22 de out de 2010

Já não basta sentar na poltrona do meio?

Eu tinha planejado dormir no voo de volta para Porto Alegre porque a noite passada foi de trabalho árduo. Então me acomodei na poltrona e estava quase fechando os olhinhos quando a menina má sentou do meu lado. Ela e seu fone de ouvido que mais parecia um amplificador. Um segundo depois da sonzeira começar, minha vontade era largar uma versão mais elegante de "Dá pra baixar essa porcaria?"
Não consegui. Fiquei treinando mentalmente tantas formas de abordagem e entonações que o sono foi embora. Achei melhor pegar a menina má do Vargas Llosa e ler, já que o livro está tão bom. E o bate-estaca zunindo na minha orelha direita.
Por que a gente fica constrangida de comunicar aos outros que eles estão nos incomodando? No meu caso, acho que foi excesso de educação. Eu não quis parecer mais mal educada do que ela - uma preocupação sem cabimento, já que a menina má paulistana não parecia ser preocupar com ninguém. A gente jamais aceitaria que outro passageiro viajasse sentado no nosso colo. O mesmo deveria valer se ele quisesse ocupar nossos ouvidos.
Talvez tenha sido o lanche a bordo. Teve uma hora em que criei coragem e bati no seu ombro. "Será que você podia baixar um pouco o som?" Ela não moveu um músculo da face, não disse uma palavra e diminuiu. Aí foi o comandante quem falou: "Atenção tripulação, preparar para a aterrissagem".
Os últimos minutos de voo foram uma tranquilidade só.

Foto: designineurope.eu

3 comentários:

Clau Finotti disse...

Oi!!!
Já passei por situações, aliás, inúmeras situações parecidas, quando morava numa cidade e trabalhava em outra, e viajava moooointo de ônibus. É casa história de se arrepiar... os manés usavam o celular como radinho, para ouvir música, e sem fone...afff... e como a gente tem receio de dizer que o outro está incomodando, né? A gente espera que ele desconfie e ele se fia justamente na nossa educação. Mas várias vezes já pedi para abaixarem, já que eu viajava duas vezes por semana e essa a única hora que eu tinha para ler ou estudar.

Desejo sorte na próxima...

Bjo.


Clau

Márcia Gonçalves disse...

Estou em uma situação parecida por causa do cara que mora no apartamento embaixo do meu e fuma na janela todas as noites (e madrugadas), e a maldita fumaça sobe direto para a minha janela. No verão, que tento dormir de janela aberta, é o verdadeiro inferno por casa do fedor do cigarro (isso qdo ele não fuma outras coisas tb...) Para quem é uma não fumante convicta e até meio traumatizada, nada é pior. A gente não quer se incomodar com vizinho e vai relevando, já estou há mais de um ano ensaiando para falar com o síndico... Triste...

Rossy disse...

Nossa linda juventude...♪