4 de jun de 2009

Apenas um devaneio

Eu não teria o menor problema em ter dinheiro o suficiente pra não precisar mais trabalhar. Não digo nascer rica e folgada, porque aí não se dá tanto valor. O que eu gostaria é que chegasse uma hora em que desse para avaliar racionalmente o saldo no banco e apertar a tecla Foda-se. Depois, só a agradável rotina de gastar os dias.
Tenho certeza de que eu iria ocupar meu tempo muito bem, além do clássico inglês, massagem, academia. Quem sabe fazer um curso de francês, por exemplo, só pelo simples prazer de ouvir aquela melodia duas vezes por semana. Ou estudar para ser chef, fazer um pós sobre cinema, sei lá, desde que eu continuasse aprendendo algo. E manteria um turno livre para o saudável ócio.
Mas esse tipo de coisa não dá pra planejar antes, só na hora. De acordar, por exemplo. Tem sol lá fora? Hummm, então vamos aproveitar! Tá chovendo? É hoje que eu tomo café, volto pra cama e termino esse livro. Não consigo fazer isso nem aos sábados-feira, porque a listinha feita na véspera já avisa que tem lavanderia ou sapateiro esperando. Convenhamos, fazer agendinha para o fim de semana é coisa de assalariado, com horário pra tudo.
Eu utilizaria boa parte do tempo para cuidar dos detalhes da próxima viagem (sempre seria véspera de viajar). Isso é outro sonho de pobre, viver empurrando a mala de rodinhas por aí. Só que não conheço jeito melhor de gastar tempo e dinheiro.
Uma vez, nós quase moramos nos Estados Unidos. Meu marido iria a trabalho, as crianças iriam para a escola. Eu, pela primeira vez na vida, teria seis meses pra gastar como quisesse. Trabalhar, estudar, escrever ou só viver a experiência. A viagem não saiu, vai ver eu não nasci mesmo pra ser folgada. A outra brecha de tempo surgiu ano passado, naquele penoso processo da demissão (você deve ter acompanhado pelo blog). Na época, uma amiga disse tudo: “é sempre assim, quando a gente tem tempo, não tem dinheiro. E quando tem dinheiro, nunca tem tempo.” Quem sabe, um dia.

2 comentários:

Lu disse...

Ai, Magali, concordo em gênero, número, grau, ponto e vígula contigo. Eu não teria o menor problema em ser folgada e só fazer aquilo que EU quero fazer. Não nasci pra viver encostada, isso não. Prova disso é que tenho prazer em acordar cedo no sábado e fazer todas as coisas que nunca consigo fazer nos dias úteis da semana, como ir ao salão e à feira. Total coisa de assalariada, como tu dissestes.
Mas assim como tu, se tivesse grana pra viver sem trabalhar, ia me ocupar fazendo mais aulas de costura, aulas de italiano, de inglês e lógico, viajando muito!
Ai, ai, que sonho....
Beijos

Anônimo disse...

Magali,
vivo fazendo uma conta simples (e a minha analista ri muito todas as vezes que digo: calculei de novo...): quanto tempo eu poderia viver moderadamente com a grana que tenho e vendendo o pouco que tá no meu nome.
Não aqui no sul da Europa, se é pra fazer isso, no meio dela seria melhor.
Pô, virei leitor mesmo. Metendo o bedelho em tudo.

Raul.