2 de set de 2008

Belezinha

Sem querer, eu comecei a campanha pela beleza real bem antes que a Dove. Pelo menos lá em casa. Como sou um pedacinho de progesterona cercada de testosterona por todos os lados, decidi resumir os meus cuidados estéticos com a seguinte explicação:
-Tô fazendo belezinha...
Sempre invejei aquelas matérias das revistas que mostram como é fácil tirar um sábado inteiro para fazer o dia da beleza. Se nunca consegui fazer belezão, então adotei as belezinhas. Fazer belezinha é real, possível e saudável. Um minutinho pra ajeitar melhor o cabelo. Cinco minutinhos pra tirar a maquiagem antes de dormir. Um hidratantezinho depois do banho. Um risquinho preto no olho pra não sair com cara de louca. Um protetorzinho solar dentro da bolsa. São doses homeopáticas de vaidade. Uma manutenção diária e preventiva, mas é o que dá para fazer no meio de tanto trabalho.
Tô fazendo belezinha é uma frase genérica que serve para várias situações. Até para quando eu não estou fazendo nada, só quero um minuto de paz no silêncio do banheiro. Para que confundir a cabeça deles com as diferenças entre esfoliante e tonificante? Para que entrar em detalhes sobre a ação vulcânica da cera quente sobre os poros? Melhor não aprofundar o assunto, senão eles vão querer saber por que fico procurando cabelo em ovo se acabei de voltar da depilação. Para que levantar a questão do auto-flagelo a que a gente se submete com pinças e alicates? Eles podem se dar conta de que não sou tão evoluída assim, já que minhas sobrancelhas seguem crescendo feito primatas na selva.
Prefiro que o subconsciente dos meus filhos registre como o ideal de mulher alguém que se cuida e se gosta. Na medida do possível. E que eles se sintam no direito de responder com a mesma frase se no futuro eu abrir a porta do quarto e pegar um deles fazendo belezinha com as namoradas.
Se você é como eu, que corre de salto pra lá e pra cá e almoça corrigindo tema de casa, experimente fazer uma belezinha - com ou sem Dove. A gente vai aprendendo truques como manter um perfume extra no porta-luvas e ter o celular da manicure pra avisar que já, já você está chegando.
Fazer belezinha: uma campanha pelas mulheres reais, por causa dessa loucura surreal em que a gente se meteu. Eu recomendo.


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