22 de abr de 2009

Potelândia

Quando a indústria do sorvete colocou o primeiro sabor (creme, provavelmente) num pote de dois litros, as mulheres nunca mais foram as mesmas. Depois fez isso com o flocos e o morango. Aí dividiu o pote meio a meio. Sucesso. Viu que cabia o terceiro sabor e empotou o napolitano. Hoje se exibe com o quadriculado (imagine um tabuleiro de xadrez, feito com chocolate e creme). O problema não é o sorvete, mas o pote. Ele vicia mais que açúcar. Eu, talvez por uma disfunção genética, passo incólume*. E jogo o pote no lixo seco (para horror da minha mãe). Devo ser aquele 0,000001 das pesquisas. Muito antes do lançamento, quando os kibons se perguntavam se os consumidores pagariam mais caro pelo sorvete em pote, algum marketeiro disse “claro que sim! E depois vão guardar alface limpa lá dentro!”
Conheço mulheres que guardariam seus diamantes num pote desses (não é perfeito para despistar ladrão?). Elas não conseguem se desfazer dos potes, ficam descobrindo novas utilidades e ensinando umas às outras. Guardam tesoura e linha, aposentando a charmosa caixinha de costura. Guardam canetinha dos filhos, bijuterias, mantimentos, parafusos dos maridos, fotos antigas, o Omo da casa da praia (viu como assim ele não fica úmido?).
E dê-lhe engordar a indústria do sorvete. Num golpe de mestre, os kibons pediram que algum designer inventasse o pote de inox para “esconder” o deles dentro. Bingo! As mulheres acharam aquilo um desperdício. O pote de plástico virou cult. Se alguém comprou o esconderijo de inox, só usa em dia de festa (quer dizer, usaria, mas acaba encomendando uma torta). Os terríveis potes de sorvetes desafiam a estética e seguem sendo levados à mesa com toda pompa e circunstância. Gulosas, as mães e avós servem bolas cada vez maiores, salivando só de pensar em lavar o pote e aumentar sua coleção. E os armários da cozinha vão criando barriga, de tanto pote. Onde isso vai parar, eu me pergunto. No pote-beliche, que vem com escadinha?

*Passo incólume porque já tenho potes suficientes. Alguém tem que manter viva a indústria do Tupperware.

Um comentário:

Lu disse...

Hahahahahahah!!!! Muito bom, Magali!!!!!!
Eu não compro muito sorvete, mas mesmo assim, tenho um armário na cozinha da minha casa abarrotado desses potes. Isso porque toda vez que vou pra casa da minha mãe, ela usa esses potes pra colocar a comida que eu trago pra cá. Resultado: acabo ficando entupida de potes. E eu digo que na minha casa tem mais potes do que comida pra guardar.
Daí tem vezes que eu me irrito porque abro o armário e aquela chuva de potes cai sobre a minha cabeça. Então, pego uma sacola e encho com os malditos, coloco no porta malas do carro e devolvo tudo pra minha mãe.
Adorei o texto.
Beijos
LuRodrigues