28 de jun de 2011

Uma matéria que não saiu :((

Homem: um must-have


Imaginar a vida das mulheres sem os homens? Achei que seria tarefa fácil. Nós vivemos reclamando deles e vice-versa. Pensei que encheria páginas e páginas com picuinhas comportamentais. Enxerguei uma longa e cor de rosa lista sobre a felicidade de habitar um mundo povoado por sutiãs, esmaltes, blushs e liquidações.
Mas foi só abrir a porta de casa e me deparar com o primeiro tênis jogado no chão, para cair na real e perceber o quanto sou dependente da testosterona. E o quanto sou feliz cercada de homens – tenho dois garotos maravilhosos, um marido incrível, um pai pra lá de especial, um tio-guru, um cunhado-paizão, muitos amigos homens (alguns deles, mega blaster power friends), além de ter no currículo dois irmãos que proporcionaram uma infância cheia de socos e me prepararam para a guerra. Definitivamente, não posso ser feliz longe das cuecas.
Acredito que o universo feminino é tão amplo, subjetivo e rico de sutilezas justamente por causa da simplicidade do raciocínio masculino. Para eles é sim ou não, é agora ou nunca, é toma lá, dá cá, é preto no branco. Para a gente é talvez, quem sabe, porém, apenas, entretanto. Homens são ponto final, mulheres são eternas vírgulas. Vamos acumulando sentimentos e pensamentos de forma ininterrupta. Interpretamos tudo e todos, supervalorizamos os detalhes – às vezes é cansativo ser mulher.
A objetividade dos homens é o contraponto perfeito para os nossos dramas. Antes que você me chame de exagerada, pense em como um cabelo com frizz ou uma unha lascada podem acabar com nosso humor – para um homem, esse tipo de problema provoca no máximo uma sobrancelha erguida. E ai da nossa sobrancelha se não estiver impecável. Mulheres se cobram demais, se questionam, remoem diálogos. Homens se economizam. Por isso, nós precisamos deles. É uma questão de equilíbrio.
Lembra do filme "Ele não está tão a fim de você?" Se não assistiu, pegue na locadora. Ou então leia o livro de mesmo nome. A simplicidade dessa frase ilustra bem a clareza masculina no que diz respeito aos relacionamentos. Tanto que o garoto que fala isso acaba virando consultor sentimental da protagonista – ou tradutor simultâneo. Tenho um amigo que diz a mesma coisa, com poder maior de síntese: “Vocês complicam muito.”
É verdade, infelizmente. Além de ser uma legítima representante da ala feminina e confiar 99,9% na minha intuição, sou libriana. Posso ficar uma vida inteira pesando os prós e contras, sem chegar a nenhuma conclusão. Entendeu a importância da ala masculina no meu dia a dia? Sem contar que adoro criar personagens e ver histórias onde geralmente só existe um parágrafo. E não devo ser a única. Os homens, não. Abusam do lado esquerdo do cérebro. São pragmáticos. Merecem escolher o lado na cama. E como dormir de conchinha sem eles?
Em hipótese alguma eu gostaria de ter nascido homem, nem para fazer xixi em pé numa rodoviária imunda. Também em hipótese alguma consigo me imaginar satisfeita vivendo em um mundo estritamente feminino. Deve faltar assunto rápido. Sem homens, vamos falar sobre o quê? Nos nossos happy hours, eles são o fio condutor da conversa. Homens devem ser os responsáveis pelo maior número de ligações telefônicas entre o sexo oposto. Eles são nossa pauta preferida, cheios de defeitos e contradições pra gente destrinchar. As revistas femininas teriam o mesmo problema. Muitos anúncios seriam publicados tentando preencher o vazio, nos oferecendo outros prazeres.
Se baixasse em mim o espírito de um sábio cacique, eu diria que os homens estão para as mulheres assim como a gasolina para o carro. Fazendo uma metáfora um pouco mais feminina, eles são como o primer na maquiagem – preparam o terreno para valorizar nossos pontos fortes.
Dizer que precisamos de homens apenas para abrir pote de vidro e pendurar quadros é tão démodé. Esses clichês não fazem mais sentido. A humanidade percorreu uma longa estrada, os homens inclusive. Mesmo nunca pedindo informação no meio do caminho.
Voltando ao cenário fictício (e assustador) de um mundo povoado apenas por mulheres, fecho os olhos e enxergo tédio. Um faroeste sem duelo. Um copo sem gelo. Sem falar que a gente levaria anos até ouvir um elogio (sei que elogio vindo de mulher vale mais, mas é difícil).
Num mundo sem homens, considerando que alguma criança pudesse ser concebida, iríamos criá-la somente com a ajuda das vós, tias, dindas e vizinhas. Seria um estresse, possivelmente. A presença masculina acalma muito mais a mãe do que o bebê. E imagine privar o anjinho da emoção de voar para o alto e imediatamente ser resgatado por duas mãos fortes e peludas? Pai é montanha russa, mãe é roda gigante girando devagar para não machucar ninguém.
Concordo que teríamos menos futebol em nossas vidas. Mas isso vem incluído no pacote, prefiro baixar o volume da TV. Agora realmente não sei como ficariam as novelas e comédias românticas sem galãs. Para olhar as roupas das atrizes, já inventaram os desfiles. Como assistir aos Simpsons sem Bart e Homer? E a TV a cabo sem Dr. House, Two And a Half Man e Big Bang Theory?
Lembrando de ambientes geneticamente masculinos, o que seriam das borracharias e ferragens? Quantos vasinhos de plantas teríamos que colocar em cima do balcão para dar um ar mais feminino? E as empresas de mudança, que literalmente carregam um piano nas costas? Alguma mulher inteligente inventaria robôs para fazer o serviço pesado, aposto.
Na medicina, Urologia e Obstetrícia perderiam a razão de ser. Bancos de sêmen e clínicas de fertilização fechariam suas portas. Já outras especialidades como Dermatologia e Cirurgia Plástica precisariam de reforços para dar conta da demanda. Será que Freud explicaria nossa vida sem os homens? Terapeutas e psicólogas teriam que trabalhar até nos finais de semana para nos ajudar a encontrar um novo interesse. Eu acredito que seja parecido com a sensação de ter um membro amputado – a gente continua sentindo a presença deles mesmo assim.
Já o trânsito ficaria mais educado sem homens. A criminalidade cairia, pois mulheres teriam menos motivos para matar por amor. O estupro acabaria e os crimes hediondos diminuiriam sensivelmente. No mundo corporativo, seríamos mais produtivas sendo comandadas por mulheres? Até pode ser, mas o coffee break perderia a graça. A boa notícia é que, sem ternos e gravatas no ambiente, o taiuller de firma poderia enfim ser erradicado.

Feministas de plantão, calma lá. A gente iria se virar sem os homens, mulheres sempre conseguem tudo. E ninguém aqui vai reclamar de carregar sacolas pesadas no supermercado, já que nossos bíceps nunca foram tão sarados. O questionamento que faço é o seguinte: valeria a pena excluí-los por completo das nossas vidas? Duvido.
Tem horas (ou semanas inteiras) em que os homens são brutos, insensíveis, irritantes, insuportáveis. Mas prefiro administrar esses momentos a abrir mão da convivência com eles. Já imaginou só receber flores da mãe e das amigas? Fazer sexo só com a ajuda de pilhas? Não ter alguém que te chame de gostooooosa quando você mais precisa? Uma barba roçando no rosto tem o seu valor. E a pegada dos homens - daria para reproduzir em laboratório, embalar e vender?
Imaginar todo esse cenário é um bom exercício de criatividade. Mas, para mim, é o tipo de ideia que é melhor não sair da gaveta. Depois dessa reflexão, fica a dica pra gente se estressar menos e curtir mais. Não custa nada reconhecer o bem que os homens fazem. Até porque a recíproca é verdadeira.


Foto: FFFFound

Emoticons em nova versão



Esse filme foi Prata no Festival de Cannes. Eu daria Ouro pela simplicidade.

24 de jun de 2011

Não repara a bagunça

Descobri que o cimento tem o estranho poder de encolher as paredes.
Essa sou eu, bem hermosa, esperando as visitas!
A inspiração é espanhola. Vai baixar o Almodóvar na decoração.

O pessoal estava trabalhando em pleno feriado. Ou era uma figuração contratada?
O Ricardo modelando na nossa rua. Fecha os olhos e mentaliza os jardinzinhos, vai.
Meu filho, um dia isso tudo será seu. Tomara que esse dia seja ainda em 2011.
Aqui vai ser a área social. Será que vou usar a academia? Em dia nublado, talvez.
Os peixes já estão morando no lago. Sortudos!
Aqui vai ser a piscina. Adiós, mar chocolatão. E viva o cheiro de cloro na pele!


Ontem aproveitamos o feriado pra dar um pulinho na obra do Casa Hermosa em Xangrilá. Podia estar bem mais adiantado, só por um milagre divino a entrega vai acontecer dentro do previsto. As quadras que estão sendo feitas são as do lado direito da planta, atrás do lago (a nossa é a 8, bem no meio da muvuca).
Entrar pela primeira vez na minha casa (217) foi uma emoção e também um choque: parece muito menor que a decorada. Já o patiozinho pareceu maior. Quem não curtiu foi o Fabio, que ficou dentro do carro, gentilmente barrado por questões de segurança.
Depois fomos visitar o Pacific, só pra sentir o clima. E está tão lindo! Faltou o meu amigo Claudio Franco pra mostrar sua maison. O clube é po-de-ro-so, tem um pé direito bem alto que dá todo o charme. Mais cineminha e piscina térmica, que não vai rolar no Casa Hermosa. Claudico, me convida que eu levo a pipoca!
Em compensação, vai ter o fundamental para Los Morales: quadras e mais quadras esportivas, onde o Rafa e o Fabio vão triplicar o número de amigos. As casas são pequenas, mas a ideia é justamente aproveitar toda a infraestrutura e manter distância do sofá.

22 de jun de 2011

Daltonismo automobilístico

Você não vai achar tão engraçado lendo aqui, devia estar junto pra ouvir a gargalhada que dei. Pela segunda vez consecutiva, o homem da garagem onde estaciono trouxe o carro errado pra mim. Ontem ele se justificou dizendo "ah, é tudo francês". Confundiu um Peugeotzinho prata com um Picasso vermelho. Isso que antes eu tinha feito o retrato falado com modelo, placa e cor.

Hoje a cena se repetiu. Dei as coordenadas e o que aparece na minha frente? Um novo Uno preto. Pedi pra ele trazer da próxima vez um Mercedes e jurei que vou levar o carro, o seguro da garagem que resolva a questão. Acho que esse homem está querendo me dizer alguma coisa. Vai ver ele tem um parente que trabalha numa revenda de semi-novos e quer ganhar comissão às minhas custas.

Old style


Estou numa fase vintage, me dei conta disso quando surrupiei da casa da minha mãe antigos livros de receita pra decorar a cozinha (o que, achou que era pra cozinhar?).
Folheando as páginas amareladas, voltou a rinite mas também a saudade. Encontrei duas relíquias: uma receita escrita à mão pela minha vó e outra receita ainda mais antiga, de uma tia que marcou a minha infância. Só não chorei porque estava espirrando feito louca.
A gente não pode voltar fisicamente ao passado, porém consegue resgatar parte dele e colocá-lo em um lugarzinho de honra. Já que agora existe genérico de madeira de demolição, fica difícil confiar na autenticidade das coisas. Ter em casa objetos que contam nossa história é um luxo. A memória afetiva rende ideias geniais de decoração, basta olhar com carinho para a linha do tempo. Da casa da praia que nem existe mais, resgatei um Cristo lindo que meu avô marceneiro entalhou na madeira (talvez muito antes de eu nascer). Precisei criar rugas para dar o devido valor a essa peça.
Hoje, seguindo uma dica das Duas Designers, descobri o I love old NY, que caiu feito uma luva de brechó. Eles registram o antigo que ainda teima em sobreviver. Eu me apaixonei pelas fotos da Itália, especialmente de Florença. Esse momento retrô comprova que já não acho tão ruim envelhecer. Desde que seja de uma forma digna, tanto para os móveis quanto para as pessoas.

21 de jun de 2011

O sexo deve muito ao desodorante e o sabonete

Esse livro vai ser minha próxima aquisição. Li uma entrevista com a Mary Del Priore na Folha e achei o assunto bem interessante. Ela é historiadora e faz uma linha do tempo sobre a evolução do sexo desde o período colonial brasileiro. E pensar que os seios já foram apenas "aparelhos de lactação".

O catador de sonhos


Um homem juntou 34 mil moedas durante 7 anos pra comprar um Uno. Parece algo inventado, mas é vida real. A Fiat ficou sabendo disso e levou a história pra TV.

Inspiração





Quando eu fico sem inspiração pra escrever, saio em busca de qualquer coisa que possa desencadear algum estalo no cérebro. Nesse limbo momentaneo, encontrei a ilustradora Mel Kadel e na mesma hora já consegui ouvir um barulhinho bom dentro da cachola. Escolhi esses trabalhos porque me enxerguei em cada desenho, atrás da maldita e tão necessária inspiração.

15 de jun de 2011

Cadê o glamour?

Os sinais fechados estão ficando perigosos, a gente vê o que não quer. Lá estava eu esperando o verdinho acender quando o homem no carro na minha diagonal (ou seja, visão de camarote) abriu a porta e a boca, posicionando seu pescoço para baixo. Momento de tensão, eu recém tinha almoçado, imaginei o pior.
Como se estivesse no banheiro da sua casa, o cidadão soltou uma golfada poderosa de um líquido azul no asfalto. Acredite se quiser, era enxaguatório bucal!! Educadíssimo, ele provavelmente não teria tempo de escovar os dentes e resolveu o problema do seu jeito.
O que eu fiz? Acelerei como se viesse uma ambulância enlouquecida atrás de mim.

Foto: It Isnt't Happiness

13 de jun de 2011

Tão verdadeiro



Depois de ver esse vídeo, rápido pra frente do espelho ver como você é bonita e não sabe! Ou não quer enxergar isso.

Ménage à trois

Imagine a cena: um jantar romântico com você e seu amor, luz de velas, rosas vermelhas, menu especial, vinho e... o Rodrigo Santoro sentado na mesa ao lado!!
Agora imagine que esse jantar era em comemoração ao Dia dos Namorados num hotel chique da cidade. Como olhar nos olhos do seu amor com um gato daqueles pra espiar?
Isso aconteceu, juro. E eu estava no cinema exatamente nessa hora. Pulei o jantar e perdi a chance de observar se o Rodrigo Santoro come o pãozinho do couvert. Foi melhor assim.
O galã deve ter pulado de cama em cama, contracenado em inúmeras fantasias femininas. Teve uma mulher que levantou da mesa e quis tirar foto com o bonitão, que gentilmente negou (ele estava jantando, ela deveria fazer o mesmo). Eu pagava pra ver o climão que ficou entre a querida e seu acompanhante.
Só fiquei sabendo desse momento Caras no café da manhã, ao encontrar um casal amigo. Aliás, seria bem mais inofensivo tropeçar no Rodrigo Santoro com cara de sono e bafo de onça. Num ato simbólico de respeito aos homens presentes, ele deve ter pedido café no quarto.

10 de jun de 2011

O livro do ano

Ainda estou digerindo as últimas páginas desse livro maravilhoso e já estou com saudade de Emma e Dexter. Não é qualquer livro que me arrebata dessa forma, que me faz ler mais de 400 páginas em duas semanas. David Nicholls é roteirista e desenha as cenas na nossa frente. Tem um humor inteligente e manda muito bem nos diálogos. Tantas frases que eu queria ter escrito (não seria pretenciosa a ponto de achar que eu conseguiria escrever o livro inteiro).

Cada capítulo é o dia 15 de julho de um ano diferente, desde a data em que eles se conheceram. A gente acompanha 20 anos dessa amizade que é um grande amor, mas os dois dão muitas cabeçadas até perceberem isso. A história já virou filme e estreia mês que vem nos Estados Unidos. Eu não aguentei de curiosidade e assisti ao trailer várias vezes. Tem jeito de ser superbom, até porque o próprio autor roterizou o filme. Mesmo assim, leia primeiro o livro porque a versão filmada dificilmente consegue superar a escrita.

O que vou ler agora? Gibi, bula de remédio, horóscopo, classificados ou qualquer coisa sem graça para que meu cérebro nem ouse comparar com esse livro - não seria justo.
O inusitado é que "Um dia" me fez reencontrar Giuliano (o irmão da Fernanda Reali) e nós praticamente lemos o livro juntos. Acho que a gente não se falava há mais de vinte anos. Ele viu a foto da capa que postei no Facebook e também comprou. Leu ainda mais rápido, o danado. A partir daí, seguimos comentando a leitura e nos emocionando da mesma maneira. Definitivamente, esse livro só me deu alegrias. Recomendo muito.

Atingiu o objetivo

Demonstrar os sentimentos não é fácil para um homem. Ainda mais quando ele tem 11 anos e toda a turma está olhando. Mesmo assim, hoje o Fabio comprou uma rosa e mandou entregar para a menina que ele gosta. Era uma comemoração do Dia dos Namorados no colégio. Um pouco de romantismo não faz mal a ninguém.

8 de jun de 2011

A Lista de Ramais Atualizada

A não ser que você trabalhe sozinho em seu home-office, vai precisar dela. A lista de ramais atualizada é o coração da empresa, uma entidade respeitada como a máquina de café, um ícone corporativo que deveria receber salário se trabalhasse direito.
Todo escritório tem como meta manter sua lista de ramais atualizada, o que é impossível. Isso porque essa lista está sempre desatualizada, sofre de envelhecimento precoce. De todos os colaboradores, é a que menos colabora. Nos ilude com nomes e ramais que não existem mais, nos faz acreditar que duas pessoas ainda dividem um mesmo ramal quando o relacionamento já datou.
Você até consegue achar um chefe querido, mas não consegue achar uma lista de ramais realmente atualizada. Sua maior utilidade é nostálgica: corremos o dedo por suas linhas e voltamos no tempo (mesmo que seja mês passado) relembrando quem não está mais entre nós. Os rostos e vozes podem se apagar na nossa memória, mas permanece o registro histórico das listas de ramais.
Por mais que numa empresa todo mundo se fale via intranet, redes sociais ou até mesmo converse pelo GTalk com o colega que senta ao lado, alguém um dia vai precisar do telefone. E aí, virá a pergunta clássica: “Quem tem a lista de ramais atualizada?” Silêncio. Resignação. O jeito é ligar pra telefonista e pedir ajuda.
Muda a marca do café, mudam as cadeiras da sala de reuniões, muda o andar, porém nada muda tanto quanto a lista de ramais atualizada. Só o seu nome permanece inalterado.

Imagem: FFFFound

Eduardos e Mônicas



Achei genial a campanha de Namorados da Vivo, que estreia hoje na internet e no cinema. Em homenagem aos 25 anos da música "Eduardo e Mônica" do Legião Urbana, eles fizeram um comercial-clipe que dá uma boa atualizada na historinha. Dica do site Brainstorm9, do Carlos Merigo.

6 de jun de 2011

Implante de progesterona em criança?


Mais uma matéria que faz pensar na Folha de hoje. Tem meninas - com o consentimento dos pais - que adiam a primeira menstruação para ficarem mais altas! Dando uma enganadinha no corpo e segurando a menarca, os ossos seguem crescendo. Bacana, né? Eu também adoraria ter 10cm a mais.
Agora colocar implante de hormônio sob a pele de meninas tão novinhas, tendo que trocá-lo a cada seis meses, não é precoce demais? Talvez até existam casos onde isso realmente seja necessário. O que me deixa preocupada é um comportamento isolado ganhar força, virar modinha e invadir os consultórios médicos. Tem mãe brincando com a saúde da filha ou é impressão minha?

Imagem: FFFFound

3 de jun de 2011

Alô? Multa numa hora dessas?

Segundo os multadores profissionais de Porto Alegre (ou EPTC), no dia 10 de maio às 19:40 eu estava dirigindo e falando no celular na Avenida Goethe. Portanto, fui multada em 80 e poucos reais.

A invenção que revolucionou nossa vida realmente atrapalha o motorista. Já fui multada por esse mesmo motivo e paguei bem quietinha. Acontece que dessa vez eu não estava dirigindo, mas totalmente estacionada no meio de um engarrafamento. Tenho certeza disso por causa do horário e do local. É minha rotina ao sair do trabalho. Mudo o caminho e não adianta. É muito carro e pouca rua. Ou talvez adiantasse se houvesse mais inteligência na organização do trânsito. E é aí que eu quero chegar. Os multadores têm uma parcela de culpa nos engarrafamentos, deviam ser mais tolerantes com quem está preso nele e não tem pra onde fugir.

Dona EPTC, não acho justo ser multada justamente nesse momento angustiante. Aposto que eu estava ligando pra minha mãe ou pra casa, na ânsia de ouvir uma voz que me confortasse. Não tem música que funcione tanto quanto um alô da família. A gente se sente numa prisão dentro do carro, precisa ajudar o tempo a passar senão fica estressada.
Vamos combinar uma coisa? Vocês dão um jeito no trânsito e eu telefono assim que parar na garagem.




Imagem: FFFFound

Todo mundo é mendigo

Descobri de onde saiu a ideia de colocar carrinho de supermercado nos condomínios residenciais. Qualquer prédio hoje em dia, desde que tenha um elevador, pode oferecer essa maravilha da praticidade urbana. O carrinho nos socorre de ver as alças das sacolas cortando a circulação e gangrenando as mãos. Não pense que a inspiração veio dos estacionamentos de supermercado. Algum síndico olhou pra um mendigo de rua e pensou... “gênio!! Esse aí sabe das coisas”. Um mendigo equipado, que carrega a casa nas costas, é a prova de que basta um carrinho pra ser feliz.
O fenômeno é mais evidente em época de verão. No trajeto cidade-praia-cidade, o que dá de gente chique bancando a homeless! Do carrão na garagem para o carrinho, com direito a circular com a tralha livremente. É ventilador, raquete, bomba de bicicleta, torradeira velha, cadeira de praia, mala destruída, cobertor, sacolinha de comida – dá de tudo. Eu mesma faço isso, também tenho meus momentos de mendiga.

Pior é chegar do supermercado e não encontrar nenhum dos carrinhos disponíveis. Sabe-se lá em que andar está abandonada a frota. Espertos são os mendigos de verdade, que “conseguem” um carrinho só pra eles e nunca mais tiram suas coisas de dentro pra garantir a propriedade.

Foto: Flickr

Por que o Jack Johnson não é a Lady Gaga


Pensei nisso vendo o Jack Johnson no palco, aquele jeitão low profile, como se ainda não estivesse acostumado com seu próprio sucesso. A Lady Gaga é tudo que ele não quer ser, e nem precisa. Eles são diferentes da água (límpida e sustentável) para o vinho. É Hawaii X Las Vegas misturado com Los Angeles.
Lady Gaga é performática, divertida, maluca e com certeza dá uma chacoalhada na cena musical. Mas é totalmente pré-fabricada, não consigo imaginar essa mulher sendo natural nem sozinha em casa fazendo xixi (apesar do seu passado mostrar o contrário, nessa foto ela aparecia no núcleo das loosers, com suas colegas asiáticas e latinas). Bota se reinventar nisso, uma guinada de 360 graus no currículo.
Por isso achei tão genial a simplicidade do Jack Johnson. Aposto que ele é exatamente igual antes e depois do show, conversando com os amigos. O cara só queria tocar seu violão e pegar onda. Quem já leu algo sobre sua trajetória sabe que ele fazia vídeos de surf e um dia, em busca de uma trilha sonora para embalar as imagens, resolveu fazer ele mesmo a música. O pessoal curtiu e o resto é história. A gente não vê fotos dele pelado e bêbado em Malibu, ou com uma gostosa peituda no red carpet, ou dando soco em papparazzi. Continuar sendo ele mesmo, isso sim é ser excêntrico.
Lady Gaga é uma loja inteira de fantasias, o figurino é seu melhor refrão. Esses dias vi parte de um show seu na TV, ela canta bem e deve ser uma experiência alucinógena assisti-la ao vivo. O que sei é que o Jack Johnson me emocionou de uma maneira bem mais simples e verdadeira. Tive um prazer enorme ao sentir os pelinhos do braço arrepiarem a cada hit que ele tocava. Ainda bem que estava escuro, não deu pra ver meus olhos aquáticos (uma gentil homenagem ao nome da turnê: To the Sea). Deve ser incrível pra ele também dar um acorde no violão e ver que, naquela cidadezinha perdida nos confins da América do Sul, todo mundo já sabe qual é a próxima música e canta junto.
Os dois são parecidos em uma coisa: cada um acredita na sua causa. Seja o verde do Jack Johnson ou o excesso de cor da Lady Gaga.

2 de jun de 2011

A arte de namorar

(crônica feita para o site do Bourbon Shopping)

Eu assumo: sou namoradeira. Daquelas que não se entregam a uma só paixão.
Posso namorar ao mesmo tempo uma bolsa nova, um filme que ainda não vi, uma cidade que não conheço - e viajar platonicamente, namorando as fotos dos outros.
Tem fases em que me acalmo e namoro um pouquinho. Um perfuminho, um colarzinho. Em compensação, tem horas em que nem me reconheço. Sofro de paixonite aguda por uma coleção inteira. Eu beijaria cada manequim, mesmo na frente das crianças.
Sou namoradeira e muito bem casada. Posso até formar um triângulo amoroso com meu amor e um amor de pousada. Isso sempre dá certo.
E recomendo: namore, namore muito alguma coisa. Um belo dia, ela se tornará sua. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Ou numa livre tradução, a insistência é uma boa tática de conquista.
Namorar é quando o pensamento fica fixo. Tão fixo que não nos deixa arredar o pé da frente de um sapato. Tão fixo que nos faz perder a fome, especialmente se for paixão por um vestido bem justo. A gente só pensa naquilo, quer tomar a iniciativa e consumar o desejo. Parece que nada no mundo é mais importante do que ir aos finalmentes – no caso, levar o objeto de obsessão em 3x no cartão.
Quando estou numa fase caseira, namoro vasos de plantas, xícaras, tapetes e almofadas. Quando descubro um autor desconhecido e fico encantada com suas palavras, quero sair de uma vez com todos os seus livros.
Namorar é um estado de espírito, é se arrumar toda pra encontrar uma vitrine, é pegar na mão de uma luva quentinha, é sonhar com a praia e um belo óculos de sol, é fazer um jantar romântico para os pratos novos, é sentir as pernas bambas ao encontrar uma meia-calça moderninha.
Tenho a impressão de que as mulheres se apaixonam mais fácil. E já querem compromisso sério com uma blusinha que mal acabaram de conhecer. Se a malha for de qualidade, vira um relacionamento duradouro. O que nos diferencia dos homens é que a gente sempre acha tempo pra curtir essas paixões, principalmente porque o shopping fica aberto até tarde.
Mulheres apaixonadas, tomara que o dia 12 de junho renda emoções P, M, G e GG. E que o coração de vocês seja forte e resistente como um bom jeans. Homens, por favor, controlem o ciúme. E cedam mais uma porta do guarda-roupa, se preciso.

1 de jun de 2011

Quero bis

Amanhã o programa em família vai ser outro: o show do Jack Johnson no Gigantinho. Isso não é pouca coisa numa quinta-feira à noite, quando a vida recomeça no outro dia às 6 da manhã - independente do horário em que a trupe for pra cama.

Algumas combinações já estão estabelecidas, como mochilas arrumadas pro colégio e temas feitos porque o Anchieta nem quer saber do Jack Johnson. Provavelmente terei que chamar um guincho pra remover o Fabio das cobertas, o que sempre toma tempo e paciência.

Gosto do Jack Johnson, mas tenho certeza de que a experiência toda vai ser muito mais divertida. Eu me arrependo de não termos ido no show do Paul McCartney ano passado. Não pelo Paul, mas pela lembrança em família. Deixamos passar uma bela oportunidade, tem amigo do Rafa que emoldurou o bilhete.

Em quantos shows eu e o Ricardo ainda poderemos ir junto sem ser mico? Daqui a pouco meus filhos perderão a conta das arquibancadas, cadeiras numeradas e pistas que frequentaram pra curtir suas bandas preferidas. Com os amigos, claro, muitos deles. Tenho medo de ser apenas um número de celular pra ligar quando der problema.

É por isso que eu não sinto saudade nenhuma do tempo em que eles eram pequeninhos. Não com todas as fases que nos aguardam. Curti tudo que eu podia da infância deles, falo com convicção e serenidade. O que já sinto falta é de simplesmente estar nos mesmos lugares, enfiar a dupla dentro do carro e comunicar o destino.

Vou ter que roubar no jogo. Acenar com viagens incríveis, ingressos caros e programas memoráveis (da mesma forma que já estou planejando ser uma sogra interessante e irresistível pra puxar a concorrência pro meu lado). O Rafa falou que quer conhecer a Europa ano que vem. Quem sou eu pra recusar um convite desses?