6 de ago de 2009

A inspiração pra escrever pro site do Bourbon Shopping

Paiêêêê

Que bom que eu não tive filho antes dos anos 90. Os pais que nasceram nas últimas décadas são a evolução da espécie, a companhia perfeita para estar ao nosso lado na hora do parto. E, principalmente, depois.
Os pais de hoje são as novas mães. Antigamente, muitos deles se comportavam como parentes distantes. Apareciam nas fotos de aniversário, davam dinheiro e conselhos esporádicos, se protegiam atrás da gravata, não tinham tempo nem saco de brincar. Provavelmente não eram tão solicitados como os de agora.
Os novos pais enjoam e engordam em solidariedade às gestantes. Trocam fralda, amamentam com leite em pó, dão banho, secam o cabelo da prole. Educam os seus, os meus, os nossos. Preparam o jantar, estudam junto, dão remédio, jogam Guitar Hero com os filhos e vestem as Barbies das filhas (aposto que sim). Quem sai ganhando com esses pais redesenhados? Os filhos, óbvio. E as mães, com certeza! A divisão nem sempre é 50%, mas quem está ligando para porcentagem numa hora dessas?
Quando as crianças são pequenas, o trabalho é braçal. Toda ajuda é bem-vinda. A prova de fogo vem na adolescência. O mesmo pai que jogava o bebê pra cima (assustando a mãe e os avós) com o controle total da situação, vai ter que segurar a onda nos assuntos sexo, drogas e rock'n'roll. Imagine a gente cuidando disso sozinha, é responsabilidade demais. E se você achar que está sobrecarregando seu marido, lembre de quem ficou com as estrias de recuerdo.
Vivendo junto ou separado, pai precisa estar sempre por perto e, mais do que tudo, próximo. Sem receio de perguntar o que o filho fez ou não fez, disposto a ouvir as respostas, histórias, piadas, segredos, reclamações. É no convívio que se formam os laços, que se apontam os cadarços desamarrados, que a paternidade evolui para a amizade.
Pai não é o chato que manda comer salada, é o parceiro que também faz cara feia para a alface no prato. Pai é a referência masculina. E mesmo com a sensibilidade adquirida, ainda mantém a voz grossa que eles milagrosamente obedecem. Quem consegue pegar a bola que ficou presa lá em cima (sem precisar de escada)? Quem dá os abraços mais fortes, aqueles que tiram do chão e fazem voar?
O novo pai é o super herói que não paga mico de usar fantasia. Eu adoro observar meu marido com nossos filhos. Os três se entendem e se completam. Eles sobreviveriam sem mim. Já, eu, não vivo sem eles.

5 comentários:

Fernanda Reali disse...

Após 40 dias de férias em meio a diass frios e chuvosos (sem praia), eu já modificaria a frase para:
Por que tive filho antes dos 90 anos? ufa!

Gislaine Fernandes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gislaine Fernandes disse...

Olá Magali li seu texto e amei...me senti um pouco nele pois tenho um filhote de 4 anos, e o pai...ah o pai não é presente mas me desdobro pra ser pãe...mas também desejo que eles dois se entendam pq não tem coisa melhor do que ter pai e mãe e ter o carinho dos dois,sou consciente de que não subistituo o pai dele,carinho nunca é demais,um dia ele acaba entendendo que perdeu muito tempo não visitando o filho, não indo com ele ao cinema, ao shopping,ao paruqe a missa,e até nas noites de febre,de idas ao médico...tomara que quando ele perceber não seja tarde demais.
Beijos

Valy disse...

Filha és incrível, tenho muito orgulho de ti . O meu genro é tudo isto que escrevestes e muito mais, nota 10 para ele, sempre. Beijos.

Marcia disse...

aaaahhhhhhhhhh Que lindo!!!!!!
bjss