30 de jul. de 2010

Vida mansa


São pouquíssimos os homens que se preocupam com cabelo. Comparados a nós, a quantidade é insignificante estatisticamente. E a preocupação deles não é a mesma que a nossa. Na verdade, eles só se incomodam quando começam a perder cabelo. Sabe aquelas entradas que avançam, avançam e dobram o tamanho da testa? Pois é, eu não tiro a razão deles. No mais, a ala masculina não liga se acha cabelo branco, não sofre na frente do cabeleireiro, não gasta fortunas com hidratação, pintura, xampus e cremes. Você já viu um homem crespo desejar ardentemente ser liso? Você tem conhecimento de algum que fez progressiva e aguentou dois dias sem lavar o cabelo? E depois de seis meses, repetiu a façanha? Homem não tem bad hair day. Tem no máximo um redemoinho. Não surta se no hotel não tiver secador de cabelo. Não se enjooa. Também não sofre com frizz - se souber o que é isso.
Acho sem graça ser homem.
Fotos: New York Times

29 de jul. de 2010

Nova profissão no mercado

Seguido eu vejo passeadores de cães. Será que reparo neles porque tenho medo de cachorro e jamais conseguiria fazer isso? Não sei onde a moda começou, mas as pessoas daqui também estão se sensibilizando para tirar seus bichos de dentro de casa. Dar uma volta pelo bairro pra ver as gatinhas é uma boa. E a destreza para evitar que todas aquelas guias se enrosquem! Tomara que a cachorrada não resolva fazer suas necessidades ao mesmo tempo. Ou o contratante e o contratado combinam que isso não está incluído no pacote?

Pode ser light

Decidi não buzinar mais no trânsito. Se eu não buzinar, é porque não me irritei tanto assim. E também não estou com tanta pressa. Consequentemente, não preciso ficar ansiosa. Daí, consigo prestar mais atenção na música. E entendo um trecho em inglês inteirinho. E vou mais devagar se, a uma quadra da agência, começar a tocar uma música que eu gosto.
Às vezes dá muita vontade de enfiar a mão na buzina. Pra quê? Pra travar os dentes e morder a bochecha por dentro? Não quero mais buzinar. Os estressados e rancorosos buzinam. Só abro uma exceção se você estiver caminhando na calçada e eu quiser abanar.

Um avanço. Palmas para mim.

Foto: FFFFound

Essa é para usar no futuro

Recebi uma dica preciosa de como ser uma boa sogra: boca fechada e bolsa aberta. Tá anotado. Mães de meninos, uni-vos!

28 de jul. de 2010

Com ou sem lareira?

Talvez esse post não faça o menor sentido para quem mora fora do Sul, lugar onde o termômetro despenca e nos obriga a dormir de meias. Aqui existe toda uma cultura do fogo, do vinho, da lareira, das conversas ao redor do fogão à lenha no interior.
Pois bem. Eu nunca tive lareira em casa. Mas no meu imaginário, ela sempre ocupou um lugar bem aconchegante. E agora surgiu uma possibilidade de ter.
Hoje chegou uma carta da Báril perguntando se queremos colocar uma lareira na nossa casa da praia que está sendo construída. Detalhe: temos uma semana para re$olver. Eu ainda não tinha pensado nisso, estamos na fase do paga-paga-paga.
Você deve estar achando que sou louca de querer lareira na praia. Só que essa casa vai ser usada no inverno também, isso é o que me atrai, é para ela ser o nosso refúgio. Li a carta e cheguei a sentir o barulho da madeira estralando no fogo. Charme, glamour... mas também falência, rinite alérgica...
A última vez que acendemos uma lareira foi em um hotel da serra. Eu quase fiquei intoxicada com o cheiro de madeira dentro da cabana. Ou seja, foi um fiasco, o Ricardo não conseguia apagar e eu ficava cada vez mais nervosa e entupida.
Esqueço esse episódio? Assalto um banco, já que é uma pequena fortuna colocar a tal da lareira? Troco o glamour por um split? Será que o extrato bancário tem o poder de decidir sobre os nossos sonhos?

Décor com ideia

Eu não colocaria uma dessas estantes lá em casa. Já o Alexandre Herchcovitch ia adorar a da caveira. O que me atrai é o objeto repensado. Isso abre muitas possibilidades. Quem disse que tudo precisa ser do jeito de sempre?
Imagens: FFFFound, James Hopkins Works

Fiquei pensando muito

Excelente a matéria de capa da Vida Simples de agosto.
Como a gente dá um tiro no pé quando busca a perfeição, seja na viagem de férias, no trabalho, no relacionamento, no corpo.
Sobre os padrões de beleza impostos, adorei essa parte: "Tomar conta da configuração de si é um ato político. Ser responsável pela própria saúde, pelos alimentos que consumimos, pelos ritmos internos e necessidades pessoais é uma nova posição de vida, mais consciente e individualizada, e não mais só coletiva e imposta.
Outro trecho ótimo: "É uma configuração de terror e alívio. Somos estimulados a ter pavor de celulite, do olho caído, do músculo flácido, enfim, de tudo que indique a passagem do tempo, mas ao mesmo tempo nos são oferecidas academias de musculação, cremes maravilhosos, plásticas".
Resumo da ópera: ninguém - nunca, jamais - vai alcançar a perfeição idealizada. E vamos seguir ansiosos, frustrados, angustiados.