23 de mai de 2011

Chuva

Quando chove, cai a máscara da construção civil. Pessoas elegantes são obrigadas a pegar o primeiro balde que encontram pra colocar bem no meio da sala. Azar da camisa branca que estava de molho e ainda não conseguiu clarear. Enquanto o céu estiver escuro, o balde vai brilhar sozinho. Agora é centro de mesa, milimetricamente instalado. Antes ele do que o tapete recém pago.
Os donos da casa torcem para que a chuva espante as visitas e que ninguém veja o gesso transformado em cascata. Já o balde pensa exatamente o contrário. Ele sorri para a dicróica, todo vaidoso. Pede para que liguem o abajur. Queria tanto sair da área de serviço e ser incorporado definitivamente à decoração. Seu plástico verde combina com as plantas.
De noite, a mulher da previsão do tempo diz que choveu em 24 horas o equivalente a um mês. Os donos da casa procuram o telefone da construtora, furiosos. O balde volta resignado para perto do tanque, que é seu lugar. Mesmo assim, teve um dia de glória.

Foto: Flickr

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