31 de mai de 2011

Gostoso de ver

Eu já implicava com os representantes de laboratórios e suas maletinhas. Agora vou implicar mais ainda. Tirando alguns exageros, o filme ilustra bem o império sustentado pelas nossas doenças. E tem uma piada genial: a do mendigo que se automedica.

30 de mai de 2011

Receita caseira

Me senti super trendy ao ler a Folha de ontem. O assunto? Escolas de SP que possuem horário estendido resgatam o almoço em família, convidando os pais a irem até seus filhos pra que a família consiga almoçar junta.

É o básico dos básicos dividir a mesa e a conversa, olhar no olho do outro e não se comunicar só através de mensagem de texto e celular. As famílias hoje podem ter novas configurações, mas existem coisas que não mudam. A receita é proximidade sempre que possível.

Não dá pra comparar o trânsito de São Paulo com o de Porto Alegre, mas aqui está ficando complicado. Fico mais tempo dirigindo do que dentro de casa. Mesmo assim, não abro mão de atravessar a cidade e sentar na mesa com eles quase que diariamente. Considero esses momentos como um investimento valioso.

Foto: Altamira NYC

29 de mai de 2011

Crônica publicada no Donna ZH de 29 de maio



Mulherada Futebol Clube


Esses dias meu filho se surpreendeu ao me ouvir citar o nome do David Beckham. Como assim eu conhecia o jogador?
Acontece que o futebol saiu do gueto masculino faz tempo. Virou pop. É midiático, como dizem. Migrou para a área dos conhecimentos gerais. Rende conversas em lugares improváveis como aniversário de criança e salão de beleza. O que faz com que até eu, uma pessoa desfutebolizada, decida escrever uma crônica sobre futebol.
Chego a esquecer que o Beckham é jogador. Sei mais do que deveria sobre sua vida. Mesmo se ele fosse horroroso, de tanto ler seu nome eu decoraria assim como sei os nomes das capitais. E do Milito, Rooney, Drogba e Cristiano Ronaldo. Só que o meu conhecimento é um minúsculo pedacinho de grama dentro de um Maracanã lotado de informação.
Entender (e gostar) de futebol é um traço que caracteriza a mulher contemporânea. É como se elas batessem nos peitos e falassem: “Até disso a gente se apropriou”. Não pense que esse domínio da bola me agrada. Antigamente eu podia ignorar o futebol. Era considerado normal uma mulher sair de fininho quando a discussão descambava pro esquema tático. Hoje, não. Elas discutem os lances de igual pra igual, formam times e racham a quadra, invadem estádios, desfilam com a babylook do timão, xingam a mãe do juiz. Acompanhe o Facebook e o Twitter durante um Gre-Nal. Dá empate de comentários entre homens e mulheres. Inclusive de palavrões. Eu me sinto uma dama renascentista, deslocada e confusa.
Algumas regras do futebol nunca vão sair da caixa-preta. Mas é inegável que existe um lado interessante para observar nesse universo. Graças aos jogadores-celebridade, consigo acompanhar alguma coisa. Está aí o Neymar, que não me deixa mentir. Sei lá se ele é zagueiro, sei lá onde é a zaga. Sei que ele engravidou uma garota de 17 anos e seu pai é controlador. Agora que o Imperador e os Ronaldos estão calmos, Neymar vai alimentar a Wikipedia das vaidades.
Futebol é a nova novela. Dá para saber o que aconteceu no último capítulo daquela contratação polêmica ou assistir ao time do núcleo rico passar para o núcleo pobre. Técnicos e jogadores rendem pautas de comportamento e de moda. Prepare-se para ver Neymar nas capas das revistas de bebês. Definitivamente, o futebol saiu da Placar e conquistou a banca inteira. Não sei como a Disney ainda não inaugurou um parque temático sobre a Copa do Mundo.
Ter filhos apaixonados por futebol com certeza forçou essa aproximação. Ao contrário do que possa parecer, eles não facilitam. Sofro bullying dentro de casa. Na remota hipótese de eu espiar cinco minutos um jogo, algum engraçadinho vai avisar pra qual goleira eu devo olhar. Quando vou nos campeonatos do colégio, é comum outra mãe entrar em campo de salto alto e esnobar conhecimento.
Décadas atrás, lembro do choque que tive ao saber que minha prima toda meiguinha ouvia os jogos de futebol grudada no seu rádio de pilha, deitada na cama. Ela era uma visionária! Uma das precursoras do movimento Mulherada Futebol Clube.
Não sei, tenho a sensação de que a gente está indo longe demais. Agora temos mais um segmento para atuar. Ficou sacramentado que futebol é coisa de mulher. Isso significa envolvimento e sobrecarga, elas não vão sossegar até decifrarem o maldito enigma do impedimento. Ser dirigente de clube não é mais novidade. Ser a melhor jogadora do mundo, também não. Logo uma louca vai querer ser técnica da seleção brasileira. Bons tempos quando a gente só queria olhar as coxas dos jogadores.

27 de mai de 2011

11 anos rindo com o Fabio

Hoje é aniversário do meu toquinho. Taí um cara que enche a casa. Cada frase, é uma tirada engraçada. Cada foto, é uma careta. Cada abraço, é uma razão pra abraçar também o Rafa e o Ricardo. Cada beijo, é uma festa-surpresa. Parabéns, guri delicioso!

25 de mai de 2011

Só podia ser mulher

Só podia ser mulher que no século 21 ainda tem que ouvir essa frase.


Só podia ser mulher que dirige carro, caminhão, trator, moto, avião militar e Boeing 737.


Só podia ser mulher que dirige empresas e o país.


Só podia ser mulher que é mais educada no trânsito e dá passagem para os outros.


Só podia ser mulher que não confunde rua com pista de fórmula 1.


Só podia ser mulher que faz sinal antes de dobrar.


Só podia ser mulher que respeita a faixa de pedestres.


Só podia ser mulher que ganha desconto da seguradora porque se envolve em menos acidentes.


Só podia ser mulher que não surta se arranhou a calota.


Só podia ser mulher que vê no seu carro um meio de transporte, só isso.


Só podia ser mulher que não sabe quanto vai de ar no pneu e, quer saber, não tá nem aí.


Só podia ser mulher que resolve a vida cada vez que o semáforo fecha.


Só podia ser mulher que abre o vidro do carro e pede informação.


Só podia ser mulher que compra carro do ano e paga com seu próprio dinheiro.


Só podia ser homem machista e arrogante que inspirou esse texto.



Imagem: Grain Edit

24 de mai de 2011

Roupa também veste a casa



Mais uma dica inspiradora da Julia Petit pra quem gosta de moda: The Coveteur. Seria mais um site de looks, a diferença é que eles usam objetos de decoração pra apresentar os modelitos. Reinventando a roda, é o jeito.

23 de mai de 2011

Chuva

Quando chove, cai a máscara da construção civil. Pessoas elegantes são obrigadas a pegar o primeiro balde que encontram pra colocar bem no meio da sala. Azar da camisa branca que estava de molho e ainda não conseguiu clarear. Enquanto o céu estiver escuro, o balde vai brilhar sozinho. Agora é centro de mesa, milimetricamente instalado. Antes ele do que o tapete recém pago.
Os donos da casa torcem para que a chuva espante as visitas e que ninguém veja o gesso transformado em cascata. Já o balde pensa exatamente o contrário. Ele sorri para a dicróica, todo vaidoso. Pede para que liguem o abajur. Queria tanto sair da área de serviço e ser incorporado definitivamente à decoração. Seu plástico verde combina com as plantas.
De noite, a mulher da previsão do tempo diz que choveu em 24 horas o equivalente a um mês. Os donos da casa procuram o telefone da construtora, furiosos. O balde volta resignado para perto do tanque, que é seu lugar. Mesmo assim, teve um dia de glória.

Foto: Flickr

22 de mai de 2011

Crônica publicada no Caderno Donna de Zero Hora


Renomeando



Desde que me conheço por gente, tenho medo de cachorro. Foi herdado junto com as coxas grossas. Com o passar do tempo, nem as coxas afinaram e nem o medo passou. Mesmo assim, tive uma infância normal e uma adolescência tranquila. Consegui ter amigos, me formar, namorar, casar, procriar.
Esse medo só começou a atrapalhar na vida adulta. Não por causa dos cachorros, bem ou mal a gente se entende. O problema são os adultos. Como pode uma mulher crescida ter medo de cachorro?! É inaceitável, politicamente incorreto, quase uma falha de caráter, uma afronta. É como se eu ainda andasse de bicicleta com rodinhas.
Tem os que acham graça desse meu medo e sacodem os ombros, certos de que existem coisas bem mais importantes para resolver. E tem uma facção que se dispõe a me curar, desde que eu tope interagir com seus inofensivos pets. Vá explicar que não é assim que funciona? Detectar um ser peludo a poucos metros de distância mexe com todo o meu metabolismo.
Por uma dessas ironias da vida, casei com um homem que adora cães e estamos juntos até hoje, apesar de eu nunca ter cedido às suas súplicas. A única concessão foi comprar um dócil cãozinho de pelúcia quando descobrimos que teríamos o primeiro baby. Antes que você pense que passei adiante a maldição, posso afirmar que meus filhos convivem pacificamente com o mundo animal. E, sendo sincera, eles gostam. Aproveito para agradecer em público a todos os amigos do Rafael e do Fabio que possuem animais de estimação e fazem a gentileza de suprir essa carência.
Tenho a sensação de que não sou a única adulta com medo de cachorro (extensivo a gatos, peixes, coelhos, tartarugas e hamsters). Falando nisso, nunca vi donos de gato ou peixe dizerem “Ele não morde”. Essa frase, repetida à exaustão pelos proprietários de cães, não surte o menor efeito em pessoas como eu. Parece slogan de campanha política: desgastado e desacreditado. Eu preferia que algum dono de cachorro falasse a verdade: ”Ele não me morde, agora quanto a você... sei lá”.
Esses dias, em mais um confronto canino, tive uma epifania. Ao entrar no meu condomínio e dobrar em direção aos elevadores, fui surpreendida por três salsichas sem coleiras (sei que rottweilers seriam realmente ameaçadores, mas concentre-se na quantidade: 3!!). Minhas pernas travaram, eu poderia ter passado o resto do dia ali congelada feito bife no freezer. Devo ter feito uma cara de apavorada além do normal. Dei a explicação de praxe e meu vizinho foi taxativo:
-É fobia.
Sem dizer mais nada, ele afastou com o pé seu exército de salsichas. Solidário, abriu caminho para eu passar. Naquele momento, entendi tudo: eu estava usando a palavra errada. Adulto pode ter medo da violência, da inflação, do leão do imposto de renda e olhe lá. Ter medo de cachorro é coisa de criança. O que um adulto esclarecido tem é fobia. Quantas quiser. Fobias são compreensíveis, contemporâneas, simpáticas, urbanas, modernas. Hoje em dia quem não tem uma fobiazinha para contar?
Meu medo estava desatualizado. Precisou ser renomeado para ser aceito socialmente. Era como se eu ainda falasse em vitrola ou calça de brim coringa. Por isso, ninguém entendia. Não sei o nome do vizinho, qual é seu apartamento, se é psiquiatra ou decorador. Não importa. Graças a ele, estou curada. Não tenho mais medo de cachorro. Agora tenho fobia.

20 de mai de 2011

Profissão: testadora de cremes

Mãos secas. Tão secas que desconfio estar perdendo as impressões digitais.

Foto: Share some Candy

19 de mai de 2011

O que fazer com uma caneta Bic preta

Relógio biológico X horas de estudo

Atenção mulheres que deixam pra ter filho mais tarde, bem mais tarde, o mais tarde possível, depois dos 40, depois da próxima viagem, depois da próxima promoção na firma. Não tenho nada a ver com isso mas me sinto na obrigação de alertar: não demorem tanto assim.
O problema não é a queda na produção de óvulos. Eu me refiro a outras coisas que vamos perdendo com o tempo. Paciência, por exemplo (tão fundamental quanto leite materno). Pique pra brincar. Disposição e disponibilidade pra chegar em casa e assumir o terceiro turno com estudos, temas e pesquisas.
Levar e buscar no colégio não é nada. E quando você, na mesma noite, tem que mergulhar nos períodos paleolítico e neolítico, depois trocar de quarto e discutir os conceitos da filosofia? Ontem fui dormir com o cérebro em frangalhos. Como vai ser no vestibular? Tem mães que nem se envolvem com a vida estudantil dos filhos. Acho isso tão improvável quanto gabaritar prova de física.

16 de mai de 2011

Saudade de recortar revistas



Scrap é um jeito adulto de recortar, colar e se divertir. Mais ou menos como a gente fazia no tempo do colégio, na aula de Artes. Scrapatorium é um blog cheio de inspiração. Mas não espere colagens convencionais. Angelica Paez é uma artista que tem técnica e bom humor. Isso também se percebe nos títulos que ela dá para suas obras. Eu decoraria todas as paredes da minha casa com posters assim. Já imagino uma série de produtinhos charmosos, como jogos americanos e bandejas. Acho que vou me associar com a Angelica hoje mesmo!

Dica do site Radar 55

13 de mai de 2011

Voyeur de cabide





Esses dias descobri o Closet Visit. Jeana Sohn é uma koreana que mora em Los Angeles e adora espiar o guarda-roupa de mulheres estilosas. Quem não gosta? As fotos são lindas, as roupas também.

A sete chaves

Eu daria a chave da minha casa para essa pessoa? Taí um bom critério de confiança.

Foto: Kris Atomic

11 de mai de 2011

Ativismo menstrual

Eu não sabia que existe o Dia da Menstruação. Nem que algumas mulheres, inclusive no Brasil, se reunem pra celebrar o próprio sangue. E que artistas adeptas dessa filosofia em 2009 transformaram o sangue da menstruação em batom, pintaram suas bocas e foram fotografadas para uma exposição na Bienal de Veneza.
Nunca imaginei que, em pleno século 21, alguma mulher quisesse usar toalhinha de pano como absorvente. Ou pior, usar Moon Cup - um copinho de silicone que coleta a menstruação. Também não sabia que inventaram o termo "ecofeministas" e que essas colegas espiritualizadas propõem rituais pra devolver o sangue à mãe natureza. Tá tudo contado nessa matéria que saiu hoje no caderno Equilíbrio da Folha SP. E o Google contou mais.
Em que mundo essa mulherada vive? Não é o meu, com certeza. Amo OB, Tampax e todos os modernismos higiênicos - principalmente o DIU Mirena, que impede a menstruação. Isso sim é pra celebrar.

Lingerie Manifesto

Notícia da Folha SP e do site Blue Bus: roupas íntimas terão que ser vendidas no Brasil com etiquetas alertando contra câncer de mama, colo de útero e próstata. O projeto de lei já foi aprovado. Hello???
Não sou fumante, mas tenho certeza que aquelas imagens com alertas nas caixas de cigarro não comovem a turma da fumaça. Será que alguém vai se sensibilizar com um aviso impresso numa etiqueta de cueca? Homens são capazes de deixar de usar cueca só por ela tocar no assunto do exame de toque. E as mulheres, que deveriam apalpar suas mamas no chuveiro e esquecem? Será que vão lembrar de marcar ginecologista cada vez que abrirem a gaveta das calcinhas? Ninguém lê livro, o que dirá etiqueta de roupa.
Particularmente, essa lei não vai me mobilizar pelo simples fato de que eu corto TODAS as etiquetas de lingerie. Não quero ter intimidades com aquele pedacinho inconveniente de tecido.
Tomara que essa lei ridícula irrite a Dilma e ela delete o assunto.

9 de mai de 2011

Modelito cyber


O Japão também tem Fashion Week. Esses looks são do estilista Kunihiko Morinaga. Muito pixel pra usar na frente do computador. Divertido? Too much?

7 de mai de 2011

A força das marcas

Ele tem a mesma carinha amada desde o dia em que nasceu. Não mudou quase nada, sempre foi a cara do pai - um xerox sem toner, como eu gosto de dizer. Desnecessário fazer exame de DNA. Quem conhece o Ricardo, sabe. Até a mesma facilidade com matemática e física o danado tem. Eu ficava procurando algum traço meu, além do tom mais claro da pele. Talvez o branco do olho. Nada. Cada vez mais igual ao pai. Depois de 15 anos, apareceu.

O Rafa herdou a minha miopia. Desculpa aí, cara! A gente não escolhe essas coisas. Se pudesse escolher, eu reservaria pra ti o meu melhor. E te faria com as minhas bochechas, o meu nariz, o meu cabelo, o meu dedão do pé (o dedinho não), o meu formato de unha, o meu sinal nas costas. Igualzinho, de confundir e comentar: "nossa, nunca vi mãe e filho tão parecidos!

Digamos que a genética tinha duas marcas fortes pra misturar e privilegiou uma delas. Na hora de selecionar algum atributo meu, pegou justo a visão desfocada.

Sorte que o Rafa, como sempre, encarou tudo numa boa. E foi ajudado por outra marca assim que entrou na ótica. Além das pranchas de surf e roupas iradas, a Quicksilver fez o grande favor de criar armações descoladas. Nenhum moletom seria mais útil nesse inverno do que um óculos dessa marca.




(Não tenho foto do Rafa com óculos de grau. Como diria Lulu Santos, "ainda vai levar um tempo".)

6 de mai de 2011

Filme lindo

Fnac e O Diário De Uma Demitida

Pra que é de Porto Alegre: segunda-feira dia 9 de maio, às 19h, tem lançamento do meu livro na livraria Fnac do Barra Shopping. Vai ser uma conversa divertida com minha amiga, escritora e roteirista Claudia Tajes e mediação da jornalista Carol Reque. Te espero lá!

De novo???

De novo eu abro o jornal e leio que outro bebê foi encontrado morto dentro de um carro, dessa vez na cidade de Novo Hamburgo. A história é sempre parecida: o pai levou a menino ao médico e, antes de deixá-la na escola, resolveu dar uma passadinha no trabalho. O resto, você conclui.

Na véspera do Dia das Mães, a gente tem que ler um troço desses e começar o dia revoltada. Não vou trucidar esse pai, ele fez isso sozinho.

Pelo contrário, vou tentar entender a loucura de mundo em que a gente vive, onde uma tragédia desse tipo se repete. Até deixar sacola no carro é perigoso hoje em dia. Esse homem devia estar numa pressão desgraçada pra dar a tal passadinha no trabalho. Já tinha se atrasado por causa do médico, iria se atrasar mais por causa da escola.

Ou então ele não estava acostumado a esse tipo de tarefa, não conseguiu acumular funções como a maioria das mães (e pais participativos) fazem.

Já passei por isso tantas vezes que perdi a conta. Assim como já alcancei pro Ricardo muito sanduíche pra ele comer no meio do caminho. A gente corre, se sente culpada, chega atrasada, vê cara feia (inclusive a nossa, no espelho do elevador). Médicos e escolas fazem parte da criação dos filhos, não tem como evitar. O bom senso é quem marca as consultas.

Não sei o que dizer para esse homem esquecido. Que ele coloque o alarme do celular para lembrá-lo que deixou um bebê dentro do carro? Que ele anote na mão, com letras bem grandes? Que ele mande seu chefe a puta-que-o-pariu e primeiro deixe a filha na escola? Que não existe "passada rápida no trabalho" com uma criança esperando no carro? Que ele é um idiota irresponsável?

Sinceramente, tenho pena dele. No fundo, esse coitado é vítima das loucuras a que a gente se submete todos os dias, buscando sobreviver.

Coisa de mãe

Crônica para o site do Bourbon Shopping

Mãe consegue ficar (um dia?) sem elogiar os filhos. Mãe consegue ficar sem dormir – lembrando que pode levar anos até que ela volte a dormir de verdade. Mãe consegue ficar sem comer e, mesmo com fome, vai alimentar suas crias primeiro. Mãe consegue ficar sem a unha feita e com a cama desfeita, contanto que façam o dever de casa. Mãe consegue até ficar longe dos filhos, por mais que sinta falta deles. O que mãe não consegue, de jeito nenhum, é ficar sem se preocupar.

A preocupação está para as mães assim como a realeza está para o Reino Unido. Pode soar antiquado nos dias de hoje, mas faz parte do DNA.

Preocupação de mãe é artigo de primeira necessidade. Impossível imaginar infância sem “Te cuida!” e adolescência sem “Me liga quando chegar!”.

Desde que o mundo é mundo, ou talvez até antes disso, mães se preocupam com os filhos. Se alguém encontrar vida inteligente em Saturno, provavelmente vai descobrir que lá também funciona assim.

Entenda como preocupação o constante estado de alerta, aquela vontade de ter a mão imensa para usar como escudo protetor. Ou rede de segurança. Ou os dois juntos.

Tem algumas fases em que essa preocupação cresce como fermento em bolo. Já em outros momentos, fica do tamanho de um cupcake. O que é um alívio para os dois lados.

Não é à toa que preocupação rima com premonição. Mães enxergam perigo onde não existe – mas pode existir, especialmente se os filhos estiverem por perto. Pense em quinas de mesas e objetos pontiagudos. Pense em namoradas e namorados. Um perigo, sem dúvida.

Preocupação de mãe é como cabo de fibra ótica. Ultrapassa cidades e fronteiras, passa embaixo de oceanos, pega trem-bala se for preciso. Sabe aquela expressão “A gente cria os filhos para o mundo”? Todas dizem isso, eu mesma já falei. Só que em pensamento acrescentamos um complemento: “E ai do mundo se não cuidar direitinho dos nossos bebês.”

Preocupação de mãe não tem idade nem dia fixo da semana. Às vezes, não tem limites. Ao contrário do que possa parecer, é apenas excesso de zelo. Uma vontade de perpetuar o aconchego do útero e a segurança do colinho. Mãe nasceu para proteger e cuidar. Mãe quer notícias, quer saber onde os filhos estão, quer ser um GPS pra apontar o caminho. E não se importa de recalcular a rota.

Por isso, no dia 8 de maio agradeça todos os conselhos, carinhos, dicas, ensinamentos e até mesmo as preocupações. Falando nisso, mostre para sua mãe que você também se preocupa com ela. Só um pouquinho, vai.

5 de mai de 2011

Observatório urbano

Por que algumas pessoas dirigem com o braço pra fora do carro? A mão pendurada, o antebraço na guilhotina do vidro?
Não que eu ache perigoso. O cidadão é bem grandinho, deve saber o que faz. O que me incomoda é a arrogância daquele braço pra fora.
Eu achava isso um comportamento tipicamente masculino, uma homenagem aos caminhoneiros e suas estradas, um ato fálico com a lataria do carro, qualquer coisa assim.
Deve ser por isso que estranhei ao ver uma mulher dirigindo com o bração na boleia. Além de ter derrubado minha teoria, ela praticamente coçou o saco.
Fiquei olhando e tentando achar uma justificativa. Até que criei uma nova teoria: ela é ex-fumante, sempre dirigiu com o braço pra fora por causa do cigarro aceso!! Agora parou de fumar e ainda não conseguiu largar o vício do braço.
Pode não ser nada disso, mas preciso me distrair, passo muito tempo no trânsito.

Imagem: FFFFound

4 de mai de 2011

Brinquedo de adulto

Meu excelentíssimo marido não teve a chance de abrir a embalagem. E você deve lembrar como era bom vencer uma a uma as barreiras que nos afastavam do tão esperado brinquedo: rasgar o papel, jogar longe a fitinha, eliminar o plástico protetor e soltar aquelas tirinhas que prendiam o objeto de desejo na base da caixa.

Meus excelentíssimos filhos chegaram primeiro e fizeram tudo isso. Aliás, curtiram o presente como se eles tivessem pedido. Tiveram a gentileza de devolvê-lo pra caixa, deixando alguma surpresa pro Ricardo.

O Rafa ligou de dentro do elevador, rindo, pra contar:

-Mãe, chegou o fatiador de frios do pai!!

A internet virou loja de brinquedo para adultos. O Ricardo adora comprar cacarecos eletrônicos e espera com grande expectativa suas encomendas aterrissarem da China. Antigamente, era o Shop Time - lembra da incrível caneta (ou era esponja?) que apagava riscos na lataria do carro? Pois é. Nunca funcionou.

Os homens de hoje compram tanto quanto as mulheres - a diferença é que a gente circula cheia de sacolas pelos corredores dos shoppings e fica mais evidente. Eles são consumistas que se enganam. No máximo o porteiro do prédio percebe e, cúmplice, interfona avisando que chegou a muamba.

Por meses, eu tentei evitar essa compra. Fui voto vencido. E qual a minha surpresa quando vi o tal fatiador?

-Putz, é maior do que eu pensava!

Nesse tipo de compra, sou eu quem faz o papel da pessoa racional. Claro que fiz a célebre pergunta "tu precisa disso?" e lógico que nem tive resposta.

Passado o impacto do volume, veio a grande interrogação.

-Onde vou guardar isso???

O fatiador ficou empilhado com as baixelas, mais ou menos como os frios ficam logo após serem fatiados. Para ver meu meninão sorrir, ontem fui no supermercado e comprei metade daqueles retangulões de queijo. Saíram fatias razoáveis e muitos nacos que valem por três. "Estamos testando", foi a explicação que recebi. Se é pra ter fatiador, então que sejam fatias transparentes de tão finas!

A única coisa que o Ricardo não curtiu muito foi ter que lavar o brinquedinho depois. Rapidamente, levei o trambolho de volta pro armário-depósito. Temos queijo cortado pra uma década.




Imagem: FFFFound

Zaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaapt!

Como num passe de mágica, voltei!!
E foi bom ter sumido tantos dias. Eu sempre quis usar essa imagem. Agora consegui.