4 de jun de 2009

Mais uma crônica para o site do Bourbon Shopping

Paixões múltiplas



Que mulher não se apaixonou por uma bolsa? Que homem não fez o mesmo com um lançamento de carro (mas chamou isso de excelente oportunidade de mercado)?
A paixão acontece não só entre pessoas. Nossa vida é uma colagem de momentos onde a atração e o coração acelerado nos denunciam. Pode ser uma paixão arrebatadora por uma praia, um filme, um esporte, um restaurante, uma casa, uma cidade - são tantos os pretextos para se apaixonar perdidamente. Tem louco que se apaixona até pelo trabalho!
Para esticar a paixão, inventaram o namoro. Ele é um estado de espírito, por isso é tão bom. Com o nobre objetivo de conhecer melhor a pessoa, grudamos feito cola bonder. Tem gente que se encanta quando descobre os mesmos interesses, há quem se apaixone justamente pelas diferenças. Namoro é aprendizado, uma aula que ninguém quer perder. Acho que a paixão termina quando a gente pensa que já sabe tudo sobre o outro e banaliza o olhar. Vê mas não enxerga.
Uma vez fiz um curso com Charles Watson, um intelectual carioca disfarçado de professor de artes. Lembro até hoje de algo que ele disse, entre tantas coisas brilhantes: a partir do momento em que o nosso cérebro nomeia um objeto, ou seja, entende para que serve e como funciona, perde o interesse. Vai dizer que isso não acontece em muitos relacionamentos?
A verdade é que é impossível estar sempre apaixonado, não com a intensidade do comecinho. O coração nem aguentaria, precisa acalmar um pouco. No casamento, a lovestory se torna vulnerável a fatores externos como sogra e saldo negativo. Então precisamos nos apaixonar de novo, de preferência pela mesma pessoa.
Posso estar enganada, mas o segredo é reaprender sobre quem dorme ao seu lado. Aquela gostosa sensação de voltar a estudar depois de um certo tempo. Para isso, tem que observar e se manter atualizado sobre os gostos, os sonhos, os desejos do outro. Não é só corte de cabelo que muda. Se a gente estiver atento, essas descobertas podem gerar múltiplas flechadas do cupido.
Dizem que depois da paixão, vem o amor. Eu digo que o importante é nunca faltar cola bonder em casa, para que uma gotinha grude de novo o casal sempre que for preciso.

4 comentários:

Krisley disse...

Eu queria uma cola bonder pra colar uma coisa que foi separada a algum tempo..

Umas coisinhas dele ficaram aqui comigo, mas será que ficaram umas coisinhas com ele também??

clarissa disse...

ai, maga!
que amorzinho, gostei tanto!
:)

beijobeijo, colado assim

Dieni disse...

Não consigo desgrudar do teu blog! é muito bom!!

Beijos da fã

Fernanda Reali disse...

Aff! A noite de hoje promete!!!
Bora abrir tubinho de cola...
Bjs