14 de out de 2010

A agência bancária é o novo cartório

Não sei o que me deu na cabeça, mas hoje entrei em um banco. E o pior, um banco que nem é o meu. E pior dos piores, entrei na fila do caixa. Tudo para descontar um cheque. Eu poderia ter feito o depósito em 5 segundos num caixa automático. É que o banco em questão fica ao lado da minha casa e achei que ganharia tempo. Gastei meia hora olhando angustiantemente para o número da senha e o número que chamavam no painel. A ansiedade tocou no teto.
Naquele ambiente ultrapassado, sem saber direito por que eu ainda estava ali, me dei conta de uma coisa importantíssima: a humanidade evoluiu muito. Felizes de nós que vamos no site do banco. Não precisamos mais do espécime físico, não como antigamente. Eu me senti lavando uma leiteira que não é T-fal, com o leite grudado no fundo. Ninguém mais lava leiteiras, não quando se pode esquentar o leite no microondas e sujar só a xícara.
Voltando à agência bancária, ela é o novo cartório. Ainda é necessária para algumas coisas, mas podemos ir infinitamente menos. Tem cheiro de mofo, teia de aranha, parece deslocada dentro do mundo contemporâneo. Graças ao bom Deus cibernético, temos a internet. God save the WWW. Foi importante essa experiência para dar mais valor aos avanços do século XXI. A gente nem percebe mais o atraso que era a nossa vida. Sem falar na desagradável função de abrir a bolsa, tirar tudo, o alarme apitar, o guarda xeretar meus pertences. Logo a minha bolsa, que é praticamente um armário. Já isso não vai mudar nem em 2089.

Foto: FFFound

Um comentário:

Lu disse...

Confesso: eu aqueço leite na leiteira. Mas pelo menos é de T-Flon. Adoro o cheiro do leite quando ele ta quase fervendo, naquele instante em que ele sobe todinho e a gente corre pra desligar a boca do fogão. Tenho prazer em fazer isso.
Mas odeio ir a banco com todas as minhas forças e por mim, eles poderiam sumir do mapa. Dataram.

Beijos