30 de out. de 2009

Escadaria emocional


Achei genial. Cada um dos 112 degraus é pintado de uma cor e expressa uma emoção. Deve ser mulher que fez isso, pra nomear tantos sentimentos.
from notcot.org

29 de out. de 2009

PJs

Você é PJ como eu? Paga GPS e não tem FGTS? Ainda não decorou seu CNPJ? Tem como sócio (1%) a mãe, irmão, marido, mulher? A sede da firma é, casualmente, o lar doce lar? Ou o endereço de algum parente do interior, onde o imposto é bem menor?
Ei, se você se encaixou no parágrafo acima, não precisa ser um reles PJ! Um pouco de ambição é saudável. Você S.A. pode ser o CEO, o VP, o Diretorzão da birosca, o Me Myself Worldwide Associated.
E carimbo, você tem? Uma empresa que se preze precisa ter carimbo. Tive que fazer um quando mudei de casa. E poft, poft, poft, carimbei cada folhinha branca, amarela e azul do talão exatamente no mesmo lugar, para ficar dentro do alinhamento estratégico da firma. Guardo ele como lembrança, carimbos ficam obsoletos da mesma forma que os computadores antigos. Só me arrependo de não ter comprado aquela caixinha com almofada de tinta – peguei emprestado, vê se pode!
E estoque de carbono, você tem? Uma empresa séria e consolidada no mercado não pode ter somente 2 carbonos já gastos (1 dividido ao meio, né?). Cada vez que abro a gaveta da mesa de cabeceira e pego meu talão de notas fiscais, subitamente assumo o papel (em 3 vias autenticadas) do Financeiro. Emito a comprovação dos excelentes serviços prestados com a Bic recém-contratada e rezo para que o cheque entre logo.
Os sócios que me perdoem, mas ter firma é um pé no saco. Só a gente trabalha! Quem fica com os dedos sujos de carbono? Quem entorta os clipes quando os clientes somem? Quem leva as vias azuis pro contador (esperando que ele consiga ler alguma coisa ou doe um carbono novo). E adivinha quem vai comprar envelope pardo quando termina?!
E Time Sheet, você tem? Avaliação de desempenho? Distribuição de lucros? Caixa dois? Nãooooo!! Você é um PJotinha, um pequeno empresário que ainda não chegou lá. Na verdade, adoraria tocar fogo no seu CNPJ se alguém o contratasse com carteira assinada hoje mesmo.
RSVP se você é PJ. Podemos fazer juntos as nossas festas de final de ano e economizar pro IR. Ou você não contou com o plus a mais do contador?

27 de out. de 2009

Pequenos privilégios

Um cineminha com o filho em plena terça às 15:20, que privilégio! Muitos hambúrgueres caíram do céu. E nós dois curtindo as mudanças de roteiro que a vida faz. Ele aceitou o convite na hora, e não foi só pela pipoca liberada. Senti a importância dos programas exclusivos. Quem tem mais de um filho às vezes não se dá conta disso. Por mais que uma família goste de estar sempre junta, a atenção individual faz bem pro crescimento. O enfim sós, na versão kids.

26 de out. de 2009

Suicídio no Menino Deus

Eu nunca faria isso. Meu vizinho fez hoje de manhã. Se suicidou com um tiro, dentro do apartamento, perto das 10h. Primeiro veio a Samu, depois a perícia. Eu contei uns 6 policiais.
A chuva já tinha parado. Se ele tivesse esperado um pouquinho, veria o sol lindo que abriu e iluminou o dia. Dentro desse homem devia estar um temporal horrível, daqueles em que a gente não enxerga nada na frente, só ouve os trovões.
Era um vovô simpático e educado, tento mas não consigo imaginar a cena. Mesmo morando a um andar de distância do filho, da nora e do netinho, não aguentou a solidão. Nós sempre trocávamos cumprimentos, ele vivia caminhando pelo jardim. E puxando conversa. Não sei se era viúvo recente, parecia se dar bem com a família.
Isso me faz pensar em como a gente se engana com as aparências. Alguém que termina com a própria vida não podia ter aquela cara de paz. Disseram que ele sofria de depressão e não tomava remédio. Talvez fosse apenas velhice e falta de atenção. Seu fardo devia ser enorme, pesado, cruel, insuportável. Ele preferiu não ver o netinho crescer e acabar logo com isso.
Seu Milton, desejo que o senhor encontre muita luz daqui pra frente. Se morar no Menino Deus não ajudou, tomara que o pessoal aí de cima seja mais eficiente.

Memória

Se eu fosse a minha memória, nunca mais falava comigo. Ela sabe que não há confiança na nossa relação. Prefiro me garantir com bilhetinhos espalhados pela casa. E no painel do carro. Mesa de cabeceira. Balcão da cozinha. Minha bolsa também é um grande mural, é só virar tudo em cima da cama e fazer a contagem: 87% são lembretes variados.
É importante frisar que eu não mato árvores aleatoriamente para compensar as fraquezas da memória. Já escrevi muito na palma da mão. Hoje eu reciclo qualquer pedaço de papel que possa vir a ser um post-it. Verso de provas do Anchieta, avisos de reunião de condomínio, folhas com desenhos interrompidos, contas pagas, matérias que imprimi para ler. Os papéis são devidamente rasgados, empilhados e guardados. Sou a rainha do moleskine enjambrado. Esses dias, meu filho juntou dois bilhetes meus e remontou parte de um desenho abandonado.
Uso lembretes analógicos e digitais. A agenda e os alarmes do celular são meu braço direito. Como se isso não bastasse, ainda faço rascunho dos bilhetes. Para depois passar a limpo no lembrete oficial. Organização ou doença, depende do ponto de vista.
Se eu estivesse no lugar da minha memória, me sentiria ofendida. Mas não é nada pessoal. Gosto de registros. Eu não sei como ela organiza tudo lá dentro, se não vai achar uma grande bobagem o “devolver sombrinha” e só cuidar das lembranças da infância. Prefiro me garantir. E tem o prazer enorme de riscar da lista o que já foi feito, colocar o bilhetinho no lixo com a sensação do dever cumprido. Minha memória nunca vai entender essas coisas.


photo from urban camouflage

23 de out. de 2009

Buuuu

Sobre os monstros que nós mesmos criamos, anote aí: eles são menos assustadores do que parecem. Quando a gente olha de perto, vê que é só um medinho pintado de verde. Ou uma complicaçãozinha com narigão torto e calombo nas costas.
Meu ócio criativo está sendo produtivo. Sobra tempo para enxergar esses medos e ver que a tinta verde inclusive descascou. Também descobri que a ansiedade é como um fermento, faz os monstrengos crescerem.
Os entrevistadores do IBGE deveriam incluir uma pergunta sobre isso pra ajudar a desmistificar. “Você tem quantas TVs? E geladeiras? E medos? O que... medo do microondas estragar, com tanta oferta por aí?”
No meu caso, estar sem emprego poderia ser um monstro. Então dedico 8 horas por dia (com 2 horas de almoço), para provar a mim mesma que não é monstro coisa nenhuma, apenas um fato. E que será logo resolvido.
Como diria aquela música, tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

22 de out. de 2009

Ô lá em casa

O que você faria num terraço poderoso desses? Um churrasquinho na lage em versão Saint-Tropez? Um suicídio cheio de bossa? Um pedido de casamento? A comemoração de um divórcio (se foi você quem ficou com o terraço)? Uma sessão de fotos “se fui pobre não lembro” pra colocar no Facebook?
Acho que, disfarçadamente, eu daria passadas largas de ponta a ponta pra tirar a metragem do local. E concluiria algo tipo “nossa, é do tamanho do meu apartamento....” ou “meu deus do céu, é três vezes maior!!”. Depois, contaria os quadradinhos pretos pra me acalmar. Bem que podia ter um bebedor com champanhe para as visitas. Gelado, que de natural já basta a vida.
photo from smashing magazine