6 de mai de 2011

De novo???

De novo eu abro o jornal e leio que outro bebê foi encontrado morto dentro de um carro, dessa vez na cidade de Novo Hamburgo. A história é sempre parecida: o pai levou a menino ao médico e, antes de deixá-la na escola, resolveu dar uma passadinha no trabalho. O resto, você conclui.

Na véspera do Dia das Mães, a gente tem que ler um troço desses e começar o dia revoltada. Não vou trucidar esse pai, ele fez isso sozinho.

Pelo contrário, vou tentar entender a loucura de mundo em que a gente vive, onde uma tragédia desse tipo se repete. Até deixar sacola no carro é perigoso hoje em dia. Esse homem devia estar numa pressão desgraçada pra dar a tal passadinha no trabalho. Já tinha se atrasado por causa do médico, iria se atrasar mais por causa da escola.

Ou então ele não estava acostumado a esse tipo de tarefa, não conseguiu acumular funções como a maioria das mães (e pais participativos) fazem.

Já passei por isso tantas vezes que perdi a conta. Assim como já alcancei pro Ricardo muito sanduíche pra ele comer no meio do caminho. A gente corre, se sente culpada, chega atrasada, vê cara feia (inclusive a nossa, no espelho do elevador). Médicos e escolas fazem parte da criação dos filhos, não tem como evitar. O bom senso é quem marca as consultas.

Não sei o que dizer para esse homem esquecido. Que ele coloque o alarme do celular para lembrá-lo que deixou um bebê dentro do carro? Que ele anote na mão, com letras bem grandes? Que ele mande seu chefe a puta-que-o-pariu e primeiro deixe a filha na escola? Que não existe "passada rápida no trabalho" com uma criança esperando no carro? Que ele é um idiota irresponsável?

Sinceramente, tenho pena dele. No fundo, esse coitado é vítima das loucuras a que a gente se submete todos os dias, buscando sobreviver.

2 comentários:

Cinderela Descaída disse...

Não tinha visto. Realmente, é de ter pena, pois a culpa vai persegui-lo para sempre.
Coisa mais louca...
bjs

Milene disse...

Bom dia Magali, nem consigo entender um caso assim. Nunca deixei minha filha sozinha no carro e nem em lugar nenhum. E seria mais fácil meu marido sair descalço para o trabalho do que esquece-la. Acho que não tem pressão que justifique um bebê ser esquecido dessa forma.
Era simplesmente uma questão de escolha: ou o atraso no trabalho e todos os aborrecimentos decorrentes disso ou o bebezinho dele sozinho dentro de um carro e tudo de ruim que poderia resultar disso.
Pra mim, nem tem o que pensar para escolher.
Um abraço e bom final de semana.