29 de mai de 2009

Alarme

Eu pareço um alarme que dispara no meio da noite. Tudo por causa de uma tosse seca e incontrolável. Ela dispara e para. Dispara e para. Quem consegue dormir com um barulho irritante desses?
Às 23h, eu estaciono no travesseiro e apago. Quando todo mundo está no bom do sono, a tosse é acionada e começa o inferno (ou seria inverno?). Os alérgicos sofrem nessa época do ano. Já apelei pra médico, xarope, pastilha, anti-inflamatório, dois travesseiros. Nunca tomei tanta água na vida. Chega uma hora em que desisto, vou até a cozinha e recorro ao velho leite quente com mel, que tem mais efeito psicológico do que científico. Volto a dormir vencida pelo cansaço, feito bateria que acaba.
Essa noite, o barulho foi maior. Eram dois alarmes disparando, vindos de quartos diferentes. Sinceramente, não sei como o Ricardo aguenta. Se eu continuar tossindo assim, ele vai cortar algum fiozinho meu para resolver a questão.
O que me consola é a solidariedade dos conterrâneos. Esses dias a tosse disparou dentro do táxi, como se fosse de madrugada. O motorista me olhou com aquela cara de quem acabou de passar por isso. "Não adianta remédio, tem um tempo certo pra sair do corpo". E contou que ficava com vergonha de tossir na frente dos clientes. “Dona, eu segurava, seguraaava, e a lágrima corria.” Ô gaúcho de fibra.

28 de mai de 2009

Chova ou faça sol

Se um dia eu resolver mudar de profissão, já tenho duas hipóteses descartadas: dona de pet shop e apresentadora de previsão do tempo.
A indefinição climática desse país deve gerar muito constrangimento e descrédito. Um cão de raça custa caro porque tem pedigree, todo mundo sabe disso. Mesmo com medo de cachorro, eu saberia justificar a cotação do Chiuaua. E pra ficar bem seguro, o cliente poderia comparar os preços na concorrência antes de decidir a compra.
Mas e a decisão da roupa, de manhã cedo. Quem garante? Eu comparo quantas previsões do tempo antes de me vestir? Procuro na internet, ligo o rádio, dou uma volta na quadra – e me atraso mais ainda. A frente fria que foi anunciada nunca chega no dia certo. Se dizem que vai chover, abre sol. Quando a previsão é tempo firme, aparecem as nuvens. O vento noroeste vira desculpa pra tudo. A massa polar também é usada como bode expiatório. Sem falar nos hermanos. Talvez eu precise ouvir a previsão do tempo na Argentina e no Uruguai pra deduzir o que vai acontecer aqui.
Imagino a Rosana Jatobá indo na padaria, depois de um dia de trabalho. Ela corre o risco de tomar uma guarda-chuvada de alguém que acreditou nas suas palavras. Ou ter que dar satisfação a quem está de rola rolê, morrendo de calor, com o termômetro lá em cima.
No Sul, o modelito cebola é sempre uma opção, com várias camadas pra tirar ao longo do dia. Mas se eu me atraso escolhendo um jeans e uma camiseta branca, imagine compondo um look de 5 peças coordenadas. O sono confunde o senso estético. As garotas do tempo poderiam ajudar. O mais injusto é que alguém na Globo escolhe a roupa pra elas.

27 de mai de 2009

Desorientadinha básica

Ontem foi um dia tão corrido, mas tão corrido, que eu devo ter perdido 1kg. O problema é que a exautão faz a gente chegar em casa e comer até a porta do microondas, na melhor das hipóteses recuperando o quilo perdido.
Mas o que eu queria contar é da pegadinha que o meu senso de direção aprontou. Ele não é muito confiável, eu sei. Faltava pouco para finalmente terminar o dia. Era só sair do shopping e torcer para pegar todas as sinaleiras abertas. Quem disse que eu lembrava onde tinha estacionado o carro? Senti vergonha de cometer um erro tão primário. Na pressa, não memorizei o lugar. Se eu não estivesse um bagaço, teria percebido que estacionei no subsolo, descartando boa parte dos andares. Na hora de pagar o ticket, senti algo estranho. Aquelas portas de elevador não deveriam estar ali. Ou eu tinha usado a escada rolante? Peguei a primeira porta que encontrei e fui pro estacionamento. Saí do lado bem contrário, óbvio. Olhei aquela imensidão de para-choques e bateu o desespero. Tiro o escarpin e começo a vasculhar a área? Aperto o botão do alarme até a bateria pifar, pra ver se enxergo algum carro piscando pra mim? Procuro um guarda e choro no ombro dele? Chamo um táxi e vou pra casa? Decidi usar o truque de voltar para o lugar de onde vim, pra ver se eu lembrava. Fui quase de ré. Aos poucos, consegui montar o quebra-cabeça. Lembrei de ter visto uma placa de saída. Mas qual delas? Para encurtar a história, cheguei em casa e nem tive vontade de comer nada.

26 de mai de 2009

No momento, não posso falar

Quando a gente ouve a própria voz, ela soa tão estranha. Parece outra pessoa. Difícil se reconhecer e aceitar que a criatura esganiçada dizendo "deixe seu recado após o bip" é você mesma. Nessas horas, uma dor de garganta ajuda. Sim, aquela voz não é a sua. É muito melhor!! É você numa versão rouca e sensual. Faria bonito dublando uma atriz de filme pornô (ops, pode ter criança lendo!) ou aquela esquilinha que rouba a cena no trailler da Era do Gelo 3.
Metade de mim quer que o anti-inflamatório faça efeito logo e acabe essa função (junto com o charme, vem a tosse irritante). A outra metade, chegada num glamour, quer que o remédio esteja vencido e minhas cordas vocais sigam assim, provocantes. Deve ser ela que enche meu copo de água bem gelada. Nem precisa. Ainda é outono, com certeza eu tenho chance de ficar com essa voz poderosa de novo.

25 de mai de 2009

Morda a língua

Tem coisas de utilidade questionável, que fazem a gente se perguntar para que existem. Amídgalas, por exemplo. Anos atrás, eu poderia ter faturado um bom cachê levando meu filho como atração em um seminário de otorrinos, painel Amígdalas Gigantes. Elas mais incomodaram (e como!) do que ajudaram (na produção de anticorpos ou algo assim). Mas se vieram de fábrica, teve um motivo. Então foram preservadas. Vesícula, outro item de série que levanta dúvidas sobre sua funcionalidade. Passa a vida sendo confundida com o baço e o pâncreas. Quando tem um piti, é retirada às pressas e ninguém sente falta.
Ontem à noite, eu mordi minha língua até sangrar por ter duvidado da utilidade do ralinho do banheiro - aquele que fica do lado de fora do box. Um inútil, sempre achei. Um mini-me do ralo oficial. Poderia servir como depósito de algodão e cotonetes se fosse um lugar seco.
E foi justamente esse ralinho coadjuvante que evitou uma tragédia aquática lá em casa. Na saída do banho, meu filho (o das amígdalas gigantes) conseguiu quebrar a caixa d´água do vaso. Um pouco de emoção para encerrar o domingo. Ouvi o estrondo, abri a porta do banheiro e tive que voltar para buscar os pés de pato. Feeeeecha o registro!!!! O geral também!! A família se batia para todos os lados. E a água seguia saindo.
Você não imagina como um banheiro inunda rápido. Nós fomos salvos pelo ralinho, que finalmente mostrou a que veio ao mundo. Não sei se ele percebeu que é o meu novo herói. Eu não teria toalhas suficientes para secar um apartamento. O encanador estava fora da área de contato. O ralinho foi o único que permaneceu calmo e focado no escoamento da água. Hoje vou abrir um Veja Festa das Flores que guardei para ocasiões especiais e oferecer uma taça, como um pedido de desculpas. Se ele quiser que o banheiro ganhe uma placa com seu nome, não vou ter como negar.

22 de mai de 2009

A justiceira

Se o fim de semana fosse uma pessoa, seria alguém muito sobrecarregado. Você já se deu conta de quanta expectativa a gente coloca nele? São dois diazinhos que precisam reverter o quadro e zerar uma semana inteira de correria, incomodações, frustrações, apatia. O pior é que eles conseguem, o que só aumenta a responsabilidade para o próximo fim de semana. Não sei se o sábado e o domingo gostam de se exibir, ou se são bons mesmo. Também pode ser tudo uma jogada de marketing para que a gente siga idolatrando essas 48 horas.
Eu acho mais justo buscar reforços para não pressionar tanto o sábado e o domingo - em nome de tudo que eles já fizeram por mim. Pensei em transferir permanentemente a sexta para o fim de semana, deixando assim a coisa equilibrada. Três contra quatro é uma briga mais parelha. Ou então, deixar a sexta como está e anexar a segunda, eliminando para sempre o dia mais odiado de todos. Nas duas possibilidades, teríamos um ganho no fator psicológico: uma semana que termina na quinta ou começa na terça é outra vida.

21 de mai de 2009

Salta uma capa dura na mesa 5

Eu já quis ser dona de banca de revistas, daquelas bem completas e com todos os títulos importados, só pra ficar o dia inteiro lendo tudo. Também já quis morar dentro da livraria Cultura, logo que ela abriu em Porto Alegre (vigia noturno seria uma boa opção). Só de pensar nisso, deu saudade da maravilhosa livraria Travessa do Shopping Leblon – e daquela outra enorme, que esqueci o nome, no subsolo do Rio Design. Era o recreio das viagens a trabalho.
Ando com fome de livros (eles entraram no regime forçado da crise). Agora é como a necessidade de ferro pra tratar uma anemia. Livros fortalecem a gente. Sempre que eu termino um muito bom, fico com medo de me frustrar com o próximo. Aí dou um tempo, me distraio com revistas. Anoto os lançamentos, os autores que eu nunca li, e vou jogando um monte de papelzinho na bolsa.
Preciso urgente comprar livros. Ontem de noite olhei pra minha mesinha de cabeceira e deu eco, de tão vazia. Vai ser difícil folhear vários e escolher um ou dois. E não quero fazer isso na correria, vou esperar até o fim de semana pra me jogar na Fnac, outra livraria que adoro.
Quero também resgatar uma caixa de livros que está guardada na garagem desde a mudança. Quase dois anos, não dá mais. Vai ser bom relembrar o que ficou pra trás e eleger o que vai voltar pra casa (pilhas de livros queridos são uma prateleira de porta-retratos).
Essa semana, eu li uma estante – como é legal somar todas as lombadas e enxergar o dono dos livros. Eu queria passar pros meus filhos esse gosto pela leitura, pena que o DNA não se encarrega disso.

20 de mai de 2009

Bochechas rosé

O melhor blush do mundo é o vinho. Para aplicar, nem precisa de espelho. É só estar na frente dos amigos. A cada gole, a cada risada, as bochechas vão ganhando o coradinho ideal. A cor dura, sai do copo e vai pro corpo. Ontem eu cheguei em casa com um tom rosado nas bochechas que a MAC morreria de inveja. No espelho do elevador, vi uma Magali iluminada pelos amigos que tem. Eu me senti mais bonita por causa deles, não do blush rosé. Nossas conversas, a música, a sopa, o luxo das taças e da louça, tudo me seguiu até em casa. Tem amizades que surgem (ou se fortalecem) na hora certa. São presentes valiosos. Não é sempre que a gente se dá conta dos momentos perfeitos, e isso eu aprendi a reconhecer bem. Depois de uma noite perfeita e de matar a saudade de quem eu já não consigo ficar longe, ainda tive o privilégio de encontrar dois pares de bochechas gostosas e sonolentas pra beijar, além da boca quente do meu marido. Um excesso de felicidade em plena terça-feira.

19 de mai de 2009

Menos, Dilma

Mulher tem mania de achar que é dotada de superpoderes. Isso é um tiro no escarpin. Olha a Dilma. Será que ela vai conseguir conciliar quimioterapia com candidatura à Presidência? Quem já acompanhou de perto um tratamento desses sabe o que eu tô falando. Já não bastam o mal estar, as dores, a insegurança, a inevitável peruca que derruba a autoestima, a próxima sessão marcada e o recomeço do calvário. Agora imagine tudo isso com um bando de políticos na cola. A dor nas pernas e o sorrisinho amarelo para os fotógrafos. A vontade de vomitar no meio de uma coletiva. Os bate-e-volta de avião. Todos fazendo campanha pra ela ir numa inauguração idiota com o batom impecável e o tom de voz tranquilo. Putz, e o catéter? Tem que ter muito amor ao poder pra aguentar firme. Eu chutava o balde, pendurava o tailleur no cabide e priorizava a saúde. O Brasil ia agradecer o bom exemplo.

O fator feijão

Prefiro não falar sobre o fator Feijó porque odeio política. Só de ler a manchete da Zero Hora já senti meu estômago embrulhar. Por que essa gente não baixa a cabeça e trabalha, pensei. Aí lembrei do feijão e de como ele é indigesto para a maioria das crianças. Taí uma boa metáfora.
Conheço dois meninos que adorariam abrir uma CPI para investigar porque são obrigados a comer feijão. O mundo não é só bife e batata frita, gente. Assim como eu sou obrigada a ligar a TV, abrir o jornal ou entrar no Terra e dar de cara com o chuchu repugnante que é a política, vocês também vão ter que engolir feijão de vez em quando. O fator ferro conta muito. Jogador de futebol come feijão, já disse e repito. E nós comemos com farinha os políticos que escolhemos mal. Eu poderia alegar que estou reunindo temperos e tenho mais de 800 e-mails com receitas saborosas de feijão – todos com cópia oculta para a cozinheira. Prefiro me manter à sombra dessa polêmica. Desde que ninguém cogite em acusar o arroz. Isso sim seria um pesadelo. Para terminar, mando um recado: Rafa e Fabio, um homem munido de feijão é uma pessoa forte e saudável. E não inventem de entrar para a política que eu baixo o sarrafo agora mesmo.

18 de mai de 2009

Eu e a Julia Roberts

Esses dias peguei uma Quem ou Contigo para folhear e fiquei profundamente irritada. Tinha uma foto da Julia Roberts na beira da praia se divertindo com seus filhos. O título da matéria (se é que dá pra chamar aquilo de matéria) era assim: "Uma linda mulher?"
Que crueldade!!! Para que tanta ironia? Larguei a revista na mesma hora. Então a Julia Roberts tem barriga como a grande maioria das mulheres com filhos no currículo!! A indústria do cinema está acabada! Com certeza os cachês que minha ídala ganha podem pagar qualquer tratamento estético ou mil horas de academia, mas provavelmente ela está mais ocupada com as crianças. E com o sucesso do seu novo filme. Eu não queria ser celebridade por NADA nessa vida. Ter que aguentar os papparazzi e ainda os trocadilhos infames das revistas? Ninguém merece. Nem as leitoras.
Julia, não liga pra eles. Amanhã vai dar praia em Malibu, leva os gêmeos e não esquece o protetor solar.

Ahhhhhhhhhhhhh

Ando suspirando bastante. Alguns suspiros têm nome e sobrenome. São fato consumado, incêndios que já nascem apagados. Outros me surpreendem. Surgem em horas impróprias, me denunciam. O suspiro é um desejo pego em flagrante. Uma inquietude que belisca a alma. Uma vontade que quer ser realidade agora mesmo. Uma quebra de protocolo também é uma boa definição de suspiro.
Muitas pessoas anotam seus sonhos para decifrar com a luz do dia ou com a lanterna do terapeuta. Vou começar a anotar meus suspiros. Dia, hora, local. E para o registro ser completo, vou escrever se o tempo estava nublado, se era segunda-feira. Impossível não suspirar depois de um fim de semana perfeito.
Eu gosto de suspirar. Acho romântico. E verdadeiro.

15 de mai de 2009

Susto master

Decidi não processar o anjo da guarda do meu filho. Se na hora em que o Fabio bateu a cabeça o tapado do anjo estava no coffeebreak, depois voltou rápido ao posto. Deve ter sido ele quem botou 3 neurologistas na sala de emergência no momento em que o Fabio chegou com convulsão. Eu queria que meu cérebro apagasse feito o dele, mas fico lembrando de cada detalhe horrível. Tem que ser muito forte pra perguntar pro médico se o filho corre risco de vida e ouvir “antes da tomografia, não posso dizer nada”.
Por mim, a partir de agora ele usa capacete de motoqueiro até pra tomar banho. Por mais que os pais tentem, é impossível proteger os filhos de tudo. Logo o Fabio vai voltar a correr, brincar e jogar futebol. Dos 3 dias de hospital, talvez ele só guarde a lembrança do “vestidinho brega” e o risco de ser visto com a bunda de fora. Eu vou seguir com o coração na mão. Vai levar um tempo até que eu não me apavore com uma simples ligação de casa. Agora ele está bem, medicado, com exames agendados, e eu só posso elogiar o atendimento excelente do Hospital Mãe de Deus. Meu cérebro é que ficou lesado, manda flashbacks, encaminha lágrimas como se ainda fosse terça-feira, dispara tremeliques cada vez que eu penso em tudo que aconteceu. Vai passar, eu sei. O desespero e a sensação de inutilidade foram generosamente substituídos pela vitória de voltar pra casa com o filho normal. O Fabinho incrível de sempre.

11 de mai de 2009

Enxergando o futuro

Ontem conheci dois vizinhos do Casa Hermosa. Se essa minúscula amostragem indicar alguma coisa, vai ter muita gente legal por lá. Nesse momento, o condomínio é só mato e docs bancários. Então é reconfortante conversar com outras pessoas que também se apaixonaram pela casa decorada – o trunfo do corretor moderno.
Tem mais gente sonhando com janelas sem grades e opções de divertimento além do vento Nordestão. Não tenho um cimento pra chamar de meu, mas já gostei dos vizinhos. Números de casas é o que podemos trocar por enquanto, depois vai dar pra trocar nome de estofador e mudas de árvores que florescem o ano inteiro. Agora, o prazer é abrir a planta baixa pra localizar os conhecidos. Nossas casas são bem próximas. Se eu der a volta de bicicleta na quadra, tenho pra quem abanar. Ela é irmã da minha nova cunhada, e essa feliz coincidência mostra que nossas famílias têm tudo pra se aproximar ainda mais. O engraçado é que esse casal também escolheu o Casa Hermosa por causa de um grande amigo que comprou no Pacific.
Essa onda de condomínios lembra um Orkut offline, onde as comunidades se agrupam por interesses em comum. Um belo viral boca a boca, que está fazendo o litoral se reinventar. Acabou a supremacia do mar chocolate. Vai dar praia (ou lago, quadra de tênis, piscina, academia) sempre que a gente quiser.

8 de mai de 2009

Dez a zero pros lascadinhos

Menos de 24h. Foi o tempo que o esmalte permaneceu intacto nas minhas unhas essa semana. Quando eu fiquei sabendo que a manicure que sempre me atende estava doente, já pressenti: não vai durar. Conta muito quem está do lado de lá do alicate. Tem toda uma ciência para não levantar aquelas malditas pelezinhas em cima. E pro esmalte sobreviver de forma digna. Cheguei à conclusão de que não faz muita diferença se é Revlon ou Impala. O segredo é o jeito de passar. Uma boa manicure é como um pintor experiente, sabe a quantidade exata de tinta que o pincel deve conter pra cobrir uma parede. No caso, 10 paredinhas.
Amanhã lá vou eu pro salão. Sempre peço silicone + spray secante + óleo. Eu achava que era uma tríade imbatível. Que nada, é a Renata.

O poder da síntese

-Tu é a melhor mãe da face da Terra!
-Mas se tu nunca teve outra mãe, como tu sabe que eu sou a melhor?
-Palpite.

7 de mai de 2009

Mãe, esse texto é um presente pra ti

O eterno ponto de interrogação

Eu tenho uma mãe incrível. Sempre foi, sempre vai ser. E eu, como sou?
Faz 13 anos que entrei para esse seleto time. Já tenho uma boa experiência - na verdade, duas. Meus filhos são crianças saudáveis, inteligentes, do bem e tranquilas. Mesmo assim, os questionamentos continuam. Estou educando do jeito certo? Digo não? Sim? Entrego o jogo e digo que não sei?
A maternidade é uma caixinha de perguntas, sem as respostas certas no verso. A dúvida nos acompanha desde a primeira ecografia. O bebê está normal? Cadê o coração? Tem cinco dedinhos? O questionário cresce tão rápido quanto os filhos. Já não deveria estar caminhando? Tiro as fraldas? O colégio é bom? Estuda bastante? Será que não é demais? Os amigos são confiáveis? Essa profissão tem mercado? Se saem muito, a gente pergunta por que não sossegam em casa. Se são caseiros, perguntamos se há alguma coisa errada. As fases mudam, as dúvidas também. Igual só o ponto de interrogação no fim das frases. Ainda bem que o instinto materno ajuda. Ele responde boa parte das perguntas.
Em meio a tantas incertezas, uma coisa eu sei. Digo “cuidado” bem mais que o necessário. A palavra escapa da minha boca, ganha vida, às vezes soa ridícula. Em 80% dos casos, o perigo é imaginário. Acho que meus filhos nem registram mais essa recomendação. Superprotetora, eu? Todas nós somos, a diferença é que algumas mães conseguem disfarçar. Quem foi rei, nunca perde a majestade. Quem foi grávida, nunca perde a mania de achar que os filhos ainda cabem dentro da barriga. Enquanto existirem mães no Planeta Terra, as interrogações - e os interrogatórios - vão continuar na moda. Sorte é que a maioria das perguntas ficam reverberando só nas nossas cabeças. Ou seria no coração?
Não adianta ter cartomante de plantão 24h. Tem que deixar rolar e ir monitorando. Mais cedo ou mais tarde, serão as perguntas deles que vão começar a ficar sem resposta. Esses dias, uma amigona que está prestes a ser mãe dividiu comigo o eterno ponto de interrogação: “Maga, será que eu vou conseguir?” Vai, sim. Claro que vai. Por eles, a gente consegue tudo. Até conviver com tantas dúvidas.

O princípio do prazer

O que aconteceria se todo mundo resolvesse fazer só aquilo que lhe dá prazer?
Uma bagunça das boas, com certeza. Empregos abandonados, contas ignoradas e o dinheiro gasto de um jeito insano e infantil: mil reais em balas Sete Belo, moço. Eu deixaria de passar fio dental. Deu vontade de ir pra Londres? Os aviões prontamente cederiam lugar, atendendo a qualquer deleite turístico. A moeda de troca seria negociada caso a caso. Seguindo o princípio do prazer, a gente ia comer tudo que quisesse, sem engordar. Naqueles dias em que não dá vontade de sair da cama, as persianas seriam gentis o suficiente para nos manter na penumbra. Todo compromisso poderia ser desmarcado por um solzinho no parque. Cada ação seria antecedida pela pergunta-chave “Isso me dá prazer?”. Muitos colégios fechariam as portas. Ou então, só pátio livre (a matéria preferida do meu filho).
Tá bom, tá bom, prazer o tempo todo não ia funcionar. Seria muita areia pro nosso caminhãozinho. Mas dá pra equilibrar, né? Aqui vai uma humilde sugestão. Uma surtadinha por semana, que seja. Uma indulgência descarada, descabida, sem explicação e sem críticas. Só por prazer.

6 de mai de 2009

Minutos mágicos

Nunca escrevi sobre o pôr-do-sol, então se prepare que vai ser hoje.
Foi um dia difícil, daqueles de pegar a bolsinha e sumir do mapa. Esse céu absurdo de lindo que eu vejo aqui na janela é um alívio. Tem horas em que a gente precisa se render aos momentos bregas da vida. E não fui só eu, hein. Um colega até fotografou, de tão bonito.
O céu virou uma caixa de lápis gigante, mudando de cor a cada minuto. Ficou amarelo, depois deixou tudo dourado e agora tem tantos tons de rosa e laranja que eu não consigo tirar os olhos. Como a janela fica atrás de mim, viro de costas pra digitar uma frase e volto a olhar. Durou pouco. O sol encerrou o expediente de um jeito triunfal, tipo praça da apoteose. De saideira, sua sombra transformou o céu num lilás incrível. E ainda apareceu o tal do skyline, com todos os prédios pretos e recortados.
Desculpe a breguice poética mas, graças a ela, consegui relaxar. Eu queria que você estivesse aqui, vendo tudo isso comigo. Os braços apoiados na janela. Os olhos embasbacados. Sem dizer nada. O sol se foi, eu ainda vou demorar. Com tanta beleza, o que me tirou do sério perdeu a importância.

5 de mai de 2009

Cadê o controle remoto?

A TV dos meus vizinhos grita desesperadamente. Dá pra ouvir da minha sala, graças à avançada tecnologia do gesso acartonado. Eu reconheço algumas trilhas de comerciais sem precisar ligar a minha televisão. Eles escolhem o canal, eu faço o checking de mídia. No futuro, pode ser um ganha-pão.
Viver em condomínio requer uma taxa extra de paciência. É carrinho de supermercado “esquecido” dentro do elevador, é cachorro sem coleira, é roda que invade sua vaga na garagem. Sem falar nas pessoas que passam pelo corredor e não cumprimentam. O mínimo de civilização facilitaria tanto o nosso dia a dia. E olha que eu estou dando exemplos de um prédio bom, de famílias idem – pelo menos na teoria. Vizinhos de casas também devem ter os seus momentos de crise. A árvore de um que solta folhas na calçada do outro, sei lá.
Voltando ao volume alto, não pode ser apenas surdez. Acho que é falta de assunto entre eles. Em muitos lares é assim, a TV fica responsável pelos diálogos. Não escuto uma palavra dos meus vizinhos, só dos atores da Globo. Eles também conseguiriam ouvir as confusões lá de casa. Se a televisão estivesse um pouquinho mais baixa.

Caneta espiã

Chegou a sua vez de filmar, diz a propaganda. Oba! Mal posso esperar, de tanta emoção. Adorei a parte que diz "e ainda escreve". Além de ter microfone e câmera, a caneta cumpre o seu papel original. Dá pra filmar a lista de compras em até 6h com áudio.
Já vejo criancinhas brincando de jornalismo denúncia. Isso se não levarem a caneta pra aula e filmarem o cofrinho dos coleguinhas. O que já tem de marmanjão filmando o que não deve por aí. Esses dias até a revista Nova fez uma matéria dando dicas para as leitoras tomarem cuidado. Tem muito espertinho que, depois do sexo, manda ver na filmagem (com a mulher dormindo) e seus amigos conferem em tempo real o mais recente abate. Como se não bastasse a câmera do celular, inventaram óculos e caneta que filmam. O que vem por aí? Cotonete com câmera? O.B. que filma até no escuro?
Por isso eu adoro a Bic. Todo mundo precisa de canetas, não de espiões.

4 de mai de 2009

Meia boca

Com tantas modernidades, uma mulher do século XXI ainda precisa costurar meias!! Ontem tive que encarar agulha e linha pra dar uma geral em várias delas. Queijo suíço perdia feio. Só tem coisa pior que meia furada. É meia imunda, preta, encardida, aniquilada – eu tenho vontade de jogar no lixo, não no balde. Já fiz isso algumas vezes, inclusive. Mas hoje em dia, com a crise e blablablá, a consciência pesa. E o que se gasta de Omo e Vanish Branco Total??? Os coitados não fazem milagre. E a água do planeta, que sofre de molho com aquela sujeirama e depois vai pro ralo com a sensação de fracasso? Eu também não queria estar no lugar do balde. Será que as meias das meninas suam perfumado? Com dois guris, o que me salva é a rinite. Graças a ela eu não sinto cheiro na hora de recolher as meias perdidas pela casa. Mas os rombos eu vejo bem. O Rafa se empolga na quadra e tira o tênis no meio do futebol (por que não tira a meia também?). O Fabio adora brincar com os amigos dando voadoras na caixa de areia do colégio. As meias chegam em estágio avançado de putrefação. E os fofos adoram usar meia branca. Alguém aí, por favor, invente meias descartáveis que eu faço estoque.

Twitter

Escapei ilesa do Orkut. Fiquei tentada com o Facebook mas resisti. Do Twitter, não deu pra evitar. Adulto também precisa de brinquedinho novo, né?
Entrei com motivos nobres, só pra dar uma espiada em como a coisa funciona. Caí na armadilha. Imediatamente os caras cruzaram com meus contatos de e-mail e já foram mostrando quem está lá. Começou a cachaça. As fotos dos amigos são copinhos enfileirados em cima do balcão. Mandei um atrás do outro. Me senti no “ligue djá” do Shop Time: sem ter certeza de que eu queria, fui clicando em nomes para seguir e ser seguida. O Twitter é impulsivo e divertido. Bom pra ver os amigos – melhor seria encontrar pessoalmente. E assim a gente vai escrevendo bobagem e vasculhando nos seguidores dos outros, pra aumentar a listinha.
Todas essas invenções foram feitas pra roubar o nosso tempo, isso sim. Chega a ser maquiavélico. Mais uma janelinha pra ficar aberta na tela. E pra olhar a cada instante. O problema é achar algo interessante pra dizer no Twitter. Quem vai ler tantas bobagens? Muita gente, o que é pior. Vicia acompanhar o besteirol do outro.
Gerar conteúdo pode ser cansativo. Eu não sei até quando vou aguentar. É um terceiro turno pra quem escreve o dia inteiro, como eu. O princípio do Twitter é ser um mini blog onde cada um conta o que está fazendo naquele exato momento, um pensamento em voz alta e com até 140 caracteres. Devia ser algo espontâneo, mas ninguém quer dar a cara pra bater de graça. Publicitário, então! Deve ter muita gente fazendo brain pro Twitter.
E os conteúdos vão acumulando: é post pro blog, é frasezinha pra botar na mensagem pessoal do MSN, é ter o que dizer mil vezes por dia no Twitter. Se sobrar tempo, a gente trabalha. Sem falar nas fotos pra acompanhar tudo. Nenhum mané vai botar uma fotinho qualquer, ela tem que ser estilosa, artística, conceitual, ter cortes e ângulos modernos. Até foto tem que passar conteúdo e ser cool. E as senhas pra se logar nisso tudo? Socorro! Tá pior que senha de banco, daqui a pouco eu vou twittar no caixa 24h. Quero brincar, quero seguir meus amiguinhos (parece o velho pega-pega). Dá pra contratar um personal-atualizator pra cuidar de toda essa parafernália?