8 de jun de 2010

Cumplicidade no elevador

Não sei o nome dessa vizinha, provavelmente ela também não sabe o meu. Isso não a impediu de dividir comigo um momento de dor.
-Eu entreguei pra ele uma bota... e eu adoro botas!
O "ele" era um motoboy da farmácia. Ao entrar no elevador com uma sacolinha de remédios que custou o valor de uma bota, essa mulher viu em mim uma alma gêmea. E acertou, porque aquela comparação monetária doeu em mim. Por mês, seguramente, eu gasto um par de botas na farmácia.
Ela nem falou sobre o tempo.
Ela esqueceu de apertar o botão do seu andar.
Ela precisava contar isso pra outra mulher - no caso, eu. Fez bem. Seu marido ou filhos nunca iriam entender.
-Tu também gasta muito com farmácia? Hoje eu vi uma bota linda, (suspiro) fiquei louca pra comprar mas pensei: não estou precisando. E agora... eu gasto essa bota em farmácia!!
Também achei uma injustiça. Não sei qual remédio ela comprou, se existe Genérico, se poderia ter sobrado dinheiro pra uma rasteirinha. Nem fui solícita e perguntei se havia alguém doente em casa. Nosso assunto era outro. As ironias do destino.

Foto: FFFFound

3 comentários:

Fernanda Reali disse...

Sei o que ela sente, embora eu não tenha botas há uns 15 anos. Quasno Guga nasceu, até uns 2 anos de idade, gastávamos um salário mínimo ou mais na farmácia. Só os sachês de Singulair custavam 110,00 a caixinha.

Hoje passou, gasto 100 ao mês somente, o que é um alívio.

Beijos

Mulher de Fases disse...

Eu deixo livros...mas o que me consola é manter a pele maravilhosa!
Bjsss

Tudo do cotidiano disse...

Magali, eu também deixo uma bota por mês na farmácia. Uma lástima!
Um beijo, adoro teu blog