23 de jun de 2009

Dolce agonia

Tem tantos escritores que ainda quero ler. Aí aparece outro livro da Nancy Huston e eu me vejo obrigada a atrasar a listinha para voltar aos preferidos. Li Marcas de Nascença e me apaixonei. Que narrativa poderosa ela tem. A gente gruda feito marcador com ímã. Lê, vira a página e leva uma cacetada no meio do parágrafo. A leitura segue assim. Jane Houston surpreeende, desconcerta. Eu, que adoro ler antes de dormir, não me dou por vencida. Os olhos pesam, o cérebro ronca, provavelmente vou ter que voltar ao mesmo trecho na noite seguinte. Mas não tem como parar. Não agora. Só mais uma página. Falta pouco pra acabar esse capítulo. O despertador nem quer saber, amanhã vai tocar cedo. Com ou sem Nancy Huston.
Agora estou lendo Dolce Agonia, que ela escreveu antes de Marcas de Nascença. Comecei há pouco e já cheguei na metade. Um problema. Livro bom a gente quer devorar e economizar ao mesmo tempo. Um jantar de Ação de Graças, a reunião de doze pessoas que passariam a data sozinhas. Cada um com seus problemas, todos dão uma trégua na vida para comer bem e celebrar. Enquanto isso, você engole em seco. Deus é o narrador. Intercalando cada capítulo sobre o jantar, ele escolhe um dos convidados pra contar como e quando o infeliz vai morrer. Matar o peru, pelo jeito, não foi suficiente. Deus é cruel na narrativa. Dá uma agonia saber que a página final de todos nós também deve estar escrita. Se tem um lado dolce lendo esses capítulos, é que dessa vez não é você.

Um comentário:

felipe disse...

Me deu muita vontade de ler. Que poderosa resenhista de literatura, amiga!