16 de out de 2009

Escolhas

Eu não costumo ver o programa da Ophra, mas ontem assisti. Estava zapeando e o assunto caiu feito uma luva: working moms X stay-at-home moms. Não que eu tenha decidido parar de trabalhar, imagina! Mas estar momentaneamente em casa faz com que eu tenha a experiência de viver esses dois mundos. Tipo aqueles filmes onde a mocinha quase morre, espia o lado de lá e depois volta para contar. E eu digo: é desgastante ser full-time mom.
Mas voltando ao programa, cada uma defendia com unhas e dentes a sua escolha. Tinha de tudo: a do avental todo sujo de ovo, a arrependida por trabalhar tanto, a sofredora por ter abdicado da carreira, a que enche a boca para dizer que abraço de mãe é mais gostoso. Achei bem sincero quando uma reconheceu que não teve a satisfação imaginada convivendo 24h com os filhos, então (para sorte deles) voltou para o emprego. E teve a new-mom que ouviu da creche escolhida a recomendação para botar na sacolinha do baby uma câmera descartável, assim ela não perderia momentos preciosos (1- perderam a cliente, óbvio. 2- isso é coisa que se diga pra uma mãe desmamando da cria?)
As décadas avançam, os países são diferentes, mas a culpa é a mesma. Same old, same old. Parece que mulher gosta de sofrer, independente das suas escolhas. Homem não carrega esse piano, não. A psicóloga que participou do programa foi pontual. Disse que é muito americano ser isso ou aquilo (republicano ou democrata, contra ou a favor do aborto). Não precisa ser assim. E foi mais longe: ter tudo é uma ilusão, a gente só se frustra porque nunca chega lá. Dra Robin também falou com todas as letras: não podemos planejar tudo, devemos aprender com as mudanças. Se a culpa existe é para nos ensinar, não para nos torturar. God bless her!
Trabalhando fora ou dentro, o que importa é estar conectada com os filhos e ensiná-los a lidar com seus sentimentos, inclusive os ruins. E que se dane o julgamento dos vizinhos.
Pay attention on what you need foi o recado final.

Um comentário:

Fernanda Reali disse...

Amo ver a Oprah. Achei bem sincera uma que disse que ficar em casa com os filhos não a preencheria, pois eles logo cresceriam e ela ficaria sem nada.

Tive medo de passar por isso, mas acho que fiz a escolha certa dentro da minha realidade. Nenhum parente para ajudar, toda ajuda que tivemos foi paga e muito cara, muitas falharam nos dias e horários e nos deixaram na mão. Foi sofrido no começo, mas hoje eu amo ficar em casa.

Tenho uma vida rica, cheia de amigas, cursos, tempo para ler, para o pilates, para passear com a Gabi, para fazer trabalho voluntário, mas seria horrível ficar em casa sendo SÓ a escrava do lar e não tendo vida própria.

Esta escolha é ruim porque a gente pode ESCOLHER SAIR do emprego, mas não pode ESCOLHER VOLTAR, porque aquele lugar já foi preenchido por algém mais jovem e que ganha menos. Para fazer estas escolha, tem que ter um plano B, dinheiro para abrir um negócio próprio no retorno, ou algo assim.

Os filhos ganham sempre, mas as mães ganham só em algumas situações.

Bjs!