26 de out de 2009

Suicídio no Menino Deus

Eu nunca faria isso. Meu vizinho fez hoje de manhã. Se suicidou com um tiro, dentro do apartamento, perto das 10h. Primeiro veio a Samu, depois a perícia. Eu contei uns 6 policiais.
A chuva já tinha parado. Se ele tivesse esperado um pouquinho, veria o sol lindo que abriu e iluminou o dia. Dentro desse homem devia estar um temporal horrível, daqueles em que a gente não enxerga nada na frente, só ouve os trovões.
Era um vovô simpático e educado, tento mas não consigo imaginar a cena. Mesmo morando a um andar de distância do filho, da nora e do netinho, não aguentou a solidão. Nós sempre trocávamos cumprimentos, ele vivia caminhando pelo jardim. E puxando conversa. Não sei se era viúvo recente, parecia se dar bem com a família.
Isso me faz pensar em como a gente se engana com as aparências. Alguém que termina com a própria vida não podia ter aquela cara de paz. Disseram que ele sofria de depressão e não tomava remédio. Talvez fosse apenas velhice e falta de atenção. Seu fardo devia ser enorme, pesado, cruel, insuportável. Ele preferiu não ver o netinho crescer e acabar logo com isso.
Seu Milton, desejo que o senhor encontre muita luz daqui pra frente. Se morar no Menino Deus não ajudou, tomara que o pessoal aí de cima seja mais eficiente.

3 comentários:

Fernanda Reali disse...

Que pena. Depressão é uma doença séria, um desequilíbrio da química do corpo. E ainda existe gente que acha que é uma tristeza, um mau momento. Tristeza é um sintoma.
Menos mal que era idoso, viveu bastante.
Bjs

Lu disse...

Tem que ter muita coragem pra fazer o que esse senhor fez.
Que Deus ilumine a vida dele daqui pra frente.
Beijos, nos vemos amanhã

Anônimo disse...

O corre-corre do dia-dia, a sobrevivência do pão nosso de hoje nos tornam muitas vezes cegos e surdos (Mt 13, 16-17) aos sinais dos tempos e muitas vezes, a pressa nos escurece a vista e ensurdecem os nossos ouvidos.
Não busco culpados, pois sou ré confessa de que muitas vezes sou vítima desta “pressa”, mas sempre busco uma reflexão. O que não vejo, não escuto, é inverso ao que não quero ver e ao que não quero escutar.
"O essencial é saber ver [...]

mas isso [...],
isso exige um estudo profundo,
uma aprendizagem de desaprender [...]

procuro despir-me do que aprendi,
procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos."
Alberto Caeiro