6 de jan. de 2011

Pra que tanto calor?

Quando o calor atrapalha os nossos hábitos, é porque passou dos limites. Hoje tive que abrir mão do meu café com leite bem quente - na minha lista de comfort food, isso é um crime. Eu não quis ter um treco térmico e cair dura no meio da cozinha. Apesar de gostar bastante do verão, senti muita raiva dele.
Se você é do Sul, mais especificamente aqui da terrinha, vai compreender. Gaúchos são separatistas, sempre foram. Adoram uma briga. É Grêmio X Inter. É Zaffari X os outros supermercados. É Panvel X as outras farmácias. E também é Verão X Inverno. Ter as estações bem definidas provoca (com o perdão do trocadilho) acaloradas discussões. A turma que defende o foundue de chocolate acha o cúmulo quem se joga no mar cor de chocolate e vice-versa. Mas desconfio que, num dia insuportável como o de hoje, até os adoradores do verão cogitaram virar a casaca. Já o pessoal do lençol térmico rogou ainda mais praga para o calor nos torrar de vez.
Essa rivalidade climática nunca vai mudar. A única coisa que posso fazer é tomar um banho urgente.



5 de jan. de 2011

Já leu a revista Lola?

"De alguma forma, se não permanecemos alertas, somos convidadas o tempo todo a nos sentir ultrapassadas, gerando uma busca alucinante, sem tréguas. É como se não pudéssemos ser quem somos. Nem temos tempo, aliás, de descobrir a beleza que temos naquele instante".

Sábias palavras de Constanza Pacolato, que assina a matéria Respeito ao Tempo, onde filosofa sobre os motivos que fazem as mulheres francesas envelhecerem com tanta dignidade e charme. Também tem a Malu Mader escrevendo sobre a Amy Winehouse. O Domingos Oliveira entrevistando a Claudia Abreu. E por aí seguem as surpresas de Lola, uma revista que dá gosto de ler. Espero que continue assim.

Imagem: Christa Joo Hyun Dangelo

4 de jan. de 2011

Da série faxinão

No embalo das faxinas, resolvi pegar uma caixa de livros guardada na garagem desde a mudança - quase 4 anos. Achei que eram livros-entulho, se é que eles existem. Não deu muito certo, consegui separar menos de um terço pra passar adiante. Vários tinham dedicatória, impossível ser ingrata com quem tatuou meu nome na primeira página do livro. Foram quase todos para a estante, lugar onde deveriam estar faz tempo.

Enganando a si mesma

Estou aqui, teclando, quando deveria estar suando na esteira. Até já me vesti a caráter, mas lembrei (cara de pau) que eu precisava atualizar o blog! E assim vou me enganando, fingindo que não vejo a calça apertar na cintura, o Facebook roubar meu tempo durante o trabalho, o fio de cabelo branco surgir quando prendo o cabelo e tantas outras coisas. Às vezes tenho a impressão que existe outra dentro de mim, um xerox instável como a previsão do tempo, louca pra sabotar minhas decisões, me desviar da rota e fazer eu repetir os mesmos erros.
Enquanto ela se distrai, esteira aqui vou eu.

Foto: Today and Tomorrow

A síndrome do ninho vazio II, por Claudio Franco

Dê uma criança para um brinquedo

Toda criança tem direito a brincar. Sempre. Brincar é tão bom. E brinquedos estão sempre dispostos. Do mais tecnológico com pilhas novas, até a latinha de achocolatado que virou tambor.
Lembro de uma campanha de doação de brinquedos que fiz com o amigo e colega de profissão Zeca Honorato. Dizia que "toda criança tem direito a um brinquedo. E todo brinquedo tem direito a uma criança". Gosto muito desse trabalho e guardo com carinho até hoje.
Pensei muito nessa campanha ao baixar várias prateleiras de brinquedos do armário da minha filha. Jogos, bonecas, casinhas, caminhas, bolas e muito mais veio abaixo. Confesso que tive que fazer isso sozinho para evitar uma defesa quase que jurídica a cada brinquedo. E pensava na história de cada um. O jogo da memória que tantas vezes perdi feio. Ele ainda vai fazer muitos pais perceberem que não há nada como uma "cabeça nova" pra te derrotar. As muitas caixas de quebra-cabeça com os mais variados temas e personagens. Gastei um tempo colocando as peças nas caixas certas, afinal, os novos proprietários teriam que recebê-los completos para montar e remontar muitas vezes mais.
Também desceram lá da última prateleira muitas bonecas. Os pais de meninas sabem. É exatamente proporcional aos pais de meninos e seus milhares de carrinhos. As Barbies ruivas, loiras, morenas, borboletas, cantoras, dançarinas e até ciclistas. As que imaginei que não fossem me render um processo judicial por sequestro foram direto pra a caixa pra soltar as tranças, tomar muito banho de pia, cantar e voar em outra freguesia.
E não há como não lembrar o filme Toy Story. Só mesmo um gênio pra fazer uma animação tão verdadeira. Assim como no filme, não parei de pensar na agitação daquela turma que entrava na caixa de doações. Ou dos que esperavam ansiosos na prateleira para serem escolhidos. Juro que ouvi alguns barulhos estranhos quando se juntaram umas três ou quatro Barbies na mesma caixa.
Mas aquela caixa não era um "calabouço" ou um "triturador" de brinquedos. Era uma caminho para novos sorrisos, novas brincadeiras, novos voos, novas briguinhas, novas prateleiras e novos amigos. Mesmo que tenha feito o "trabalho sujo" sozinho, antes de me despedir das caixas e sacolas cheias de brinquedos, convidei minha filha para, num ato simbólico, fazer uma despedida daquele joguinho de memória. Ela adorou a ideia e colocou mais umas três vitórias no seu currículo.
Valeu. O dia chuvoso ideal para essa tarefa terminou num belíssimo final de tarde. E, num último olhar naquela caixa que ocupava um lugar na sala, enxerguei muitos brinquedos brilhando novinhos em folha. E a turma lá de dentro, ao contrário do famoso filme, vibrando à espera dos novos donos. (ZH, 24/12/2010)

3 de jan. de 2011

A síndrome do armário de brinquedos vazio

Esses dias meu amigo Claudio Franco publicou no jornal Zero Hora um texto emocionante sobre a dor que dá esvaziar os armários de brinquedos dos filhos. Acabei de fazer isso, por iniciativa deles (quem mandou ver os pais faxinando papéis e caixas na virada do ano?).
Difícil preencher esse vazio. Cada jogo tem uma história, a gente se enxerga sentado com perna de índio no tapete da sala brincando com as crianças. Quantas vezes eu consolei quem não sabia perder. Agora quem me consola? Senti um aperto no peito, uma vontade de frear o tempo. E olha que sou desapegada, já doei muitos brinquedos. É que dessa vez a quantidade foi maior. Quatro sacos lotados de infância. O Rafa e o Fabio não se sentem satisfeitos com suas espinhas e pelos crescendo. Querem virar o jogo, que nem fazem no Playstation.
Vou levar tudo para o Hospital da Criança Santo Antônio, assim como da última vez. Alegro os pequenos doentes e a mim. Como tão bem escreveu Claudio, os brinquedos merecem ganhar novos donos e continuar a brincadeira. Toy Story feelings!
Só restaram os Legos. Esses, under my dead body.

Foto: FFFFound

Um tempo que deixa saudade

Meu corpo ainda exala panetone e casquinha de siri. Depois de um final de ano intenso e de micro-férias na praia, chego à óbvia constatação de que o cérebro foi extraviado feito mala em voo fretado. Ou fez como nos filmes, colocando travesseiros embaixo do lençol pra simular sua presença. O resultado? Uma cabeça oca na segunda-feira, os dedos lentos no teclado e marcas de bronzeado só pra lembrar dos dias de ócio. Quer dizer, ócio em termos. Você já viu uma mãe em turno integral conseguir descansar? A gente acha o que fazer o tempo todo.
Mesmo assim, relaxei. Fiquei uma semana sem ligar a TV. Comi uma padaria por refeição. Corri e caminhei mas dormi depois do almoço, o que engorda em dobro. Namorei. Li a metade de um livro, duas revistas e o Facebook inteirinho (o vício superou a lentidão do 3G). Olhei pro mar e pensei na vida, sem chegar a grandes conclusões. Só uma, na verdade: é muito bom estar viva.
Joguei frescobol com as canelas mergulhadas na água, bem do jeito que eu gosto. Encolhi a barriga e tive a sorte de não encontrar colegas na beira da praia (nada pessoal, é sempre constrangedor pra quem não nasceu miss). Curti meus filhos e descobri que minto quando perguntam se eles brigam. Sim, brigam o tempo todo, eu é que não vejo. Ou faço que não vejo, pra manter uma visão romântica e idealizada da maternidade.
Apesar de ter passado protetor o suficiente, senti um misto de culpa e prazer cada vez que o sol lambeu minhas sardas. Se a gente fica de óculos, corre o risco de se bronzear feito urso panda. Se não fica, sente a região dos olhos craquelar - é duro ser dermatologicamente correta. Em compensação, de noite aproveitei a lua. Coisa boa ficar sentada na frente de casa, deu até pra sentir frio. Eu e o coaxar dos sapos (quando os vizinhos davam uma trégua no repertório musical).
Agora o melhor das férias é bagunçar os horários. No último dia, saímos do restaurante quase cinco da tarde. Constatação? Leva um tempo até que a gente se permita estar de férias. E quando finalmente conseguimos, já é hora de voltar.