4 de jan de 2011

A síndrome do ninho vazio II, por Claudio Franco

Dê uma criança para um brinquedo

Toda criança tem direito a brincar. Sempre. Brincar é tão bom. E brinquedos estão sempre dispostos. Do mais tecnológico com pilhas novas, até a latinha de achocolatado que virou tambor.
Lembro de uma campanha de doação de brinquedos que fiz com o amigo e colega de profissão Zeca Honorato. Dizia que "toda criança tem direito a um brinquedo. E todo brinquedo tem direito a uma criança". Gosto muito desse trabalho e guardo com carinho até hoje.
Pensei muito nessa campanha ao baixar várias prateleiras de brinquedos do armário da minha filha. Jogos, bonecas, casinhas, caminhas, bolas e muito mais veio abaixo. Confesso que tive que fazer isso sozinho para evitar uma defesa quase que jurídica a cada brinquedo. E pensava na história de cada um. O jogo da memória que tantas vezes perdi feio. Ele ainda vai fazer muitos pais perceberem que não há nada como uma "cabeça nova" pra te derrotar. As muitas caixas de quebra-cabeça com os mais variados temas e personagens. Gastei um tempo colocando as peças nas caixas certas, afinal, os novos proprietários teriam que recebê-los completos para montar e remontar muitas vezes mais.
Também desceram lá da última prateleira muitas bonecas. Os pais de meninas sabem. É exatamente proporcional aos pais de meninos e seus milhares de carrinhos. As Barbies ruivas, loiras, morenas, borboletas, cantoras, dançarinas e até ciclistas. As que imaginei que não fossem me render um processo judicial por sequestro foram direto pra a caixa pra soltar as tranças, tomar muito banho de pia, cantar e voar em outra freguesia.
E não há como não lembrar o filme Toy Story. Só mesmo um gênio pra fazer uma animação tão verdadeira. Assim como no filme, não parei de pensar na agitação daquela turma que entrava na caixa de doações. Ou dos que esperavam ansiosos na prateleira para serem escolhidos. Juro que ouvi alguns barulhos estranhos quando se juntaram umas três ou quatro Barbies na mesma caixa.
Mas aquela caixa não era um "calabouço" ou um "triturador" de brinquedos. Era uma caminho para novos sorrisos, novas brincadeiras, novos voos, novas briguinhas, novas prateleiras e novos amigos. Mesmo que tenha feito o "trabalho sujo" sozinho, antes de me despedir das caixas e sacolas cheias de brinquedos, convidei minha filha para, num ato simbólico, fazer uma despedida daquele joguinho de memória. Ela adorou a ideia e colocou mais umas três vitórias no seu currículo.
Valeu. O dia chuvoso ideal para essa tarefa terminou num belíssimo final de tarde. E, num último olhar naquela caixa que ocupava um lugar na sala, enxerguei muitos brinquedos brilhando novinhos em folha. E a turma lá de dentro, ao contrário do famoso filme, vibrando à espera dos novos donos. (ZH, 24/12/2010)

4 comentários:

Cinderela Descaída disse...

Um lindo texto mesmo. bjs

Alexandra disse...

Bom o texto do Cláudio, hein. Eu fiz o mesmo neste final de ano e ainda acho que não separei o suficiente.
bjs grandes
Alexandra

CASA 139 disse...

Obrigado redatora da Estilo Zaffari. Beijos e bom 2011.

Tocando a vida disse...

Sempre faço isso perto do Natal! Um exercício de desapego!