18 de nov. de 2009

Pólvora



Descobri o que o Robert Pattison e o Paulo Sant´Ana têm em comum: pólvora.
Um é vampirinho, o outro é lobo velho. Um é Lua Nova, o outro é de lua. Um é atormentado pela amada, o outro é pelo Pablo. Um é politicamente correto e só bebe sangue de animais, o outro quer engolir as vísceras de muita gente. Um é meigo, lindo e low-profile, o outro é arrogante, feio e exibido. Um precisa do vermelho, o outro do azul.
A única coisa que os aproxima é a pólvora. Robert Pattison mexe com a libido, provoca arrepio, arranca suspiros e tem legiões de fãs que berram na frente da sua casa. Já o Sant´Ana mexe com o intelecto, atiça com polêmicas, inflama as discussões e tem legiões de fãs que gritam se abrem a porta de casa e o jornal ainda não chegou.
Robert Pattison é penumbra e fantasia. Sant´Ana é clareza e dia a dia. Talvez o homem perfeito seja uma mistura dos dois. Não, não. Seria explosivo demais.

17 de nov. de 2009

Ah se a moda pega

Esse produto já nasce morto. Nenhuma mulher compraria um peito caído.

from trendhunter.com

Morte às frases vagas e imprecisas

“O que é seu está guardado.”
Se tem uma frase que perdeu o sentido, é essa aí. Hoje em dia, quem tem paciência de procurar o lugar onde algum engraçadinho guardou o que a gente nem sabe direito o que é? Se é meu, eu quero agora.
Mas digamos que eu concorde em esperar o momento divino e celestial quando, finalmente, encontrarei o que me pertence. E se precisar de chave pra abrir? Ou uma senha que vem pelo correio? Por favor, eu preciso de informações mais claras. Quem guardou o que para mim? Está em um cofre ou só escondidinho numa gaveta? Se eu não gostar, posso trocar? Precisa ser num prazo de 30 dias? Quanto tempo vai durar essa espera? Vale a pena ou eu vou me frustrar, depois de tanta expectativa?
Tem outras frases que só empacam a vida da gente.
“Quem espera sempre alcança.”
Alcança o quê? Passa a vida esperando ou é só uma semaninha? De novo a questão da espera, que provoca passividade. O mundo ficou competitivo demais, agora quem não corre atrás fica esperando pra sempre.
É um perigo repetir frases vagas e imprecisas. Principalmente aquelas com autoajuda nas entrelinhas. Senão alguém acha bonito, passa adiante, a frase se cristaliza e vira ditado popular. Aí, deu pra bola. Ditado só é útil no colégio, pra gente descobrir se “discernimento” se escreve com S, SS ou SC.

16 de nov. de 2009

Uma repaginada

Que bom que a vida não é feita só de móveis modulados sob-medida. Assim nos sentimos livres pra criar, mudar, repaginar, inventar. Mesmo correndo o risco de que a invenção fique com tanta personalidade que não combine com mais nada.
Adoro quando fazem extreme makeover num móvel caidinho, que estava jogado em um canto. Depois da transformação, ele rouba a cena. E casa de praia é perfeita pra esse tipo de laboratório. O mar não fica da cor que ele quer? E geralmente um chocolate de mau gosto? Então o jeito é garantir o azul de outra forma. Paredes ensolaradas e móveis divertidos renovam também os donos da casa. Decoração não é eterna, pode surpreender a cada verão.
Eu queria tanto que a minha casinha hermosa já estivesse pronta. Os refúgios fazem isso com a gente, nos inspiram à distância. Enquanto espero, eu imagino. Agora tudo é possível, as ideias têm todo o dinheiro do mundo. Você não sabe quantas vezes eu já mudei esses móveis de lugar.

15 de nov. de 2009

Uma semana de clareamento

Eu queria tanto brindar com um expresso triplo! Mas não dá, ainda nem cheguei na metade do clareamento. Descobri que os dentes sofrem choques como se estivessem numa cadeira elétrica. E nem precisa tomar líquido gelado. O ar que entra na boca, tipo vento encanado, já é suficiente. A boa notícia: meus dentes estão ficando Omo Dupla Ação.


13 de nov. de 2009

Azar de quem é igual

Nesta sexta-feira 13, quero homenagear os corajosos que passam embaixo de escadas, cruzam com gatos pretos, derramam sal na mesa de propósito e não carregam um patuá na carteira. Mais do que isso, o post de hoje é dedicado aos esquisitos, extravagantes e a todos os sortudos que fazem questão de exibir suas diferenças.
Quando a gente é criança, quer ser igual aos pais. Vira adolescente e precisa desesperadamente ser igual aos amigos. Fica adulto e rapidinho se vê copiando modelos de sucesso no trabalho, na família, nos relacionamentos. O resultado de tudo isso? Tudo muito parecido, repetitivo, morno e previsível. Um mundo chatinho que só vendo.
Esquisitos e extravagantes, não desistam! Vocês têm um importante papel social. Continuem escrevendo textos para que eu discorde, fazendo coisas que eu não faria, agindo com menos compromisso e certeza. Apareçam na minha frente na rua, embaixo da escada, peguem o elevador comigo, trabalhem ao meu lado, me provoquem.
Acho que a Fernanda Young é uma bruxa moderna. Sua aparição na última Playboy, quebrando o modelo peitão-bundão, só comprova que as diferenças fazem bem. A maioria dos homens não gostou, muitas mulheres também não. Eu achei sexy. Não morro de amores por ela, mas gosto das suas provocações. A diferença que irrita.

12 de nov. de 2009

Clichê 100% algodão

Sim, nós nunca temos roupa. Não o suficiente para vestir as nossas dúvidas. Hoje o jeans serve, amanhã está apertado. Ontem aquela blusinha ficou tão bem, agora a estampa parece exagerada – por que comprei isso?, pergunto para o espelho. Ele prefere se manter longe dessa discussão.
O salto combinou com a terça, mas hoje é quinta e ele ficou alto demais. Eu poderia escolher a sapatilha, mas aí teria que trocar o vestido. E faz tanto tempo que não saímos juntos! A bolsa, que antes era utilitária, entrou no troca-troca. Até os curingas não funcionam sempre. Depende do humor, da estação, da entrada de saturno no meu signo.
Sabe o que eu queria? Ser escolhida pelas roupas. Cansa decidir tudo sozinha. Eu iria sentar na beira da cama e esperar que elas viessem até a mim. A chance daquela saia que não uso há meses pular na minha cintura e ir pra rua. Um colar podia gritar lá da última gaveta “Magali, hoje você é minha!” As listras teriam iniciativa pra me prender num look básico? E os decotes, mostrariam tudo para mim? O preto, elegante que só vendo, bateria boca com os coloridos?
Mas não. Sou eu que sofro o apagão todas as manhãs, na hora de escolher a roupa.
art by adam dedman