31 de ago de 2010

Zzzzzzzzzzzzzzzzz

Se as mulheres conseguissem dormir umas dez horas toda noite - e sem nenhum tipo de interrupção - ninguém precisava gastar os tubos com cremes para pele. Um banho quente e relaxante, um pijaminha, um travesseiro fofo e o sono reparador. Na manhã seguinte, o lençol amassado e a cútis esticadíssima.
Agora se tiver que acordar no meio da noite, recomendo não acender a luz e ir tateando pelas paredes (adoro, a casa fica outra com o silêncio e a escuridão). Quanto menos assunto a gente der para o cérebro, mais rápido pega no sono. Tá com sede? Volta pra cama e sonha que está bebendo água. Só não pode sonhar que foi no banheito, aí já viu.

Imagem: Hero Design Studio

30 de ago de 2010

A gente não vive sem narrativa

Esse é para poupar e ler devagarinho, absorvendo cada palavra. A Espécie Fabuladora é o terceiro livro que leio da Nancy Huston, autora de Marcas de Nascença e Dolce Agonia, ambos devidamente devorados.
Tudo começa a partir de de uma pergunta feita por uma presidária em um clube de leitura: "Por que inventar histórias quando a realidade já é tão extraordinária?". Sem ter uma resposta à altura, Nancy Huston foi pesquisar e fez um ensaio sobre a necessidade que os seres humanos têm de contar histórias - ou de colocar sentido e narrativa em tudo. Logo no início do livro, ela já diz algo que faz pensar. Diferente dos animais, nós sabemos que vamos morrer um dia. Parece que esse ponto final nas nossas vidas desencadeia o começo, o meio e o fim.

Oxford?

Vi esse filme e gostei muito. A Carey Mulligan é uma excelente atriz e a história é bem contada, com um charmoso clima retrô. Fala sobre os desvios que acontecem nas nossas vidas, por mais que o roteiro já esteja escrito. E como a gente também pode aprender com eles, não só com o que está nos livros.

28 de ago de 2010

Nunca saia de casa sem ele

Já contei que odeio palito de dente? Contei, sim. Mas vou ter que voltar ao assunto.
Esses dias foi inevitável reparar no desfecho de um jantarzinho romântico, em uma mesa próxima da nossa. Olhando à distância, tudo parecia indo bem. O casal conversou, bebeu vinho, jantou, trocou carinhos. Até que o homem chamou o garçom e pediu o maldito palito. Fez aquele faxinão na frente da mulher - o restaurante estava na penumbra, tomara que ela não tenha visto nenhum pedaço de carne voador. Fiquei pensando: se fosse eu, levantava e comia a sobremesa em casa, sozinha. Por que o distinto cavalheiro não correu pro banheiro e, no meio do caminho, pegou o tal do palito ou conseguiu fio dental com o cozinheiro? Outra coisa: fazer aquela concha com a mão na frente da boca não adianta nada, a gente sabe que lá atrás está rolando uma deselegante carnificina.
Então fica a dica. Jantares românticos não combinam com palito de dente. Aliás, nenhuma refeição onde um outro alguém esteja presente.

27 de ago de 2010

Simples e lindo!



Tirem todos os vendedores ambulantes das praias e coloquem um vovozinho desses.
(dica do meu colega Jorge Becker)

Iguaria

Quero me conservar assim, uma pessoa que revira os olhinhos ao comer um bom ovo frito com arroz. Tem coisa mais sublime do que furar a gema molinha, virar o ovo de cabeça pra baixo e deixar que aquela delícia dourada escorra e mergulhe nos grãos de arroz? Tem, sim. A borda do ovo com a casquinha tostadinha. É toda uma ciência para conseguir a textura perfeita. Eu comeria um ovo frito com a gema mole agora, sem arroz mesmo, com um pedaço de pão para lamber o prato - e olha que jantei faz pouco.
Adoradores de gema dura: façam a devida adaptação no parágrafo acima e saboreiem comigo esse post. Em meio a tantos modernismos gastronômicos, a gente tem que manter o paladar aguçado para a comfort-food, aquela que evoca lembranças e também alimenta o coração.

A Origem?

Se você ainda não viu o filme A Origem, eu recomendo e não pretendo contar nada aqui. Mas pra esse post fazer sentido, preciso dar um mínimo de explicação: um homem entra nos sonhos das pessoas para implantar ideias e fazê-las agir diferente quando acordarem. Um trabalho estressante e muito bem pago (pelo menos para o Leonardo Di Caprio, já que o personagem não mostra o contracheque).
Hoje eu sonhei algo que nem daria bola. Isso antes de ver o filme. Sonhei que eu estava em algum lugar com alguma pessoa, que disse: eu trabalho na Nylon. E eu: A revista Nylon??? E ele, num tom supercasual: É.
Acordei e só lembrei dessa parte, límpida e cristalina feito água. A Nylon é uma revista gringa, seu nome junta NY + London. É tipo assim uma bíblia do que vestem os jovens descolados e modernos. Supercool, diga-se. Fonte de informação para o meu trabalho.
Por que sonhei com isso?? Será que vou receber uma proposta pra trabalhar na Nylon e me mudar pra Gringolândia? É pra aceitar ou não? Vou ter que pintar o cabelo de azul? E fizer isso, algo horrível pode acontecer? Tem alguma gigante de cosméticos metida nisso tudo, recrutando cobaias para testes macabros com tinta azul? É pra eu iniciar um protexto contra o uso da amônia nas tinturas? Sigo lendo a Nylon ou queimo todas em praça pública? Vou ser uma correspondente deles aqui e estou sendo preparada psicologicamente? Será que eles sabem que eu gosto de dormir cedo e quase nunca saio à noite?
Tem alguma coisa aí. Não lembro do início do sonho - e o Di Caprio fala sobre isso no filme. Devem ter plantado algo no meu subconsciente. Bem que uma hora eu achei a cama apertada demais só para mim e o Ricardo.

Ilustração: Flickr

26 de ago de 2010

Pequenos grandes frasistas

Meu almoço começou pela sobremesa, mais especificamente uma deliciosa pergunta.
-Mãe, esse suco é feito à mão?
Sim, o suco era de bergamota (ou tangerina pra quem não é do Sul), feito de fruta de verdade, cortada ao meio com faca de serrinha e levada ao espremedor minutos antes do almoço.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça: a gente toma tanto suco pronto que ele estranha o que deveria ser natural (com o perdão do trocadilho).
Mas logo deletei as culpas e fiquei curtindo a pergunta. Genial ele ter usado o "feito à mão" para o suco, eu sempre associei essa expressão com sapato de couro carésimo. Entenda: eu ganho a vida pensando em frases de efeito. Fico dias atrás de um conceito, uma nova forma de dizer aquilo que todo mundo já ouviu. E o Fabio larga essa frase redondinha!
Não só ele, todas as crianças são frasistas. Uma pena que muitas percam essa habilidade com o tempo. Claro que anotei a frase. E me dei conta de que o blog também é uma extensão do caderninho-diário onde sempre anotei tudo sobre eles - os amigos imaginários, os tombos, as descobertas, os nomes das professoras, as frases de efeito, tudo. Se a memória me sabotar daqui a uns anos, agora tenho mais uma fonte para recorrer.

Foto: FFFFound

25 de ago de 2010

Olho comprido

Encontre uma pessoa conhecida no supermercado e no buffet executivo. Com raríssimas exceções (uma conjuntivite, talvez) seu comportamento vai ser igual nos dois lugares: você vai dar uma espiadinha automática nas escolhas do outro.
Hummm, ele pegou pão de sanduíche e não o francês.
Hummm, ele pegou bife enrolado.
O próximo passo é comparar com suas próprias escolhas.
Hummm, não gosto daquela marca de pão.
Hummm, a cara do bife enrolado tá boa, mas vou no peixe.
Se o prato do dia for LEMBRANÇAS, você vai reviver a última vez que comeu bife enrolado na casa daquela sua tia querida. Ou quando errou feio na receita do bife. E a fila (do caixa ou do buffet) crescendo atrás de você.
Não acredito que a gente faça isso por falta de educação. É a curiosidade humana. É a eterna comparação com a grama do vizinho.
Agora, uma confissão pública: meu olho é tão comprido que espia até o prato dos desconhecidos. Ontem passei por um restaurante com mesinhas na rua e vi um simpático purê de batatas com feijão. Fiquei com vontade de conhecer aquela pessoa que coloca o feijão exatamente em cima do purê, sem deixar escorrer o caldinho. Será que ele comia assim quando era criança?
O post termina por aqui. Se a gente se encontrar no supermercado, peço desculpas antecipadamente. Vou escanear seu carrinho. Mas prometo não perguntar por que cargas d'água você compra maçã Gala e não Fuji, como eu.

24 de ago de 2010

Água e sabonete nunca saem de moda

E o álcool-gel? Você tem visto alguém usando? Ele datou, virou coisa do passado.
Há um ano, eu fazia estoque. Cheguei a comprar duas máscaras de proteger nariz e boca (que permanecem lacradas). No carnaval, fomos para o Uruguai e o que trouxemos de souvenir? Duas caixas de Tamiflu, por via das dúvidas.
O que era uma insanidade, e com toda a razão, virou esquecimento. Ou você ainda passa álcool- gel a cada dez minutos? Agora eu vejo um tubinho em cima do balcão do banco, outro fixo na parede do salão e acho tão deslocado do contexto.
É como calça saruel. Daqui a um ano, a gente vai olhar e dizer: "Nossa, como eu usei isso?!!"

Setembro é o novo Dezembro

E eu fico cansada só de imaginar. Setembro vai ser um mês cheio de compromissos, fora as outras responsabilidades. Se a agenda do meu celular fosse de papel, já estaria toda riscada. Tem dois feriados, tem viagem do basquete do Rafa, tem viagem da turma do Fabio, tem uma escapadinha minha e do Ricardo, tem hóspedes lá em casa. Parece que, a cada ano, tudo se antecipa. Daqui a pouco vai ter vitrine com pinheiro de Natal, você vai ver. A gente está acostumado com as loucuras de dezembro, por isso estranhei ter um setembro lotado.

Foto: DeviantART

Perspectiva de vida

Eu chamaria essa foto de "Um Dia Depois Do Outro". Uma sucessão de passagens que podem representar dias ou meses ou uma vida inteira. Monótono? Só se você não olhar para os lados durante o percurso. Tá vendo os quadros, os móveis, as cores e a luz entrando pelas janelas que não aparecem? Eu caminharia por esse corredor hipnótico devagar, prestando atenção em tudo. Posso ouvir o chão de madeira fazendo tec-tec em algumas partes.
Os dias são assim, repetitivos na essência, mas a gente precisa atravessá-los para descobrir o que vem depois. E no meio do banal, daquilo que o cérebro já nem registra mais, acontece algo diferente. Como um espelho colocado estrategicamente, que muda toda a nossa perspectiva.

23 de ago de 2010

Vem de berço

Não o francês, mas a educação. Quem aprende em casa a dizer obrigado, por favor e essas coisas tão civilizadas, dificilmente desvirtua quando cresce. Ou não?
Fico chocada com pessoas que não ligam para agradecer um presente, que não cumprimentam os outros, que não seguram a porta do elevador. Custa ser gentil e educado?
O corpitcho pode ser um espetáculo, as roupas de grife, a casa maravilhosa, a conta no banco idem. Agora não adianta nada se a criatura for grossa por livre e espontânea vontade.
Meio antiquado esse post? Acho que não. Eu acredito nisso. Repito com meus filhos a educação que recebi e aprimorei com o passar do tempo. Herança valiosa.

Comece a semana em relax


Coisa boa é um colinho. De qualquer tipo tá valendo.

Fotos: FFFFound

22 de ago de 2010

Minha estreia em campo

O impossível aconteceu. Eu disse para o Fabio que agora só falta comprar um cachorro (pra que iludir a criança!). Fui com eles ver o primeiro jogo da minha vida no Beira Rio.
Tive que confiscar uma Adidas vermelha e branca do armário do Rafa, para não ficar fora da cartela de cores. Tirando o jogo meia-boca e o calorão, foi uma experiência divertida. Ao vivo é outra coisa, a TV não dá toda a dimensão. E a gente ainda tem que aguentar os narradores mala. Os palavrões estavam light e o público, bem família. Deu pra imaginar a emoção que toma conta da torcida em um jogo de verdade, com muitos gols. Não era o caso, o Inter jogou com o time reserva e deu empate.
Fiquei bem dividida entre o campo e o Twitter e levei cartão amarelo do Ricardo. O que vou fazer se estou viciadinha? E quando eu levantava os olhos do celular, tinha um abobado caído no chão. De novo?? Consegui presenciar um impedimento mas, obviamente, não entendi nada. Nem era a intenção, eu só queria sentir o clima. Tudo chamava a minha atenção, o escanner estava ligadíssimo.
Para ser sincera, o primeiro tempo teria sido suficiente. Depois ficou cansativo. A melhor parte? Chegar em casa e tomar o banho geladinho que eu tanto queria.

2 anos do blog

É hoje!! Olha quantos posts e quantas pessoas legais eu tenho aqui! Obrigada, viu? Esse blog só tem graça porque você vem me visitar. Eu falo sozinha pela casa, mas preciso de companhia pra escrever.
Fiquei pensando nesses dois anos e me dei conta de algo bem importante: o blog é uma ideia que eu levei adiante. Foram tantas que deixei passar. E os projetos que nunca saíram do papel? Daria pra colocar em ordem alfabética. Em casa, o pessoal me chamava de fogo de palha. Inventava algo, ficava toda entusiasmada, começava, dali a pouco deixava de lado, perdia o interesse. Depois queria outra coisa, que logo morria na praia. Fiz aula de desenho, por exemplo. Eu poderia ter revolucionado os bonecos de palitinho.
Com o blog foi diferente. Eu me apeguei de verdade. Acho que já vou começar a pensar no post dos 3 anos. Vai passar tão rápido, como esses 2 anos passaram.

19 de ago de 2010

Terceiro turno

Tem dias em que a lógica inverte: o primeiro e o segundo turnos na agência são tranquilos mas o terceiro turno, aquele que era para ser melzinho na chupeta, vira um triatlon exaustivo.
Hoje foi assim. Depois das 18h a coisa descambou e meus ombros foram endurecendo, os dentes trincando, o sangue subindo pra cabeça. O Ricardo em São Paulo, o que já sobrecarrega. O Rafa sem taxi em pleno horário de rush, preso no colégio e todo nervosão, mobilizando a família inteira. E o Fabio achando que me enrola com o dever de casa. Tive que discutir, ameaçar, colocar de castigo, mandar engolir as lágrimas e terminar tudo - só faltava um chicotinho na minha mão.
Para o Rafa, a seguinte lição (em inglês porque ele tem prova amanhã): shit happens.
Para o Fabio, o seguinte recado: me nego a usar nariz de palhaço.
Resultado? Em poucas horas, devo ter enrugado uma semana. Agora eles estão dormindo e eu aqui, fazendo esse post-terapia. Sem falar que acordei às 5 e 15 pra dar tchau para o viajante.
Jurava que a noite ia ser calminha. Erro grosseiro de cálculo.

Foto: FFFFound

Twitter também é cultura

Seguindo @giovannibianco, o diretor de arte incrível que está por trás das campanhas da Arezzo e que já prestou serviços para a Madonna, fico sabendo que 33 milhões de malas foram abandonadas nos aeroportos de todo o mundo. Em 2008, só nos EUA abandonaram 10 mil malas por dia. Credo, que desapego.
Não vou chamar a Pricewaterhouse para auditar esses números. Eles serão grandes de qualquer forma. Mas será que ninguém sentiu falta das suas coisinhas? Eu nunca perdi uma mala na vida. E se perdesse, não sossegaria até recebê-la de volta.

Lágrimas de cor



Dica do ótimo site Radar55: as ilustrações de Stina Persson, direto de Estocolmo. Gostei do jeito feminino e forte. Lembram choro de mulher.

18 de ago de 2010

Agulha, linha e inspeção

Eu faria uma carreira meteórica em alguma fábrica de roupas inspecionando a qualidade da produção. Rapidamente meus olhos rastreiam fios sobrando, botão quase caindo, furinho micro mini no tecido, costura torta. Quando vejo algo assim, pode ser na roupa do Papa. Não me contenho e meto a mão. Coisa boa puxar um fiozinho fora do lugar.

Mastigadinho

Depois que inventaram os tutoriais de maquiagem, nós temos mais um pretexto pra ficar séculos na frente do espelho. Tudo parece fácil quando alguém explica direitinho o que fazer.
Há blogueiras especializadas em reproduzir os makes das famosas - enquanto a gente olha os vestidos e cabelos usados nos tapetes vermelhos, elas destroçam a sombra, o blush, o rímel, o primer. E contam tudo.
Nem sempre é preciso abrir o notebook na pia do banheiro e copiar exatamente o que elas ensinam. Mas de tanto olhar, alguma coisa se aprende. E vem a coragem pra ousar um pouquinho. Uma combinação nova de cores, um delineador aplicado bem retinho (meu sonho!), um pincel que faz toda diferença. E tem as dicas de correção de pele, que são praticamente um serviço de utilidade pública.
Lembra quando a gente pegava canetinha rosa e pintava a boca das bonecas? É mais ou menos assim. Divertidíssimo, desde que a mão não trema.

Foto: We Heart It

The Selby Is In Your Place




Se você ainda não conhece The Selby, entre sem tocar a campainha. Todd Selby é um artista, fotógrafo de moda e ilustrador que registra casas de pessoas que tenham personalidade.
O site já teve 35 mil acessos por dia e virou livro. É puro bom gosto, inspiração e criatividade. Por isso faz tanto sucesso. Vale a visita, pra apurar o senso de observação e sonhar muito.

Quer carona?


Mas primeiro tem que descobrir onde abre a porta.

Fotos: The Cool Hunter

17 de ago de 2010

Roupa de ficar em casa

A primeira coisa que faço quando chego da rua é trocar de roupa. Funciona como um rito de passagem. E é sempre o mesmo comfort-uniforme. Anote aí: roupa de ficar em casa tem que ser confortável feito um sofá, macia que nem um travesseiro, leve como a consciência e gostosa à la brigadeiro de colher.

Back to the basic

Eu adoro invenções que facilitam, amo praticidade, mas às vezes tanta criatividade me irrita. Tome como exemplo o setor de caldos para cozinhar, que deu pra reinventar a roda (no caso, o quadradinho). A trinca caldo de carne/galinha/legumes já resolvia a vida.
Agora tem caldo de picanha, costela, carne sabor vinho, costelinha de porco, galinha caipira, frango a passarinho, frango assado. Alguém pode explicar a real diferença entre um e outro?
Minha teoria é a seguinte: os caldos são os novos Gremlins, aqueles bichos do Spielberg que se multiplicavam em contato com a água. Daqui a pouco, vamos encontrar caldo de panqueca, caldo de sushi, caldo de sobras do almoço. O pessoal do setor de chiclés já perdeu o controle da situação. Depois do Bubbaloo Melancia, o mundo mudou. E para um gosto pior.

16 de ago de 2010

Nas alturas

Aqui em casa somos cinco: eu, o Ricardo, o Rafa, o Fabio e o vento. Moramos no décimo nono andar e já aprendemos a conviver com ele, que chega quando bem entende. E assobiando, pra chamar nossa atenção.
Uma das primeiras coisas que providenciamos depois da mudança foram trincos para fixar as portas. Elas batiam mais do que palmas em teatro lotado. Quem não está acostumado com o barulho do vento estranha. Que o digam os amigos dos guris quando dormem aqui. Agora há pouco entrei no meu quarto e lá estava ele, assobiando e se sacudindo todo. Tem noites em que ele praticamente dorme com a gente. De manhã cedo, vai embora. O danado é espalhafatoso na chegada mas sai bem quietinho, nem dá pra reclamar.
Eu gosto do vento, é bom pra arejar a cabeça. E não tem perigo de eu voar. Não enquanto tiver rede de segurança nas janelas.

Minutinhos valiosos

O que você faz enquanto espera o sinal abrir? Eu passo tanto tempo no trânsito que estou desenvolvendo novas habilidades. Antes só lia jornal e revista, agora acompanho o que rola no Twitter, marco consultas em médicos, aciono um aplicativo do iPhone que descobre os nomes das músicas que eu não sei. E além do rimelzinho e batonzinho básicos, consigo fazer a sobrancelha. Ou 0,1% dela que esteja me incomodando 100%. Até agora não furei o olho, o que permite observar os carros ao redor. E afirmo: o esporte preferido de 99% das pessoas que estão sozinhas é enfiar o dedo no nariz.

13 de ago de 2010

Céu para algumas, inferno para outras

Quando a gente pensa que finalmente a vida das mulheres melhorou, com mais força no mercado de trabalho, com mais realizações pessoais e blablablá, surge a foto dessa coitada sem nariz e orelhas. E outra que vai ser apedrejada ou, com sorte, enforcada. Hello, estamos em 2010. Isso parece coisa da Inquisição. Que religiões demoníacas são essas? E falando nisso, dá pra reforçar os anjos da guarda do mulherio?

12 de ago de 2010

A revista que eu levaria pra uma ilha deserta

Eu leio a TPM desde o primeiro número, e olha que ela já completou 8 anos. Leio porque os textos são inteligentes, irreverentes e verdadeiros. E poupo a leitura, para que a revista dure bastante. Terça-feira foi diferente. Achei a TPM na banca do aeroporto de Congonhas e comprei salivando. Comecei a ler antes de afivelar o cinto de segurança, feliz por ter uma hora e meia de sossego só para nós duas. Mas me contive a tempo. Eu ia me arrepender se a devorasse inteirinha, conforme o planejado.
Na edição desse mês tem uma matéria maravilhosa sobre as cobranças que as mulheres sofrem por não se enquadrarem no roteirinho esperado. Parabéns pelo depoimento da Nina Lemos. Podia fazer parte da campanha Beleza Real da Dove.


Momento Sadia

Tenho algumas convicções na vida. Uma delas é a seguinte: fatia de presunto tem que ser beeem fininha, quase transparente, senão não rola. Quando eu era criança, sempre que ia na padaria com minha mãe ou avó, ficava de olho naquela máquina de cortar frios. Pra falar a verdade, ainda fico. Vontade de programá-la para "modelo carpaccio" e salvar a humanidade das fatias grossas. Deve ser por isso que implico com mortadela. Não tem como ela ser phyna. Será que o Jamie concorda comigo?
Achei essa foto e lembrei do Fabio. Uma vez ele foi almoçar na casa de um amigo e depois contou, admirado: -Mãe, eles comem bacon!!

Ufa!

Passei, mas espremendo os olhinhos pra ler. Fiquei pensando: e daqui a cinco anos?

Foto (linda): behance.net

11 de ago de 2010

Ronda noturna

Eu não durmo sem antes fazer a ronda. Já tenho um caminho estabelecido pela casa. Circulo por cada cômodo conferindo portas e janelas, recolhendo alguma coisa que ficou pra trás, deixando tudo em ordem para o dia seguinte. Se acordo no meio da noite, a ronda começa nos quartos dos guris e depois faço um giro rápido pela sala e cozinha. Tipo assim um guarda noturno, só que de camisola e ácido retinóico.
Veja bem, eu nunca disse que não tinha manias.

Leitura dinâmica

Eu sempre fico tensa na presença de um oculista. Amanhã vou fazer o exame de olhos para renovar a carteira de motorista. Ai dele que diga que eu não enxergo bem. Perto do que já foi, eu enxergo tudo que precisa. Não conta o sufoco que eu passo pra ler placa de esquina e número de edifício na calada da noite.
É só ver aquela projeção de letras na parede que volta o meu passado míope. Fui uma adolescente mezzo fundo de garrafa, mezzo lente com olho vermelho. Eu odiava que me vissem de óculos e tive que esperar até os 30 anos para operar e me livrar dos soros, estojinhos e colírios. Levei um bom tempo pra curtir óculos de sol.
E agora esse exame. Imagina se meus olhos acordam preguiçosos, não estão a fim de ler nada e o oculista coloca um carimbão dizendo SÓ DE LUNETA, MINHA FILHA. Sem falar que foto de documento sempre fica tinhosa. Com isso, eu convivo. Óculos, nem pensar.

Branco dupla ação

A mesma natureza que torna alguns animais espécie rara também nos sacaneia. Nos últimos dias, arranquei vários fios de cabelo branco. Como num jogo de varetas, separei meticulosamente os arredores, peguei a pinça, mirei e... pá!! Adiós, infeliz. Dizem que o fio nasce mais grosso, mas dá um alívio momentâneo, uma sensação de vitória capilar. Agora vou ter que intensificar a cartela de cores. Tonalizante já não é suficiente. Se eu fosse uma ursa polar ou qualquer outro bicho branquela, garanto que teria muito turista me fotografando. Não é o caso. Os espelhos fazem questão de apontar cada intruso que invade meu couro cabeludo. Amônia, aqui vou eu.

6 de ago de 2010

Travesseiros now boarding

Dentro do quarto, vale todo tipo de travesseiro. Com babadinho, com ideia, com baba da noite anterior, com bolinhas que esfoliam o rosto. Agora dentro do aeroporto, é mico.
Eu fico passada quando vejo um adulto indo com sua mala e seu travesseiro para o check-in. Medo de dormir com travesseiro estranho? Nojo de deitar a cabeça onde outros já deitaram? Os hotéis trocam as fronhas, gente! E se a hospedagem for na casa de amigos ou familiares com noções básicas de higiene, eles provavelmente vão fazer o mesmo.
Levar travesseiro é engraçadinho se o portador do objeto em questão tiver uns 3 anos. Marmanjos arrastando travesseiros pelo saguão do aeroporto é uma cena constrangedora. Até porque as fronhas sempre têm frufrus. Será que eles não se atrapalham na hora de dar o cartão de embarque e pedem para o comissário segurar um pouco o travesseiro?
Quem não desapega de jeito nenhum e só viaja levando o seu cheirinho, então que seja dentro da mala. Discretamente.


Foto: Behance.net

Eles merecem


Crônica feita para o site do Bourbon Shopping

Dia de agradecer

Lembra quando os homens não choravam, não demonstravam saudade, carinho, insegurança ou qualquer emoção? Não faz tanto tempo assim, apesar de ter sido no século passado. Aposto que foi nessa época emocionalmente paleolítica que surgiu a expressão “Homem com H maiúsculo”. Como se eles não pudessem ser diminuídos nem na ortografia. Gerações de crianças cresceram sem algo tão importante quanto leite materno: o colinho do pai. Respeito valia mais que abraço. Pais eram secos e duros feito banco de praça, quando deveriam ser uma poltrona fofa, gostosa e convidativa.

Os pais de hoje são a evolução da espécie. Foram amaciados como um motor de carro zero. Participam de tudo e se saem bem lidando com as próprias emoções – mesmo que às vezes elas assustem mais que choro de bebê. Trocar fraldas é um bônus, se comparado a todos os novos itens de série. Tomara que as futuras gerações sigam aprimorando a classe. O que é bom sempre pode ficar melhor.

Meus filhos têm um belo exemplo de pai em casa. Meio caminho andado para que também sejam pais dedicados e carinhosos. Pais que choram na festinha da escola, que se emocionam vendo Toy Story 3, que levam e buscam, que sabem os nomes dos amigos, que abrem a agenda e a cabeça por causa dos filhos.

Essa evolução do modelo de pai vem a calhar. Com tantos formatos de famílias surgindo, os homens precisam estar cada vez mais disponíveis e preparados para acompanhar o dia a dia não só dos seus, mas dos filhos das suas namoradas e mulheres. Coração de pai tem que ser enorme para caber todo mundo. Pai emprestado, pai por tabela, pai que se vira nos 30. Isso sim é ser Homem com H maiúsculo.

Termino essa crônica desejando que os pais que ainda não se encaixam nesse modelo olhem para os lados e se inspirem. Levem menos trabalho para casa e passem mais tempo com os filhos. Troquem a autoridade pela proximidade. E fica a dica: não precisa ser um pai perfeito. A intenção é suficiente. Nós, mães, descobrimos na marra que a perfeição é impossível. Pais praticantes estão sujeitos a erros e acertos. Em algum momento da vida, os filhos vão agradecer o aprendizado.

Hotelzinho básico em Berlim

O rico olha para essa foto e pensa: como eu ainda não fiquei lá?
Já o chinelo olha e diz: ih, vai molhar todo o chão.

From The Cool Hunter

Quer um pote?

Pra enfeitar a estante da sala



Dica ótima de presente para quem tem uma tia (ou vizinha ou amiga da vó) que adora cerâmicas de gosto duvidoso. Pelo menos, essas são divertidas.

Imagens: muitolegal.net

2 de ago de 2010

Pequeno Manual de Convivência na Blogosfera

1) Ninguém é obrigado a concordar com tudo que é postado
2) Ninguém é obrigado a tolerar grosserias
3) Ninguém é obrigado a permanecer em um blog se não se identificar com ele
4) Ninguém é obrigado a ler comentários de pessoas que não se identificam
5) Obrigado