28 de jun de 2011

Uma matéria que não saiu :((

Homem: um must-have


Imaginar a vida das mulheres sem os homens? Achei que seria tarefa fácil. Nós vivemos reclamando deles e vice-versa. Pensei que encheria páginas e páginas com picuinhas comportamentais. Enxerguei uma longa e cor de rosa lista sobre a felicidade de habitar um mundo povoado por sutiãs, esmaltes, blushs e liquidações.
Mas foi só abrir a porta de casa e me deparar com o primeiro tênis jogado no chão, para cair na real e perceber o quanto sou dependente da testosterona. E o quanto sou feliz cercada de homens – tenho dois garotos maravilhosos, um marido incrível, um pai pra lá de especial, um tio-guru, um cunhado-paizão, muitos amigos homens (alguns deles, mega blaster power friends), além de ter no currículo dois irmãos que proporcionaram uma infância cheia de socos e me prepararam para a guerra. Definitivamente, não posso ser feliz longe das cuecas.
Acredito que o universo feminino é tão amplo, subjetivo e rico de sutilezas justamente por causa da simplicidade do raciocínio masculino. Para eles é sim ou não, é agora ou nunca, é toma lá, dá cá, é preto no branco. Para a gente é talvez, quem sabe, porém, apenas, entretanto. Homens são ponto final, mulheres são eternas vírgulas. Vamos acumulando sentimentos e pensamentos de forma ininterrupta. Interpretamos tudo e todos, supervalorizamos os detalhes – às vezes é cansativo ser mulher.
A objetividade dos homens é o contraponto perfeito para os nossos dramas. Antes que você me chame de exagerada, pense em como um cabelo com frizz ou uma unha lascada podem acabar com nosso humor – para um homem, esse tipo de problema provoca no máximo uma sobrancelha erguida. E ai da nossa sobrancelha se não estiver impecável. Mulheres se cobram demais, se questionam, remoem diálogos. Homens se economizam. Por isso, nós precisamos deles. É uma questão de equilíbrio.
Lembra do filme "Ele não está tão a fim de você?" Se não assistiu, pegue na locadora. Ou então leia o livro de mesmo nome. A simplicidade dessa frase ilustra bem a clareza masculina no que diz respeito aos relacionamentos. Tanto que o garoto que fala isso acaba virando consultor sentimental da protagonista – ou tradutor simultâneo. Tenho um amigo que diz a mesma coisa, com poder maior de síntese: “Vocês complicam muito.”
É verdade, infelizmente. Além de ser uma legítima representante da ala feminina e confiar 99,9% na minha intuição, sou libriana. Posso ficar uma vida inteira pesando os prós e contras, sem chegar a nenhuma conclusão. Entendeu a importância da ala masculina no meu dia a dia? Sem contar que adoro criar personagens e ver histórias onde geralmente só existe um parágrafo. E não devo ser a única. Os homens, não. Abusam do lado esquerdo do cérebro. São pragmáticos. Merecem escolher o lado na cama. E como dormir de conchinha sem eles?
Em hipótese alguma eu gostaria de ter nascido homem, nem para fazer xixi em pé numa rodoviária imunda. Também em hipótese alguma consigo me imaginar satisfeita vivendo em um mundo estritamente feminino. Deve faltar assunto rápido. Sem homens, vamos falar sobre o quê? Nos nossos happy hours, eles são o fio condutor da conversa. Homens devem ser os responsáveis pelo maior número de ligações telefônicas entre o sexo oposto. Eles são nossa pauta preferida, cheios de defeitos e contradições pra gente destrinchar. As revistas femininas teriam o mesmo problema. Muitos anúncios seriam publicados tentando preencher o vazio, nos oferecendo outros prazeres.
Se baixasse em mim o espírito de um sábio cacique, eu diria que os homens estão para as mulheres assim como a gasolina para o carro. Fazendo uma metáfora um pouco mais feminina, eles são como o primer na maquiagem – preparam o terreno para valorizar nossos pontos fortes.
Dizer que precisamos de homens apenas para abrir pote de vidro e pendurar quadros é tão démodé. Esses clichês não fazem mais sentido. A humanidade percorreu uma longa estrada, os homens inclusive. Mesmo nunca pedindo informação no meio do caminho.
Voltando ao cenário fictício (e assustador) de um mundo povoado apenas por mulheres, fecho os olhos e enxergo tédio. Um faroeste sem duelo. Um copo sem gelo. Sem falar que a gente levaria anos até ouvir um elogio (sei que elogio vindo de mulher vale mais, mas é difícil).
Num mundo sem homens, considerando que alguma criança pudesse ser concebida, iríamos criá-la somente com a ajuda das vós, tias, dindas e vizinhas. Seria um estresse, possivelmente. A presença masculina acalma muito mais a mãe do que o bebê. E imagine privar o anjinho da emoção de voar para o alto e imediatamente ser resgatado por duas mãos fortes e peludas? Pai é montanha russa, mãe é roda gigante girando devagar para não machucar ninguém.
Concordo que teríamos menos futebol em nossas vidas. Mas isso vem incluído no pacote, prefiro baixar o volume da TV. Agora realmente não sei como ficariam as novelas e comédias românticas sem galãs. Para olhar as roupas das atrizes, já inventaram os desfiles. Como assistir aos Simpsons sem Bart e Homer? E a TV a cabo sem Dr. House, Two And a Half Man e Big Bang Theory?
Lembrando de ambientes geneticamente masculinos, o que seriam das borracharias e ferragens? Quantos vasinhos de plantas teríamos que colocar em cima do balcão para dar um ar mais feminino? E as empresas de mudança, que literalmente carregam um piano nas costas? Alguma mulher inteligente inventaria robôs para fazer o serviço pesado, aposto.
Na medicina, Urologia e Obstetrícia perderiam a razão de ser. Bancos de sêmen e clínicas de fertilização fechariam suas portas. Já outras especialidades como Dermatologia e Cirurgia Plástica precisariam de reforços para dar conta da demanda. Será que Freud explicaria nossa vida sem os homens? Terapeutas e psicólogas teriam que trabalhar até nos finais de semana para nos ajudar a encontrar um novo interesse. Eu acredito que seja parecido com a sensação de ter um membro amputado – a gente continua sentindo a presença deles mesmo assim.
Já o trânsito ficaria mais educado sem homens. A criminalidade cairia, pois mulheres teriam menos motivos para matar por amor. O estupro acabaria e os crimes hediondos diminuiriam sensivelmente. No mundo corporativo, seríamos mais produtivas sendo comandadas por mulheres? Até pode ser, mas o coffee break perderia a graça. A boa notícia é que, sem ternos e gravatas no ambiente, o taiuller de firma poderia enfim ser erradicado.

Feministas de plantão, calma lá. A gente iria se virar sem os homens, mulheres sempre conseguem tudo. E ninguém aqui vai reclamar de carregar sacolas pesadas no supermercado, já que nossos bíceps nunca foram tão sarados. O questionamento que faço é o seguinte: valeria a pena excluí-los por completo das nossas vidas? Duvido.
Tem horas (ou semanas inteiras) em que os homens são brutos, insensíveis, irritantes, insuportáveis. Mas prefiro administrar esses momentos a abrir mão da convivência com eles. Já imaginou só receber flores da mãe e das amigas? Fazer sexo só com a ajuda de pilhas? Não ter alguém que te chame de gostooooosa quando você mais precisa? Uma barba roçando no rosto tem o seu valor. E a pegada dos homens - daria para reproduzir em laboratório, embalar e vender?
Imaginar todo esse cenário é um bom exercício de criatividade. Mas, para mim, é o tipo de ideia que é melhor não sair da gaveta. Depois dessa reflexão, fica a dica pra gente se estressar menos e curtir mais. Não custa nada reconhecer o bem que os homens fazem. Até porque a recíproca é verdadeira.


Foto: FFFFound

Um comentário:

Alexandra disse...

Oi Maga
Saudades tuas!! Que matéria é esta que não saiu? Com tanta revista aí precisando de pauta, né? Bem, com 3 em casa, tu conhece bem o assunto. Neste momento não tô freelando e posso tomar aquele café ou fazer um almoço quando quiseres.
bjs
Alexandra