Ou pode me chamar de sequestradora de cabides, que também condiz com a situação atual. Tudo começou com uma organização, que virou um hábito, que se tranformou em mania. Juro que não percebi essa última mudança de fase. Talvez tenha sido depois do cabide 5.874. E mesmo que tivesse percebido, seria tarde demais. Hoje não posso ver um cabide vazio que preciso levá-lo o quanto antes para a área de serviço. Vasculho guarda-roupas atrás de cabides desocupados, não permito que eles fiquem matando tempo e conversando com as blusas e casacos pendurados. É algo mais viciante do que roer unhas.
Se o Nelson Mandela lê esse post, vai dizer que criei um Apartheid. Ele não deixa de estar certo, porém quero deixar claro que eu não discrimino a cor dos cabides. Brancos, pretos, amarelos ou transparentes, tanto faz. Se estiverem livres, não podem permanecer no mesmo recinto dos ocupados.
Ainda bem que eu não arrumo as roupas por cor dentro do armário, isso sim é caso sem tratamento. Se bem que, lá nos primórdios da civilização, eu escolhia a cor do prendedor conforme a cor da roupa lavada - e o azul molhado nem sempre combina com o azul seco. Foi no tempo de recém-casada, onde a gente brinca de casinha deslumbrada como se tivesse 5 anos. Pelo menos, desse mal eu me curei.





