15 de set de 2009

Tranqueiras

Tenho muita facilidade em me livrar de tranqueiras materiais. Passo adiante as roupas que não quero mais, os livros que não dizem mais nada, a planta que não vingou, os brinquedos que perderam o sentido. Às vezes até me arrependo, faz parte. Mas para que manter a bicharada de pelúcia empoeirando na prateleira, se os filhos já estão em outra fase? Tem que abrir espaço para o novo, por mais óbvio que seja. Se o ciclo fechou, tchauzinho. Passa a chave, desapega e segue em frente.
Com as coisas materiais, é fácil. Já se livrar das tranqueiras emocionais é complicado. É que nem tudo dá pra pegar na mão e enfiar no saco de lixo. A gente pensa que esvaziou bem as gavetas mas lá no fundo sobrou alguma porcaria – sem utilidade nenhuma, só pra tomar espaço da alma. Porém todavia contudo, chega o dia em que a gente consegue juntar essas tralhas e se livrar definitivamente.
Ontem eu enchi um telentulho enorme com tranqueiras emocionais. Encontrei uma turma que fez parte da minha vida e que deveria estar enterradinha lá no passado. Agora foi. Mantive o que ainda importa e me livrei de tudo que já não queria mesmo. Alívio indescritível! Foi um ano de terapia em uma hora, e eu só paguei o estacionamento. Ficou a lição, anote aí: os pontos finais a gente precisa escrever com pincel atômico, nunca com lápis ou caneta de ponta fina.

3 comentários:

Lu disse...

Adorei, Magali, adorei.
Beijos

Fernanda Reali disse...

Aadorei e vou dar um CTRL C e um CTRL V lá no meu blog. Até o fim de semana, vou postar teu texto. Faz bem relembrar essas regras.
Bjs

crisfrancioni disse...

Bah. Nem sei o que falar. Trancairas emocionais, gavetas que parecem sem fundo... sei bem como é. Adorei esse texto, mais pelo o que sei que ele representa do que qualquer outra coisa. Um brinde, de Cosmo, claro! Beijão e... tô com saudades, poxa!