Maybe parar de fumar. Yes para as novas amizades. No para o emprego chato. Só não esqueça de Read os papeizinhos durante o ano.

Foto: KrisAtomic

Fernanda, não tente isso em casa



Podia ser um comercial da Ikea, aquela marca gringa de móveis que faz campanhas geniais. Para os adoradores de cachorros, como a minha amiga Fernanda, podia ser uma entrada triunfal no showbizz.

From Desire to Inspire

O que você levaria dentro de 1 ou 2 malas?

Esses dias achei um raciocínio bem interessante no blog Oficina de Estilo: dá pra pensar no guarda-roupa como uma mala de viagem, onde o suficiente é mais eficiente. Faz sentido. Não sei quanto a você, mas pencas de roupas geralmente só fazem volume. A gente acaba usando sempre as mesmas, as preferidas, as que funcionam mais, as testadas e aprovadas na frente do espelho. Por isso eu acho tão difícil arrumar mala: o espaço é pequeno e somos forçados a escolher o que realmente vamos precisar. Como é chato, longe de casa, perceber que você esqueceu justo aquela blusinha básica e trouxe várias que nem usou. Em compensação, é um alívio voltar de viagem com a mala bem aproveitada.
A fila anda até no guarda-roupa. Substituições, não acúmulos. Desapego e doação. Excesso, só de histórias vividas. E organização, palavrinha que combina com tudo.

Foto: Desire to Inspire

26 de set de 2010

Casal Jack Bauer









Lembra o seriado 24h, onde Jack Bauer salvava o mundo em 24h? Foi assim o nosso fim de semana em São Paulo, sem explosões ou carros capotando, mas com uma programação intensa. O primeiro nonsense foi o de não termos ficado até domingo. Quando a gente consegue dar uma fugidinha, não precisa ser tão rápido desse jeito. Melhor que nada, pode apostar.
Mais coisas sem explicações palpáveis nos aguardavam na Bienal. É bom não ter resposta pra tudo, cheguei a essa conclusão. Sexta à noite, eu jurava que estava em Nova Iorque jantando no Serafina, que abriu nos Jardins. Mas o risoto delicioso da foto, de abóbora e carne seca, comi em outro lugar. Voltei no La Pasta Gialla só pra relembrar esse sabor. Valeu cada grão de arroz arbóreo.
Outra saudade que matamos foi andar de bicicleta. Teve até sol e encontro surpresa com a Carlinha no Ibirapuera. Conheci o shopping Cidade Jardim, bati perna na Oscar Freire e o mais valioso de tudo: namorei bastante. Como é necessário um respiro dos filhos, mesmo que seja breve. Por 24h foi como era antes, só eu e o Ricardo.

24 de set de 2010

Delegar é diferente de implorar

Será que nas famílias do futuro a divisão de tarefas vai ser mais justa? Não adianta culpar filhos e maridos. A gente dá um tiro no próprio pé quando arruma tudo sozinha porque acha que faz melhor. Acha. Com esse perfeccionismo uterino, o pessoal perde a chance de praticar. Grande coisa esticar a cama mais perfeita do universo! De noite, sua obra prima vai bagunçar de novo. E nas manhãs seguintes, lá estará você de lençol em punho, sozinha.
Olha o que um falecido chefe me disse: quem delega, tem que aceitar que o outro vai fazer diferente do que você faria. Esse diferente não é necessariamente pior. Aceitando isso, a avaliação é outra. Funciona nas empresas, devia funcionar em casa.
Há séculos as mulheres se ferram no setor Lidas Domésticas (o famoso terceiro turno) porque preferem elas mesmas fazerem do seu jeito - que é sempre mais adequado, mais correto, mais rápido, mais limpinho, mais produtivo. E ficam com mais trabalho, óbvio.
Eu tenho dificuldade em pedir. Quando vejo, já guardei, arrumei, limpei. Talvez o erro comece no verbo. Pedir ajuda? Pedir favor? A gente não se dá conta mas repete um coitadismo arcaico que vem lá dos antigamentes. Justo hoje, quando a internet ensina a ser colaborativo e compartilhar tudo.

Tá. Prometo reler esse post até aprender a delegar.

Imagem: Gadget Review

23 de set de 2010

Libertem as abelhinhas e o pólen

Quando entra a primavera, os novos alérgicos entram em pânico. Nós, os velhos alérgicos, achamos romântico. Velhos não em idade, mas no convívio com o entupimento generalizado. A gente até gostaria de culpar o pólen e as abelhas. Com tanta poluição no ar? Com a quantidade de alimentos industrializados que consumimos? Com o Afrin em oferta? Não dá.
Deixem as abelhas e o pólen livres dessa discussão. Eles fazem parte do imaginário coletivo alérgico, têm uma boa parcela de culpa, porém são frágeis demais para serem os vilões. Essa dupla é bucólica, gente. E necessária para a procriação das flores. Os velhos alérgicos sabem disso. Prefiro receber um buquê lindo, mesmo com o nariz funcionando 30%.
Falando em procriar, as abelhas e o pólen merecem respeito pelo excelente serviço prestado aos pais do passado. Quantas criancinhas foram enroladas sobre sexo! Quantos pais respiraram aliviados!!
Termino esse post com uma sincera homenagem às gotinhas de Sulphur que me acompanham diariamente. Homeopatia pode ser a salvação.

Foto: FFFFound

22 de set de 2010

É mais ou menos assim a maternidade

Quando não acho assunto, ele me acha. Primeiro foi um email da querida Vanessa sugerindo que eu lesse a matéria "As mães são felizes" na última revista TPM e escrevesse sobre isso. Depois foi a minha amiga Claudia, superangustiada contando do seu cachorro doente e chegando à conclusão de que não está preparada para ter filhos.
A matéria pega justamente esse público curioso e, ao mesmo tempo, temeroso. Será que dá mesmo pra conciliar tudo? Será que estou fazendo a coisa certa? É um assunto que nunca esgota e onde os exemplos são sempre bem-vindos. Espiar a rotina das outras mães e aprender novos truques de sobrevivência acalmam como cantiga de ninar.
Eu tinha escolhido outra imagem para esse post, mas quando vi o monstrengo acima, achei a metáfora perfeita. Lembrei do filme Monstros S.A., onde criaturas surgem atrás das portas para assustar as crianças. E me dei conta de que a maternidade é mais ou menos assim. No caso, as crianças somos nós. Os monstros aparecem constantemente, não só à noite. São os nossos medos, em diferentes formas e tamanhos: de não ser uma mãe perfeita, de não conseguir protegê-los, de falhar na educação, de não chegar a tempo na apresentação da escola, de trabalhar demais, de ficar em casa e se arrepender mais tarde, de descuidar de si mesma, de perder a cabeça, de perder a coragem, de ser severa de mais ou de menos, de ser cobrada pela professora, pelos avós, pelo marido, pelos filhos, de surtar com tanta demanda.
E aqui está o segredo para perder o medo. Muitos desses monstros são criados pela nossa imaginação. A maternidade pode ser mais tranquila, se a gente aprender a conviver com os sobressaltos.
Repare na quantidade de olhos do monstrengo. Mães acham que podem ver e prever tudo. Agora preste atenção no colorido, no desenho em si. Tem humor e leveza, apesar da tensão. É mais ou menos assim a maternidade. Os monstros vão estar sempre lá, cabe a nós fingir que não os vemos.




Ilustração: Oliver Hibert - Debut Art

21 de set de 2010

Asilo ortográfico

Assim como roupas e sapatos, algumas palavras também deixam de servir. Ficam gastas com o tempo, apertam na garganta e não saem mais. Se fossem escritas em papel de carta perfumado, talvez tivessem mais alguns meses de vida.
Indagar é um bom exemplo. Esse verbo vovô ainda é usado por saudosistas. Quantos enamorados devem ter indagado se o amor era correspondido? Quantas indagações devem ter sido feitas entre pais e filhos no passado? Hoje em dia se pergunta, se questiona, se deixa sem resposta mesmo.
Acredita que vi uma pessoa jovem usar o verbo Almejar esses dias no Facebook? Aquilo destoou. Seria um movimento retrô para resgatar consoantes e vogais enferrujadas? Aposto que o próprio Almejar preferia ter sido feito por uma caneta-tinteiro, não por um teclado impessoal. Daqui a pouco mandam um SMS com ALMJ e acabam com ele.
Dedico esse post às palavras que envelheceram dignamente, aquelas que não se sentem mais confortáveis no século XXI e não esperavam viver tanto. Para elas, imagino um simpático asilo ortográfico, sempre com as frases abertas para recebê-las. Onde o Ponto e Vírgula joga baralho com a Trema e ninguém arma uma Urucubaca. Aliás, nesse lugar estariam também gírias ultrapassadas como Urucubaca e Balacobaco. Todavia estaria sentado na cabeceira da mesa, ao lado do Vêzes, esperando o jantar.
Não ria porque um dia (não demora muito), Postar, Deletar e Teclar também ficarão com teia de aranha. Sorte tem os números de não aparentar sua idade.

19 de set de 2010

Inspiração urbana





Ilustrações: Sandrine Estrade Boulet, TrendLand.

Já fui estilista das boas

Bonecas de papel eram a minha brincadeira preferida quando criança. Eu desenhava roupas lindas, pintava, recortava, fazia desfiles na mesa da sala. Ficava horas entretida. Entenda, sou da fase pré-Barbie. Eu tinha uma Suzi que dobrava as pernas e várias genéricas. Dessas, não lembro muito. Mas das bonecas de papel, sim! Achava o máximo criar novos guarda-roupas, assim elas não precisavam repetir os mesmos looks que vinham junto na revista. Queria lembrar com mais detalhes, se eu dava nomes para elas, quanto tempo durou essa fase. Tenho a impressão que as guardava todas juntas em uma pasta plástica. Mais ou menos como as aspirantes a top model vivem hoje, todas enfiadas em um apartamento apertado em São Paulo, uma vomitando o iogurte da outra. As minhas bonecas desfilavam mas tinham as bochechas coradas de saúde. Eu sempre gostei de carregar na canetinha.
Imagem: Krisatomic

Repita comigo

A gente devia repetir essa frase mil vezes ao dia, principalmente na frente do espelho. Eu sou boa, e você sabe disso. Simples e eficiente. Autoestima não é uma coisa complicada, só requer manutenção contínua.
Imagem: Tumblr.com

18 de set de 2010

Vale tudo pra sair da rotina

Eu acho um perigo recomendar filme porque cria expectativa. Mas como chorei de rir em algumas partes, fica a dica. Com dois comediantes em cena é meio caminho andado. O Steve Carell fez O Virgem de 40 Anos. A Tina Fey era do Saturday Night Live, aquele besteirol americano.
Uma Noite Fora De Série é levinho e divertido para abrir os trabalhos do feriadão (aqui no Rio Grande do Sul não se trabalha segunda-feira!!). Particularmente, ri muito na cena da placa de bruxismo. Só quem precisa usar essa maldita placa sabe como ela é broxante na cama. É o extremo oposto da cinta-liga. Talvez fosse melhor deixar as mandíbulas cerrarem alucinadas e "ficar com dentes de velhinha", como dizia a minha dentista. Outra cena hilária é a da pole dance - aquela dança do poste que ficou famosa numa novela da Globo.
Mesmo dando risada, o assunto do filme é comum na vida da maioria dos casais: a rotina. Às vezes, tem que sair da casinha e fazer umas loucuras mesmo.

17 de set de 2010

E você?

Hoje passei por 2 mulheres que conversavam e ouvi uma falar pra outra: "Eu vivo sem terapia, mas sem empregada não".
Fiquei pensando nas minhas escolhas, principalmente na diferença entre vontades e necessidades. Entre duas coisas boas, o que você escolheria se tivesse que abrir mão de algo?

Eu vivo sem restaurante, mas sem padaria não.
Eu vivo sem pente, mas sem pinça não.
Eu vivo sem azeite de oliva, mas sem guardanapo não.
Eu vivo sem ar condicionado, mas sem ventilador de teto não.
Eu vivo sem sorvete, mas sem chocolate não.
Eu vivo sem viajar, mas sem por-do-sol não.
Eu vivo sem cinema, mas sem internet não.
Eu vivo sem comprar roupa, mas sem comprar revista não.
Eu vivo sem peixe e galinha, mas sem carne vermelha não.
Eu vivo sem cafezinho, mas sem café com leite não.
Eu vivo sem fazer o pé, mas sem fazer a mão não.
Eu vivo sem Facebook, mas sem Twitter não.
Eu vivo sem blush, mas sem rímel não.
Eu vivo sem lavalouça, mas sem lavaroupa não.
Eu vivo sem salto, mas sem sapatilha não.
Eu vivo sem hidratante, mas sem protetor solar não.
Eu vivo sem travesseiro, mas sem lençol não.

E você?

O que eu não vivo - de jeito nenhum - é sem o Ricardo, o Rafa e o Fabio.

Ops, parece que vai mudar

Tá na capa da Bazaar espanhola de outubro. Crespas, uni-vos!!!!!!!

Foto: juliapetit.com

Cabelo liso: paixão nacional?

Não é uma boa ideia pegar a Boa Forma pra ler. Isso porque a gente fica escaneando aqueles corpos perfeitos demais e se irrita. Ainda bem que abri logo na página que fala sobre uma paixão nacional (?): o cabelo liso. Mais uma vez, não me encaixei no padrão. Além de não ter barriga chapada nem músculos definidos, eu sou crespa. E AMO meu cabelo, mesmo não tendo o controle total da situação.
Essa paixão nacional (ou tirania do liso) acaba deixando todas as mulheres com a mesma cara. Escorridas, milimetricamente penteadas e escravas do secador. Cabelo liso é comportado. Os crespos, ondulados e cacheados são imprevisíveis e revoltadinhos. É você que precisa se curvar a eles. E ser compreensiva.
Não lembro a última vez que sequei os cabelos. Mesmo no inverno, arrisco uma pneumonia dupla ao sair de casa de manhã. Posso acordar atrasadíssima que preciso do chuveiro para coordenar a cabeleira. O processo autosecante é sempre uma incógnita. Mas nada que um creminho não resolva. Fazer escova no salão é outra raridade. Levanta da cadeira uma Magali estranha, tipo assim a irmã gêmea com outra personalidade. Parafraseando aquela frase anarquista, Se hay chapita, soy contra.

Imagem: ycn.com

15 de set de 2010

Pra pensar

Essa semana meu primo Marcelo nasceu de novo. Ele sofreu um acidente gravíssimo na estrada, indo para São Paulo. Capotou e teve muitos ferimentos, tanto que foi levado de helicóptero para o hospital. Por um milagre, agora está em casa com sua mulher e filho. Vai levar um tempo até que ele recupere a calma que sempre teve. Tudo vai normalizar, apesar das dores e do trauma. Existe explicação para essas coisas que a gente tem que passar? Com certeza absoluta, não era a hora dele. Já o colega que dirigia o carro não teve a mesma sorte. O mais impressionante foi saber que há 3 meses ele tinha perdido a esposa. Só pode ter alguma relação com essa partida tão abrupta. A gente ouve histórias de casais velhinhos que não aguentam ficar só quando um dos dois morre. Chega a ser romântico. Mas eu nunca tinha ouvido falar de uma coincidência dessas com um casal novo. Coincidência, nada. Isso tem explicação. Não sei se eles deixaram filhos. Espero que o reencontro justifique tudo.

Ele ficaria envergonhado

Ontem meteram a faca num amigo meu, lá no Acampamento Farroupilha. Pra quem não é gaudério, eu explico: estamos na Semana Farroupilha e a nata dos CTGs se encontra em um acampamento montado no meio de Porto Alegre, para manter vivas as tradições.
Foi (quase) no 20 de setembro que o Guile Grossi tomou uma facada ao pagar a costela gorda que tanto queria comer. Em vez do kit peão com carreteiro e outras delícias, veio uma costelinhazinha minga e dez quilos de batata frita!!! Sessenta contos por um pseudo gosto de campo! Indigesta também foi a disputa em que ele se meteu. Na hora de achar um lugar pra sentar, o Guile foi laçado de todos os lados, sem sossego. Imagino a cena, um rodeio de flanelinhas de mesas. É por isso que eu digo. A gente que foi criado em apartamento não interage bem com a gauchada. Ainda mais quando o comércio impera.

Anjo, eu??

A coisa tá difícil, nem rezar em paz a gente consegue. Não sou de frequentar igreja, mas tem dias em que sinto muita necessidade de ir lá, acender uma vela pra Santo Antônio e matar a saudade. Gosto de ficar quieta e ter uma conversa só com a voz do pensamento, como dizia o Rafa pequeninho. Saio tranquila e renovada.
Hoje cedo foi um desses dias, mas o momento introspectivo parecia uma reunião cheia de interrupções. Primeiro me pediram emprego e também umas calças "dessas fuseau, bem quentinhas pro inverno". Depois, ainda com o fósforo aceso na mão, fui chamada de "anjo que apareceu na minha frente".
Meu amigo, eu não sou anjo. Sou bem humana. Tenho manias, angústias, falhas, ansiedades, inseguranças e medos - principalmente de ser assaltada por um homem, sozinha no cubículo das velas que fica do lado de fora da igreja. O que me assustou não foi saber que ele tem HIV, está muito mal e quer ajuda. Não foram suas mãos escondidas nos bolsos do sobretudo de lã. Foi a frase "eu não vou fazer bobagem". O fósforo aceso tremeu no ar, mas eu não ia sair sem a visita completa. Acendi a vela com dificuldade, aproveitei a desculpa de devolver a caixa e pedi que ele esperasse. Voltei para a igreja, de onde escapei pelo outro lado e sumi no carro.
Viu como eu sou humana? Anjos não mentem. Eu gostaria de ajudar, se não fosse o medo.

Imagem: FFFFound

13 de set de 2010

Santa chuva

Chove horrores enquanto faço esse post, por isso chegou a hora de contar uma grande novidade: meu novo livro já tem data de lançamento! E está pertinho!!!
Mais uma vez, espero que a chuva me traga sorte. Acabei de mandar para a editora a versão final do texto. Acredito nesse simbolismo. Chovia muito quando casei. Não sei se naquele dia a minha mãe falou que chuva significa sorte só para me tranquilizar ou se é verdade mesmo. Tanto faz. Desde então, dei outro significado para a tormenta despejada do céu em datas especiais.
O livro vai se chamar O Diário De Uma Demitida - quem acompanha o blog há tempos lembra bem. Escrevi esse diário on-line depois de tomar um homérico chute no glúteo em 2008. Muita água caiu de lá pra cá. E eu estou aqui, limpinha. Depois de dois finais de ano extremamente difíceis, esse vai ser memorável pra mim.
São Pedro, manda água à vontade!

Foto: FFFFound

Descubra Fernanda Torres em Ariel



Você já viu essa novelinha? Ela veicula no Facebook e tem todos os vídeos no You Tube. O texto é daquele casal que escrevia Os Normais, a irritante (mas ótima) Fernanda Young e o Alexandre Machado. É muito engraçado, gente. Só a Fernanda Torres pra segurar tanto trocadilho. Esse da Amizade Colorida é meu preferido até agora.

12 de set de 2010

Aula de História




Passei o final de semana vendo como se faz a História de um colégio. Fomos para a Vila Oliva, a casa da juventude do Anchieta, que fica na serra gaúcha. O Ricardo estudou no Anchieta, agora o Rafa e o Fabio seguem os mesmos passos. Os anchietanos têm um apego fora do comum por seu colégio. É quase uma seita. Acho bonito isso. As lembranças formam uma pessoa muito mais que o boletim.
E foi na Vila Oliva onde finalmente me senti inserida no contexto. Assinei meu nome no famoso livro de presenças. Meus bisnetos, se estudarem lá, um dia poderão achar o nome da bisavó de penetra na festa. Tem uma estante cheia desses livros e álbuns de alunos. Nessa biblioteca muito particular, eles mergulham no passado e ficam horas relembrando suas épocas. O fofo do Padre Janjão ainda é o responsável pelo abastecimento de assinaturas. O Ricardo se achou numa lista de 1980, o Rafa estava nas fotos de 2008, pessoas queridas se emocionaram localizando os nomes de pais e avôs que também deixaram seus registros em 1953.
A casa laranja hoje está desativada e serve como uma espécie de museu vivo, além de local para caçar o Maba - uma das lendas que permanecem intactas - em dias de chuva. Uma nova casa foi construída há 2 anos e mais parece um hotel. Ou quartel, como diz o Carvalho e seu apito. Vacas, ovelhas e outros animais ficam soltos, que nem as crianças. Agora tem até piscina térmica. E seguem os quartos coletivos com 30 camas enfileiradas, em andares separados para homens e mulheres. Uma experiência divertida (apesar dos roncos). A famosa música da vaca Marcelita ainda toca nas caixas de som para nos despertar. Nas mesas, tem fartura de conversa e de comida - com salada direto da horta. Mas foi na missa noturna da antiga capelinha de madeira que caiu a ficha: esse colégio tem mesmo uma aura especial. Eu queria ter estudado lá.

9 de set de 2010

Atendendo a pedidos, os solteiros de Nova

Daniel Bartelle
Rico Villar
Rafael Veiga

Fotos: Raul Krebs e Caio Mello

8 de set de 2010

Eu (e eles) na Nova de setembro

Em Roma, faça como os romanos. Na Nova, pense como elas. Entrevistar três gostosos, lindos, sarados e bem-sucedidos para a matéria sobre os solteiros mais cobiçados do Brasil? É pra já! Acionei minha rede de relacionamentos e descobri vários. Mais uma vez, obrigada a Miltinho Talaveira, Pati Leivas, Gui Rex e Natália Aranovich pela curadoria. E um superbeijo para o Raul Krebs, que fotografou dois deles para a matéria. Foi meu primeiro trabalho como repórter-entrevistadora-apresentadora. Fiquei superfeliz com a estreia na Nova, mesmo vendo que cortaram metade do que escrevi - isso acontece, o metro quadrado é disputadíssimo.
Então vou publicar aqui os três perfis na íntegra. Depois você espia os bonitões na revista. Para eles, também só tenho a agradecer.


DANIEL BARTELLE

É hora de o Rio Grande do Sul também ser conhecido por ter homens lindos. Está aí o Daniel Bartelle para comprovar minha teoria. Gerente Financeiro com formação em Engenharia Civil, 35 anos e viciado em esportes. Curte automobilismo, faz corrida, musculação e barefoot - um esqui aquático com os pés descalços. Deve ter sido assim que esculpiu o corpão de 1,81 cm. Aliás, para as ex-namoradas, fazer esportes é sua mania mais irritante.
Difícil namorar um cara bonito. Mas se você é alta, morena e tem olhos escuros... sortuda! Você é o seu tipo, contanto que não seja chiclé ou vulgar. Daniel dá uma dica para as leitoras de Nova: “Seja você o tempo todo, não tente aparentar o que não é. A essência é a simplicidade e a honestidade.”
Quando perguntei se relacionamentos sérios dão brotoeja, dão trabalho ou dão prazer, ele ficou com a terceira opção. E confessou que um relacionamento sério o atrai bastante. Se Daniel tem algum fetiche? Fazer amor todos os dias com a pessoa desejada!! Meninas, ele é um homem para casar. Quer ter 2 filhos e ficar ao lado da esposa pelo resto da vida.
Não aconteceu até agora porque Daniel não encontrou essa mulher. Ou, como ele diz, “talvez ela esteja bem próxima e ainda não a percebi”. Sobre as vantagens e desvantagens de estar solteiro, cita a liberdade de ir e vir. E a falta daquele abraço apertado, do cheiro, dos carinhos, de ouvir Eu te Amo, de ser o centro das atenções na vida de alguém. Segundo ele, um dia o homem tem que casar. Antes tarde do que nunca.
-MULHERES GOSTAM DE HOMEM COM PEGADA. A RECÍPROCA É VERDADEIRA?
-COM CERTEZA, PRINCIPALMENTE AQUELAS QUE NÃO APARENTAM E CHEGA NA HORA SE REVELAM. ISSO É UMA DAS COISAS QUE MAIS ME ATRAEM.



RAFAEL VEIGA

Esse gato se chama Rafael Veiga, tem 27 anos e está sozinho porque não encontrou seu ideal de mulher. Anote aí, para ver se você preenche os requisitos: ser muito sincera, inteligente, independente e engraçada - para ele, beleza é um complemento. Ao ser questionado sobre sua preferência por peito, bunda ou perna, ficou com os três. Só não tolera ciúmes doentio.
Dono do próprio negócio (gastronomia e estacionamentos) e de um corpo onde não mudaria nada, Rafael assume ser teimoso e vaidoso. Cuida do cabelo, gosta de se vestir bem, é ligado em moda e ainda terceiriza dicas de estilo para os amigos. A academia serve para treinar e paquerar (como bom empresário, ele otimiza seu tempo).
Rafael é apaixonado por viagens. Há 9 anos viaja todo mês de julho para esquiar na neve. Também adora cair na água para surfar e tem casa em Santa Catarina. Entrega que, sim, acontece overbooking de mulheres, mas são fases. E afirma que nunca passou por uma saia-justa na cama. É um cara romântico à moda antiga. Perguntado sobre a maior surpresa que já fez a uma mulher, respondeu o pacote completo: jantar especial de aniversário com uma viagem-surpresa e inesquecível de presente, com direito a quarto cheio de pétalas de rosas (3... 2... 1... suspire comigo!). E confirmou seu romantismo ao dizer que o lado ruim de estar solteiro é não ter companhia para uma lareira e um vinhozinho.
Rafael é colorado fanático, daqueles que viaja para São Paulo, Buenos Aires ou onde o Internacional jogar. E olha que fofo, ele curte levar namorada para o estádio. Só acha complicado explicar o que é escanteio e impedimento. Aliás, outra coisa “complicada, muito complicada” é se um amigo seu se interessar pela mesma mulher.
-QUEM TRAI MAIS? AS MULHERES OU OS HOMENS?
-AMBOS, A DIFERENÇA É QUE AS MULHERES SÃO MAIS DISCRETAS.


RICO VILLAR

A lista de atributos de Ricardo Villar, 36 anos, é grande. Eu poderia elencar suas qualidades por ordem alfabética para não me perder. Mas prefiro ir direto ao ponto: ele já teve uma namorada por quase 10 anos, o que é um ótimo indício. Está há mais de 1 ano sozinho e acha muito bom se apaixonar. Daqui a 5 anos, Rico se imagina casado e feliz. Então, corra, Lola.
Rico é o caçula de quatro irmãos e se considera superfamília. Além de bem-nascido, bonito, charmoso, viajado, esportista e partidão, ele é um gentleman. Adora a arte da paquera e o clímax da conquista. Quando se envolve, sabe ser romântico. Já enfrentou 9h de estrada lotada em véspera de Ano Novo só para dar um beijo e matar a saudade de uma namorada.
O problema é achar tempo para namorar. Rico tem um escritório de advocacia, é vice-presidente da Câmara de Indústria e Comércio Venezuela-Brasil, tem negócios no mercado imobiliário e de seguros e ainda é um dos sócios do Café de La Musique. E reconhece que essa agenda dinâmica o protege de relacionamentos mais sérios.
Para ele, inteligência é um afrodisíaco, assim como ser segura, ter bom humor e, claro, beleza. Agora uma mulher coloca tudo a perder se for briguenta ou tentar fazê-lo sentir ciúmes. Rico garante que sofre mais por elas do que o contrário. Confessa (rindo muito) que já teve mais namoradas do que carros. E jura que a maioria de suas ex se tornaram amigas.
O maior elogio que Rico já recebeu foi um pedido de casamento – detalhe, os dois namoravam há poucos dias. Perguntei se ele prefere namorada que só come salada ou a que divide uma paella e descobri outro atributo: “muita frescura é ruim, é bom se entregar aos prazeres da gula senão a vida fica chata”. Outra delicinha: ele garante que cancela o futebol com os amigos por causa de uma mulher. “E olha que adoro futebol”.
-E SE ELA LEVAR PARA CAMA ALGUNS BRINQUEDINHOS?
-HEHEHE... ACHO QUE NÃO VAI PRECISAR.

Primavera a caminho

(crônica feita para o site do Bourbon Shopping)

Quando a gente sai da hibernação – período também conhecido como inverno – é difícil se reconhecer. Cadê a agilidade e principalmente a motivação para expor braços e pernas? Leva algum tempo até que o corpo vença a preguiça. O metabolismo está devagar, quase parando. O cérebro nem lembra mais o que é calor, vai ter que se reprogramar em busca da melanina perdida.

Por isso a primavera é tão importante. Ela é um exame preparatório para o verão. É na primavera que cai a ficha. Precisamos desses três meses para enfrentar a estação mais despudorada de todas. Uma semana após a outra, vamos aceitando a ideia de retomar a academia, de fechar a boca e caprichar na hidratação. Calcanhares rachados e barrigas adormecidas são colocados à prova de uma hora para outra. Ou você vai ignorar aquele convite para uma tarde na piscina?

As coleções de primavera funcionam como um passo a passo. Transparências que mostram mas não mostram, tecidos levinhos que revelam os contornos, saias, vestidos, mangas curtas, sandálias, biquínis novos – tudo é motivação e preparação. Depois de tanto céu cinzento, precisamos nos acostumar até com as estampas e cores vivas. Preto, agora só o rímel.

Enquanto os termômetros não sobem definitivamente, ainda dá para se vestir bem e não derreter o make up. Por enquanto, os cabelos compridos não terão que ser presos para que o pescoço respire. Por mais que esquente durante o dia, sempre haverá uma brisa escondidinha em alguma esquina à nossa espera. E no meio da noite, poderemos puxar o edredon para proteger nossos pés e sonhos.

Eu queria que a primavera durasse o ano inteiro, de tanto que gosto do seu clima civilizado. Só ela consegue dividir o calor e o frio em partes iguais, agradando a todos. E nas mudanças de estação, a gente sempre tem a desculpa perfeita para mudar também de humor, deixando para trás tudo aquilo que pesa e nos escurece por dentro.

Imagem: FFFFound

6 de set de 2010

A melhor orientação de lavagem do mundo

"Ou dê para a sua mãe. Ela sabe como fazer isso."

Quem achou essa pérola foi meu amigo Gui Rex. Saudade do tempo em que a gente não precisava se preocupar com essas coisas mundanas como lavar roupa.

Como assim ficar feia?

Entendo que os mineiros chilenos estão socados 700m abaixo da terra e que vão demorar meses para sair de lá. Mas olha o conselho que o psicólogo deu para suas respectivas esposas: fiquem feias para eles. Sacanagem!! Elas já tinham entrado em luto quando descobriram que os 33 estavam vivos. Na sonda de 7cm de espessura não passam beijos e abraços, mas uma webcam foi instalada para que as famílias se vejam e conversem. Aí vem esse psicólogo e recomenda que as chilenas embaranguem para seus homens. Sim, está nos jornais. Um conselho masculino, só podia.
E a alegria do batonzinho? E a maquiagem necessária para disfarçar a dor, o medo e a apreensão? E a vontade de colocar um vestidinho bonito, pra mostrar que a vida os espera do lado de fora? Elas deveriam é mandar um frasco do seu perfume preferido para os maridos, pena que não passa pela sonda.
Discordo totalmente do psicólogo chileno. Os mineiros precisam de ânimo. E mulheres bonitas, sim, contando os dias para o tão esperado reencontro.

3 de set de 2010

Sessão da Tarde feelings





Mais gostinho dos anos 80: Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, Curtindo a Vida Adoidado, De Volta Para o Futuro, Quero Ser Grande e Feitiço de Áquila. Fui uma adolescente feliz!

Sabambaia feelings

Sou do tempo em que samambaia era só aquela planta que caía do vaso e enfeitava a maioria das salas nos anos 80. E esse post fala justamente sobre samambaias e tempo.
Liguei cedinho pra minha mãe e ela fez um comentário que só pode sair da boca de alguém que já contou as contrações: "Hoje faz 23 anos que teu irmão foi morar nos Estados Unidos."
Datas são importantes para as mulheres, principalmente aquelas que envolvem sentimentos. Por associação de fatos, achei outra data importante para comemorar. Nos póximos dias, vou completar 23 anos de serviços prestados à publicidade. Lembro como se fosse hoje. Num dos primeiros telefonemas do Leandro depois que ele foi embora, contei (toda feliz) que tinha começado um estágio.
Duas coisas ficaram marcadas forever: o orgulho que senti do lado de lá do telefone e a samambaia pendurada na sala. Devo ter encarado a dita cuja enquanto a gente conversava. 23 anos depois, estamos todos bem. Já a samambaia foi desmoralizada por uma peladona de quinta categoria.