11 de jan. de 2010

O retorno de Tieta

Essa vida dá uma novela das boas, daquelas escritas pela Janete Clair reencarnada no Gilberto Braga (se você não sabe quem é ela, dê um Google urgente e depois faça a devida reverência).
Como eu ia falando, se é novela, tem um desenrolar previsível mas nem por isso menos curioso. Vamos nascer, crescer, gostar de alguém que não vai gostar da gente, se dar mal, se dar bem, achar que está tudo perdido, conhecer outro alguém e, com sorte, dar uma reviravolta das grandes - não necessariamente nessa ordem. É isso que nos prende na vida, saber que o fim está longe ainda. E mesmo que nos tirem de cena, sempre dá tempo de voltar. Tieta que o diga.
Lembrei dela quando vi essa imagem. E também me enxerguei ali. A gente sai da trama. E retorna num momento mais propício, com a audiência de olho. O mercado publicitário gaúcho está mais para uma novela modorrenta do SBT, mas a metáfora é válida. Tieta sofreu, amargou e se superou. Acredito que agora entrei na fase da superação. Me sinto ensaiando as novas falas, treinando na frente do espelho. Parece que alguns papéis estão predestinados para mim. E isso não é um problema, muito pelo contrário.
Esses dias ouvi a seguinte frase: “Tu não consegue ser má, tu é como a Grazi de vilã, não convence.” Em homenagem ao carisma da Grazi, tomei isso como um elogio. Mas que eu fiquei puta, fiquei. As vilãs fazem reviravoltas como ninguém.

8 de jan. de 2010

Piada interna

A agência Escala é uma página viradíssima na minha vida. Por isso mesmo, foi tão engraçado. Ontem assinei um pedido de produção como fornecedora deles - as voltas que o mundo dá! No finalzinho de 2009, fui convidada pra escrever uma crônica de Ano Novo para a Colombo Premium, aquela chiquezona. Aceitei com prazer, obrigada Martin e Fedrizzi! Eu, que fiz tantas campanhas pra Colombo na minha vida, me vejo agora com foto e tudo num tablóide deles!! E ficou superbonito. Passa na Colombo Premium do Iguatemi Porto Alegre e me leva pra casa. Pra você, é de graça.


É meia-noite ainda


Não sei se você reparou, mas já estamos em 2010. Rápido, hein? Passou o Natal, você ergueu sua taça de espumante e brindou a virada do ano. Na manhã seguinte, tudo voltou ao normal. A roupa branca foi lavada, guardaram a louça de festa, as luzinhas pararam de piscar nas janelas. Mas não precisa ser assim, calma aí. Agora que as fábricas de fogos de artifício entraram em férias coletivas, chegou a hora de você trabalhar no seu desejo de ser feliz. Muito, muito feliz. Essa é a resolução que realmente vale a pena, mais do que voltar para a academia. Pense nisso antes de mergulhar na rotina e nos compromissos de sempre. Prolongue na sua mente aquela euforia de 31 de dezembro à meia-noite, quando a esperança encheu a sala e o timer zerou a seu favor. Todo início de ano é um rito de passagem para uma vida mais prazerosa, os sonhos esquecidos batem de novo na porta. Abra e se permita. O luxo dos luxos vai ser priorizar você. E deixar o coração tomar certas decisões. Ele sabe o que faz falta. Pode ser um ano sabático, um curso de fotografia ou gastronomia, não trabalhar mais nas sextas à tarde, entrar para a stand-up comedy, se tatuar pela primeira vez aos 50 anos, investir todas as fichas no conforto da casa, reinventar o seu lazer, mudar de endereço ou de país. Isso é consumir o melhor da vida. Ser feliz à vista ou em suaves prestações. Você pode, merece, quer. Vamos lá, é meia-noite ainda. O relógio resolveu dar uma força e voltou no tempo. 5...4...3...2...1!

6 de jan. de 2010

Teste vocacional

Eu queria ser testadora de produtos para cabelo. Podia ser da Kerastase, por exemplo. Ou da Éh. A testadora é uma profissional que ainda não recebeu o devido reconhecimento. Mulheres cuidam dos seus cabelos como se fossem bebês na incubadora. Portanto necessitam de produtos confiáveis e validados. Nada de testar em animalzinhos, eles não sabem dizer se funciona mesmo. Na verdade, eu queria ser uma testadora-ombudsman. Avaliar xampus, condicionadores, leave-in, máscaras, musses, silicones, leite para pentear (comprei um tri bom), tinturas, ceramidas e hydro elastinas é prestar um serviço de extrema relevância para o mercado feminino. E tem a vantagem de, após um dia cansativo de trabalho, chegar em casa com os fios impecáveis, sedosos, brilhantes e macios. Provavelmente com a cervical destruída, depois de horas naquela cadeira-tanquinho de lavar cabelo. Mas faz parte. Um relaxante muscular e a sensação do dever cumprido.

Pá pum

Num ato de valentia, matei uma barata. E das grandes. Ninguém viu a cena, a única coisa que eu tive para mostrar na manhã seguinte foi a carcaça do bicho sendo devorada por formigas no chão da sacada. Odeio insetos. A natureza poderia ter nos poupado deles. Mais flores e menos moscas, mosquitos, traças, pulgas e baratas.
Fiz a minha parte. Tirei coragem do dedão do pé (ok, foi do chinelo que estava à mão) e eliminei aquela desgranida. Tá achando pouco? Tem gente que passa a vida inteira sem matar uma barata. Erram a mira, tremem, gritam. Espero ter ficado com créditos de bravura. Assim posso usar quando aparecer uma lagartixa no teto.

Dead flies art from acidcow.com

5 de jan. de 2010

Mão de vaca, eu?

Bem que eu tentei comprar o novo Sundown 30 em spray. Não consegui. Mais de cinquenta mangos. Foi-se o tempo em que dava pra torrar dinheiro. Já invisto uma quantia razoável em protetor fator 60 para o rosto (sem falar no resto da cremelândia). O corpo vai ter que se contentar com a mãozinha amiga espalhando aquela gosma branca pra lá e pra cá.
Somos 4 costas, 4 barrigas, 8 braços, 8 pernas, 8 ombros e 8 laterais. Agora pegue um fim de semana ensolarado e multiplique isso por 2 ou 3 descidas pra piscina. É a falência iminente. Ou uma família assumidamente albina.
Não comprei o luxinho e continuo pensando nele. Os jatos de spray indo para os lugares certos, sozinhos! A função do passa-passa resumida a poucos segundos. O brilho do esmalte escuro permanecendo intacto nas minhas unhas. As capas dos livros sem minhas impressões digitais melecadas.
O novo Sundown 30 em spray mexeu comigo. Os luxões estão cada vez mais raros... o que será da humanidade sem os luxinhos?

4 de jan. de 2010

Sobre a necessidade de escolher

Minha amiga, a saída é escolher. Não dá pra fazer tudo, ser tudo, usar tudo, ter tudo.
Passei o dia trabalhando (eba!) e a noite é tão curta. Minhas opções, no escasso tempo que sobrou pra mim, foram as seguintes: 1) caminhar na esteira 2) atualizar o blog.
Escolhi malhar a alma, o corpo eu dou um jeito amanhã. Escolhi conversar com você, com o espelho eu falo outra hora (com a luz apagada, de preferência). Um post, dois posts e já me sinto mais leve - a vida inteira tive coxas grossas, sua atenção eu tenho faz pouco.
Ainda sobre as escolhas, preciso me aperfeiçoar. E aceitar que o que não foi escolhido deve ficar para trás. É a única maneira da gente não se culpar o tempo todo. Agora vou dormir e sonhar com as minhas próximas escolhas. Quero ficar boa nisso.






Por que é tão difícil elogiar?

Como diz o Ricardo, elogio de mulher conta mais. Ele sabe das coisas, e as sutilezas femininas que não sabia eu ensinei.
No segundo dia do ano, lá estávamos nós batendo ponto no supermercado. Glamour zero. E o que eu escuto? “A tua mulher tá cada vez mais jovem!”. Bingo. Nunca saia de casa para escolher tomates sem, no mínimo, passar um rimelzinho. Encontramos casualmente uma ex colega dele que não víamos há uns cinco anos - calculei pela idade da filha que eu nem sabia que tinha nascido.
Não são todas as mulheres que elogiam espontaneamente as outras. Eu mesma reconheço que já omiti muitos elogios para a ala feminina (você também já fez isso, nem vem). Olhar já significa uma certa aprovação, as mulheres entendem esses códigos velados. Talvez seja uma mesquinharia ancestral. Ou cultural. A ameaça constante do sutiã alheio? Com certeza, eu perdi a chance de elogiar várias colegas de gênero. Quem nos ensinou a trapacear assim?
Mais tarde, quando chegamos em casa, o Ricardo brincou comigo: “aí, hein, ela te achou mais bonita!”. Eu rapidamente corrigi a informação. “Mais bonita, não. Mais jovem. Isso é melhor ainda. “ Se você passou dos 40, vai me dar toda a razão.

Ilustração: Barbara Wijnveld